Nº1030

 

FELIZ Ano 2022

Oração de Ano Novo

Senhor, eis-nos aqui com o que somos e temos…

Queremos agradecer-Te do fundo do coração

o Ano Novo que nos ofereces com alegria e ternura.

Ainda que conheças bem as nossas fragilidades,

a verdade é que continuas a acreditar e a apostar em nós.

As nossas palavras não conseguem exprimir

a nossa satisfação por, apesar de tudo,

ainda estarmos vivos e com saúde e por nos dares mais um ano,

como se fossem mais doze capítulos do livro da nossa história.

Tu que nos deste a vida por amor e para amar

e nos ensinaste a escrever e a desenhar a nossa existência,

inspira-nos nestas 365 páginas em branco

que estão a partir de agora à nossa disposição.

Continuas a sonhar ser o nosso companheiro de viagem

e desejas que sejamos verdadeiramente

livres e responsáveis neste enredo de amor.

Abençoa-nos, guia-nos e ilumina-nos neste novo ano,

para que sejamos capazes de evitar os erros do costume

e os pecados de sempre e nos abramos, de uma vez por todas,

ao Teu projeto de amor que dá sentido e plenitude à nossa vida. 

Senhor, temos tantos sonhos e projetos para este novo ano…

Dá-nos sabedoria, lucidez, coragem e determinação

para fazer aquilo que tem de ser feito

e concede-nos paciência, humildade, resignação e fortaleza

para aceitar aquilo que não pode ser mudado.

Dá-nos fé, esperança e caridade para sermos pessoas melhores

e para sermos felizes e nos realizarmos em Ti e contigo.

Abençoa a humanidade, renova todo o nosso ser

e ajuda-nos a transformar a sociedade com os valores do Evangelho.

Derrama a paz e o amor nos nossos corações e concede-nos

um Ano Novo cheio de saúde, harmonia e prosperidade.

Amém.

Paulo Costa (Adaptado)

 

MEDITAR

Epifania, manifestação de anti realeza de Jesus

No nascimento e na morte de Jesus ressoa para Ele o mesmo título, “Rei dos judeus”. Nasce uma criança numa simples família formada por um artesão, José, e pela sua jovem mulher, Maria; nasce num estábulo, refúgio para o rebanho nos campos de Belém, e no entanto alguns homens vindos de longe, do Oriente, ou melhor, da sua sabedoria orientada, na sua procura são levados a ver neste simples nascimento o cumprimento da sua busca, a plenitude da sua sabedoria.

Todos os seres humanos de cada tempo e cultura, com efeito, têm em comum sobretudo a procura do bem, mesmo que depois contradigam este seu desejo tão desafiante. Em cada ser humano há um anseio de bem, de vida plena, de paz, e este fogo que habita os humanos impele-os a procurar, a meter-se a caminho, a declarar insuficiente a terra que habitam, o horizonte habitual. Por este caminho os humanos procuram e encontram como sinais o que têm ao seu alcance: o céu, a terra, o mar e também as criaturas animadas e inanimadas com as quais podem e sabem comunicar.

Para quem escrutina o horizonte surge sempre uma estrela, há sempre um oriente, um erguer-se, que convida ao caminho. E assim aconteceu para aqueles magos, que do Oriente chegam a Jerusalém, a cidade santa.

Eles perguntam «onde está o Rei dos judeus que nasceu?» precisamente aos judeus que não se tinham dado conta do nascimento do seu Rei. Não tinha dado conta o rei que reinava naquele momento, Herodes, não se tinham dado conta os sacerdotes nem sequer os peritos das Sagradas Escrituras, os escribas. Eis o escândalo: quem é designado para conhecer e observar o que acontece, não sabe, quem é capaz de interpretar pontualmente as Escrituras em referência ao Rei dos judeus anuncia-o com clareza e certeza, todavia numa situação de radical cegueira.

Assim, e ainda hoje assim acontece: podem conhecer-se as palavras de Deus contidas nas Escrituras, podem citar-se e explicar com competência, podem até ensinar-se aos outros, e contudo, ao mesmo tempo, permanecer numa situação de total cegueira ou surdez, manifestações da dureza do coração.

No entanto aqueles sábios obedientes às Escrituras dos judeus, ou melhor, re-orientados pelas Escrituras, conseguem novamente ver a estrela, que os conduz até ao menino Rei Messias, a Belém, onde encontram o que procuravam mas que certamente não esperavam assim: não um palácio, não uma corte real em festa, não a pompa digna do nascimento de um príncipe, mas simplesmente um menino e a sua mãe.

