Nº 1059

 

Um dia houve alguém que sonhou

 

Um dia houve alguém que sonhou. Sonhou que a Sua Palavra tocaria os simples e incomodaria os que se sentiriam intocáveis. Sonhou que na Sua mesa não faltaria pão e vinho para os que lhe procurassem de coração humilde e com toda a sua inteireza.

Um dia houve alguém que sonhou. Sonhou que jamais existiria divisão entre puros e impuros. Sonhou que todas as Suas palavras eram escutadas por quem tem sede e fome de amor. Sonhou que poderia deixar entregue o Seu Reino a uma só Igreja. Uma Igreja que se importaria mais com a humanização dos gestos do que com a verbalização das doutrinas.

Um dia houve alguém que sonhou. E para isso deu a conhecer um Pai com entranhas de Mãe, porque só quem sonha consegue ver e praticar a misericórdia. Sonhou com a certeza de que a compaixão conseguiria erguer tantos e tantas. Dando-lhes a possibilidade de poder recomeçar vezes sem fim e de poderem regressar a casa em festa.

Um dia houve alguém que sonhou. Sonhou elevar a Sua humanidade para que ninguém pudesse duvidar da Sua divindade. Sonhou que o Seu olhar daria a alegria de se saberem amados. Sonhou que o Seu toque daria a felicidade de se saberem erguidos. Sonhou que todos e todas pudessem sentir-se ovelhas do mesmo rebanho, não por intimidação, mas por reconhecerem o seu amado.

Um dia houve alguém que sonhou. E não descansou enquanto não deixou tudo planeado. Não desistiu enquanto não transmitiu tudo àqueles que O seguiam. Porque Ele bem sabia que o Seu sonho não era coisa para ficar dentro de Si. Ele bem sabia que tinha de se cumprir para que o Mundo jamais ficasse na mesma.

Um dia houve alguém que sonhou. Sonhou mais alto do que todos os homens e mulheres e para que o Seu sonho ganhasse forma teve de o concretizar com a Sua vida. Por inteiro. Doando-se sem medidas.

Um dia houve alguém que sonhou e por isso amou.

Emanuel Antonio Dias

 

 

MEDITAR

NOSSO "ABBA"

 

«A oração do Pai-Nosso é a mais clara e mais expressiva síntese que temos da mensagem de Jesus. Ela não é uma fórmula a ser decorada, mas um projeto de vida.

Podemos dizer que o objetivo da oração é colocar-nos no Pai, inscrever-nos no seu coração: “eu sou no Pai, existo no Pai”.

Ao rezar o Pai-Nosso, vamos percebendo que Jesus transforma todas as nossas questões em desejos e os nossos desejos em oração. Tudo está dito aí, mas tudo necessita ser vivido. É agora que começa o movimento da vida, não apenas a oração, mas a encarnação da oração; não apenas o desejo, mas a realização dos grandes desejos. E realizar todos os desejos que o Pai-Nosso exprime é tornarmo-nos aquilo que somos chamados a ser, é tornarmo-nos realmente humanos e realmente divinos.

Nesta oração, nenhum miserável foi excluído, nenhum errante foi rejeitado, nem sacrifício foi pedido, nenhum dogma proclamado, nenhuma lei estabelecida.

A expressão Abba é a prece da criancinha que balbucia tentando dizer a palavra “pai”, a prece não articulada que ainda pertence ao silêncio, ao Inefável.

É a primeira expressão de confiança do bebé em relação ao seu pai ou à sua mãe.

O “Pai-Nosso” é este balbuciar interior, que se volta para o Infinito, para o Absoluto, e que nenhuma palavra pode expressar. É uma palavra anterior à palavra “pai” e à palavra “mãe”.

É o desejo que vem da criança e que se reconhece no olhar do pai ou da mãe como um ser amado, porque uma relação particular foi estabelecida.

Na expressão Abba há simplicidade demais, espontaneidade demais e muita inocência. Estas qualidades de coração e de inocência é necessário que as encontremos quando recitamos o Pai-Nosso.

O mais importante é estar à escuta desse desejo profundo e silencioso da “criança divina” que habita cada um de nós.»

 

Pe. Adroaldo Palaoro, s.j. (adaptado)

 

Pai Nosso... Mãe Nossa

 

Pai... Mãe... de olhos mansos

sabemos que estás invisível em todas as coisas.

Que o teu nome nos seja doce, a alegria de nosso mundo.

 

Traz-nos as coisas boas em que tens prazer:

Os jardins, as fontes, as crianças,

o pão e o vinho,

os gestos ternos, as mãos desarmadas,

Os corpos abraçados...

 

Sei que desejas dar-nos o nosso desejo mais fundo,

desejo cujo nome esquecemos... mas tu não esqueces nunca.

Realiza pois o teu desejo para que possamos sorrir.

Que o teu desejo se realize no nosso mundo

da mesma forma que ele pulsa em ti.

 

Concede-nos contentamento nas alegrias de hoje:

o pão, a água, o sono...

Que sejamos livres da ansiedade.

 

Que os nossos olhos sejam tão mansos para com os outros

como os teus são para connosco.

Porque, se formos ferozes,

não poderemos acolher a tua bondade.

 

Ajuda-nos para que não sejamos enganados pelos maus desejos

E livra-nos

daqueles que carregam a morte nos próprios olhos.

Amém

Rubem Alves, in Transparências da Eternidade

 

PENSAMENTO DA SEMANA

 Acreditar que, um dia, um olhar ainda nos cura por dentro.

Acreditar que, um dia, um sorriso ainda nos toca o coração.

Acreditar que, um dia, uma mão ainda ampara tudo o que somos.

Acreditar que, um dia, um abraço ainda nos abriga de tudo.

Acreditar que, um dia, um gesto de amor ainda é tudo.

Acreditar que, um dia, a gentileza ainda nos mostra o segredo de viver.

Acreditar que, um dia, alguém ainda nos inspira a ser do bem.

Acreditar que, um dia, nós ainda fazemos corações sorrir.

Acreditar que, um dia, o amor ainda nos muda o mundo.

Acreditar que, um dia, esse amor ainda nos faz sentido. E ainda é sentido.

 

Daniela BarreiraPaz


 

INFORMAÇÕES

 

 FESTA DE SANTA ANA - BEIRA

Dia 31 de julho - Missa de festa às 13h00 e  Procissão às 19h00.

 

Terreiro da Macela  - Dia 1 de agosto às 11 horas - Festa de Santo Antão

 

FESTA DE NOSSA SENHORA DA BOA VIAGEM

PORTAL

Tríduo - Dias 27, 28 e 29 de julho - Missa às 19 horas.

              

Festa- Dia 31 de julho - Missa às 12h00 - Procissão às 20 horas.

 


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Pensamento da Semana

 

PENSAMENTO DA SEMANA

 

A vida cristã não é uma vida de observâncias. É uma vida de liberdade. E não por um relativismo absurdo, mas porque Jesus coloca o ser humano no centro de toda religião e tudo o mais ao seu serviço: leis, sacramentos, ritos, doutrinas, normas, costumes, tradições, etc. A vida cristã é misericórdia, compaixão, fraternidade/solidariedade, disponibilidade, serviço, entrega, doação de si, entrega de tudo e, claro, de si mesmo.

Consuelo Vélez

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