Nº 1081

 

SANTO e FELIZ NATAL

 

São os Votos dos Padres:

 

Manuel António Santos

António Duarte Azevedo

Alexandre Medeiros

João Paulo Faria

 

"No Natal não celebramos uma recordação,

mas uma profecia.

Naquela noite, o sentido da história tomou outra direção:

Deus para o homem,

o grande para o pequeno,

do alto para baixo,

de uma cidade para uma gruta,

do templo para um campo de pastores.

A história recomeça dos últimos."

Ermes Ronchi

 

MEDITAR

 

Numa manjedoura

Segundo o relato de Lucas, é a mensagem do anjo aos pastores que nos oferece a chave para ler a partir da fé o mistério que rodeia um menino nascido em estranhas circunstâncias nos arredores de Belém.

É de noite. Uma claridade desconhecida ilumina as trevas que cobrem Belém. A luz não desce sobre o lugar onde se encontra o menino, mas envolve os pastores que escutam a mensagem. O menino fica oculto na obscuridade, num lugar desconhecido. É necessário fazer um esforço para descobri-Lo.

Estas são as primeiras palavras que temos de escutar: «Não temais. Anuncio-vos uma grande alegria, que o será para todo o povo». É algo muito grande o que sucedeu. Tudo é motivo para nos alegrarmos. Esse menino não é de Maria e José. Nasceu para todos nós. Não é só de uns privilegiados. É para toda a gente.

O cristão não tem de monopolizar estas festas. Jesus é de quem O segue com fé e de quem O esqueceu, de quem confia em Deus e dos que duvidam de tudo. Ninguém está só frente aos seus medos. Ninguém está só na sua solidão. Há Alguém que pensa em nós.

Assim o proclama o mensageiro: «Nasceu hoje o Salvador: o Messias, o Senhor». Não é o filho do imperador Augusto, dominador do mundo, celebrado como salvador e portador da paz graças ao poder das suas legiões. O nascimento de um poderoso não é uma boa nova num mundo onde os débeis são vítimas de toda a classe de abusos.

Este menino nasce num povoado submetido ao Império. Não tem cidadania romana. Ninguém espera em Roma o Seu nascimento. Mas é o Salvador que necessitamos. Não estará a serviço de nenhum César. Não trabalhará para nenhum império. É o Filho de Deus que se faz homem. Só procurará o reino do Seu Pai e a Sua justiça. Viverá para tornar a vida mais humana. Nele, encontrará este mundo injusto a salvação de Deus.

Onde está este menino? Como o podemos reconhecer? Assim diz o mensageiro: «Isto vos servirá de sinal: encontrareis um menino envolto em panos e deitado num casebre». O menino nasceu como um excluído. Os Seus pais não Lhe puderam encontrar um lugar acolhedor. A Sua mãe deu à luz sem a ajuda de ninguém. Ela mesma fez o que pôde para envolvê-Lo em panos e deitá-Lo numa manjedoura.

Neste casebre começa Deus a Sua aventura entre os homens. Não O encontraremos entre os poderosos, mas entre os débeis. Não está no grande e espetacular, mas no pobre e pequeno. Vamos a Belém; voltemos às raízes da nossa fé. Procuremos Deus onde encarnou.

 José António Pagola

 

O portinho da fraternidade

Era uma vez um velho rei que queria conhecer melhor a alma do seu povo e decidiu percorrer o país, vestido com umas pobres roupas de lavrador para que ninguém o conhecesse. Ao chegar a uma aldeia da planície, palmilhou algumas ruelas e estranhou que as pessoas o olhassem com algum desdém e lhe virassem a cara quando ele se aproximava para as cumprimentar. Então, o rei identificou-se, pediu que toda a população se reunisse na praça central e disse-lhes:

- Como estou triste convosco. Ninguém foi capaz de olhar para mim com estima. Sem um sincero sentimento de fraternidade, os homens nunca se relacionarão uns com os outros como membros da mesma família humana e, então, em vez de viverem como irmãos, lutarão entre si como adversários ou inimigos e destruir-se-ão irremediavelmente. É impressionante como a inteligência humana foi capaz de conhecer e explorar o planeta e levar-nos à lua e de pouco nos tem servido para descobrirmos e reconhecermos que os outros são nossos irmãos. Vou-me embora desolado.

O rei foi-se embora e, ao entrar num vilarejo da montanha, decidiu bater à porta de algumas casas e pediu uma esmola nalgumas e noutras um pão ou uma sopa. Como poucos o acolheram com misericórdia, aproximando-se de algumas pessoas que estavam na conversa junto à igreja, disse:

- Eu tenho vergonha de ser o rei de um país, onde a fraternidade parece uma palavra oca. O ser humano diz amar a Deus, que é uma realidade transcendente, imaterial e invisível, e, muitas vezes, odeia o seu irmão, o seu vizinho ou o seu colega, que estão ao seu lado e são bem visíveis. É imprescindível compreendermos que fomos feitos para vivermos como irmãos e só assim a vida terá sentido e conseguiremos ser felizes.

Então, o velho monarca saiu dali entristecido e dirigiu-se para uma cidadezinha que se situava junto a um grande lago. Para não variar, também ficou mal impressionado com as suas gentes pois se uns andavam pelas ruas como se não conhecessem ninguém, outros discutiam e até se revelavam agressivos. Então, o rei mandou reunir a população junto a uma árvore e disse-lhes amargurado:

- Como rei, tudo fiz para construir um país próspero, unido e em paz, mas a verdade é que não parecemos uma só família nem nos tratamos como irmãos. A nossa vocação é o amor e se todos dermos as mãos uns aos outros, não conseguiremos pegar em armas para nos matarmos.

O rei, já desesperado, saiu dali e foi até uma aldeia junto ao mar. Ao ver chegarem dois barcos do mar, deu-se conta da união e a alegria de toda a gente a ajudar nas tarefas da pesca e na distribuição do peixe por toda a gente. Para seu espanto, vários pescadores aproximaram-se e convidaram-no a jantar com eles e a passar ali a noite. O rei, sem saber bem o que dizer ou fazer, aceitou e disse à população:

- Sou o vosso rei e, sem o saberdes, reconhecestes em mim um irmão. O futuro do reino e da humanidade está assegurado enquanto houver pessoas boas como vocês. A verdadeira felicidade está em partilhar o que temos e somos com os outros. Por isso, vou recompensar-vos com a melhoria das vossas casas e dos vossos barcos e vou chamar à vossa terra Portinho da Fraternidade por serdes um exemplo para todos.

O velho rei conviveu com aquela gente simples como se fossem verdadeiramente seus irmãos e regressou ao seu palácio com o coração cheio de alegria e esperança.

Paulo Costa (adaptado)

 

PENSAMENTO DA SEMANA

«O Natal é tempo de celebrar o colo de quem nos sonhou e esperou,

de quem nos ofereceu da sua vida,

sem que nada lhe tivéssemos pedido.

Quem nos deu a luz e à luz...

quem nos amou mesmo antes de existirmos

e não deixará de nos amar, jamais…

mesmo acima dos céus.»

José Luís Nunes Martins


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Pensamento da Semana

 

PENSAMENTO DA SEMANA

 

“Não importa o quanto às vezes seja difícil, o quanto às vezes eu me atrapalhe, o quanto às vezes eu seja a densa nuvem que esconde o meu próprio sol, quantas vezes seja preciso recomeçar: combinei comigo não desistir de mim.

Quanto mais o tempo passa, mais amorosamente, mais contente, mais compassiva, eu cumpro esse trato.”

Ana Jácome

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