Contemplam não aquele que tanto tinham esperado e procurado, mas outro. E como convertidos, mudados na sua mente e no seu coração, reconhecem a realeza na anti-realeza, a realeza poderosa e universal na fragilidade humana, num menino incapaz de falar e de ser eloquente com a palavra. Todavia os magos compreendem, chegam à fé, apesar de não terem nem a revelação nem as sagradas Escrituras. E não por acaso, Mateus anota que regressam ao seu país através de outro caminho, isto é, outro modo de pensar e de viver.

A Epifania é manifestação da verdadeira realeza a todos, cristãos e não cristãos.

Enzo Bianchi (Adaptado)

 

UM OLHAR DE BÊNÇÃO

“Maria conservava todas estas coisas no seu coração, meditando nelas.” É isto que nós somos chamados a fazer.

Maria é para nós um modelo de vida. Aquela rapariga da Galileia tem tanto a ensinar-nos nas atitudes fundamentais da sua vida, na capacidade de dizer “Sim”, um sim a uma história muito maior do que ela, que jamais ela poderia conquistar, que jamais ela poderia fazer e ela abre as portas do seu coração a isso, assumindo que isso tem um custo, que isso se paga também em sofrimento, em compreensão, em solidão – ela assumiu essa história. E depois, a fidelidade que Maria vive em cada momento a essa história. Ela deve muitas vezes ter olhado para Jesus e não ter entendido nada, mas guardava isso no seu coração, guardava imagens, guardava palavras, pedindo a Deus que desse um sentido àquilo que ela via e não entendia, sentindo que tinha ela própria também de fazer um caminho para descobrir Jesus. Maria não é aquela que entende tudo logo, não, ela terá de ter feito um caminho duríssimo de compreensão progressiva do mistério de Jesus. É também esse caminho que nós fazemos, um caminho progressivo de compreensão do mistério que nos visita.

Maria é exemplo para nós porque, a aproximar-se o fim do ciclo do Natal, o que nós somos chamados é a permanecer. E a forma de permanecer é guardar no coração. Não vamos guardar o presépio apenas numa caixa, não vamos guardar os símbolos num saco à espera do ano novo. Vamos guardar no nosso coração aquilo que vivemos. Vamos ruminar, vamos meditar, vamos estender no tempo o sabor daquilo que, de uma forma tão intensa, nós meditamos no Mistério do Presépio.

O que é que nós vivemos, o que é que nós vimos, o que é que nós tocamos acerca do mistério da vida que nós vamos conservar no nosso coração e meditar nisso ao longo do ano? O que é que nós vamos contar, partilhar uns com os outros daquilo que vimos? Um Menino deitado numa manjedoura o que é que é para nós? O que é que isso significa?

E o que é que nós vimos acontecer? Vimos acontecer o Deus connosco, o Deus que toma a nossa carne, que toma a nossa humanidade. Essa é a forma mais extraordinária de bênção que Deus dá a cada um de nós. É colocar Cristo na nossa vida como companheiro daquilo que somos. No fundo mais fundo do nosso coração, de todos nós, mulheres e homens, crianças, adultos há o desejo de uma bênção. Cada um de nós precisa de uma bênção, como a terra seca precisa da água. Uma bênção é aquilo que a própria palavra quer dizer: dizer bem, dizer o bem que nos habita.

Card. José Tolentino Mendonça

 

PENSAMENTO DA SEMANA

 

Começar, estamos sempre a começar. Temos um Ano Novo pela frente, mas começar de novo não é começar outra vez, não é repetir alguma coisa, é começar de outro modo, com novidade. E o primeiro gesto devia ser o de agradecer esta imensa oportunidade.

Este ano será aquilo que fizermos dele: se cultivarmos uma atitude de egoísmo e individualismo, será assim; mas se nos comprometermos com a construção da paz e da justiça no mundo, então teremos um bom Ano Novo. 

Vasco Pinto de Magalhães


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Pensamento da Semana

 

PENSAMENTO DA SEMANA

 «Deus espera por nós em tudo o que encontramos. 

Não se trata de reentrar na esfera íntima e esquecer tudo o resto. 

O desafio é estar em si e experimentar com todos os sentidos a realidade daquilo e daquele que vem.

O desafio é atirar-se para os braços da vida e ouvir aí o bater do coração de Deus. 

Sem fugas. Sem idealizações. Os braços da vida como ela é.»

D. José Tolentino Mendonça

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