Nº 1029

 

A HISTÓRIA RECOMEÇA DOS ÚLTIMOS

«O Natal não é uma festa sentimental, é o novo ordenamento de todas as coisas: Deus entra no mundo a partir do ponto mais baixo, para que ninguém fique abaixo dele, ninguém deixe de ser alcançado pelo Seu abraço que salva. A história recomeça dos últimos.

Enquanto que em Roma se decidem as sortes do mundo, enquanto as legiões mantêm a paz com a espada, neste mecanismo perfeitamente oleado cai um grão de areia: nasce uma criança, suficiente para mudar a direção da história. A nova capital do mundo é Belém.

O Natal é o maior ato de fé de Deus na humanidade: confia o filho nas mãos de uma jovem inexperiente e generosa, tem fé nela. Maria cuida do recém-nascido, alimenta-o de leite, de carícias e de sonhos. Fá-lo viver com o seu abraço.

Do mesmo modo, na incarnação nunca concluída do Verbo, Deus só viverá na nossa Terra se cuidarmos dele, como uma mãe, a cada dia.

Por quê o Natal? Deus fez-se homem para que o homem se faça Deus. Cristo nasce para que eu nasça. O nascimento de Jesus requer o meu nascimento: que eu nasça diferente e novo, que nasça com o Espírito de Deus em mim.

O Natal é a "reconsagração" do corpo. A certeza de que a nossa carne que Deus assumiu, amou, fez sua, é sagrada em qualquer dos seus membros, que a nossa história é sagrada qualquer que seja a sua página.

O Criador que tinha plasmado Adão com a argila do solo faz-se Ele mesmo argila deste nosso solo. O oleiro faz-se argila de um vaso frágil e belíssimo. E ninguém pode dizer: aqui acaba o homem, aqui começa Deus, porque Criador e criatura abraçam-se a partir de agora. Para sempre.»

P. Ermes Ronchi (adaptado)

 

MEDITAR

PAUTAS PARA EDUCAR NA FÉ EM FAMÍLIA

Não negligenciar a própria responsabilidade

É muita coisa que se pode fazer. Em primeiro lugar, preocupar-se  que o filho receba uma educação religiosa na escola e participe na catequese paroquial. Depois, acompanhe de perto essa educação que está a receber fora do lar, conhecê-la e colaborar de casa apoiando e estimulando o filho. No lar, agir sem complexos, sem esconder ou disfarçar a própria fé. Isso é importante para os filhos.

O nosso comportamento transmite uma imagem de Deus.

Através de sua conduta, sem perceber, eles transmitem uma imagem de Deus aos seus filhos. A experiência de pais autoritários e controladores vai transmitindo a imagem de um deus legislador, juiz vigilante e punido. A experiência de pais despreocupados e permissivos, alheios aos filhos, vai transmitindo a sensação de um Deus indiferente para com tudo o que é nosso, um Deus como inexistente. Mas se os filhos vivem com os seus pais uma relação de confiança, comunicação e compreensão, a imagem de um Deus Pai vai se interiorizando de uma forma positiva e enriquecedora nas suas consciências.

Na educação na fé, o decisivo é o exemplo

Que os filhos possam encontrar na sua própria casa «modelos de identificação», que não lhes seja difícil saber como quem devem se comportar para viver a sua fé de forma saudável, gozada e responsável. Só a partir de uma vida coerente com a fé se pode falar com os filhos com autoridade. Este testemunho de vida cristã é particularmente importante no momento em que os filhos, já adolescentes ou jovens, vão encontrando no seu mundo outros modelos de identificação e outras chaves para entender e viver a vida.

Nem todas as atuações dos pais garantem uma educação saudável da fé.

Não basta, por exemplo, criar hábitos de qualquer maneira, repetir gestos mecanicamente, obrigar a certos comportamentos, impor a imitação... Só se interioriza o que se experimenta como bom. Aprende-se a acreditar em Deus quando, à nossa maneira, temos a experiência de um Deus bom. A fé aprende-se vivendo-a com alegria. É por isso que os pais que vivem a sua fé partilhando-a com os seus filhos são criados   numa fé saudável.

José António Pagola

 

Que Luz te atravessa no Natal?

 

São muitas as luzes que brilham nesta altura. As luzes baças das notícias tenebrosas. As luzes baças dos que nos fazem acreditar que vivemos para trabalhar, para não ter tempo para mais nada. As luzes do que não é essencial, do dinheiro que é rei em tudo e em todos. As luzes da rua que nos ofuscam os olhos, mas não nos aquecem o coração. As luzes do barulho dos que gritam lá fora, dos que discutem, dos que não se entendem.

 

São muitas as luzes que brilham nesta época…, mas poucas as que, efetivamente, merecem a nossa atenção e o nosso respeito. A dificuldade é, precisamente, saber que luzes precisamos de apagar, de não ver, de não considerar e que luzes precisamos de acender em cada dia, na nossa vida e no nosso coração.

 

Julgo que estes dias que antecedem o Natal podem servir-nos para refletir sobre a forma como queremos continuar a viver, sobre as luzes que queremos, de facto, ver. Sobre os assuntos e as pessoas que merecem, de facto, a nossa atenção.

 

O Menino que se prepara para nascer novamente veio mostrar-nos que não precisamos de muito. Que se pode optar pela pobreza e ser verdadeiramente feliz. Que se pode optar pela simplicidade dos gestos, das atitudes, do trato e fazer dos outros pessoas profundamente felizes, também.

 

No entanto, penso que será necessário que o Menino nasça todos os dias na nossa vida. Para que consigamos visualizar naquele Presépio todos aqueles que merecem a luz da nossa presença e da nossa atenção. É necessário ver no Presépio as famílias que precisam de ajuda, as famílias que não se perdoaram, as famílias que perderam entes queridos e se debatem com o luto, as famílias que estarão separadas, isoladas e confinadas (mais um ano), as famílias que precisam de tempo para curar feridas.

 

O Natal existe para que sejamos desafiados a ver melhor. A amar melhor. A ser melhores.

 

Enquanto perdemos tempo a perseguir as estrelas erradas, que nos permitamos recordar que a única estrela que vale a pena perseguir é aquela que nos leva ao Menino que nasceu por nós. Outra vez.

Marta Arrais

 

PENSAMENTO DA SEMANA

 

Deus vem visitar-nos para despertar em nós o carinho, a ternura, os sentimentos da nossa mais profunda humanidade.

Essa é a sua ideia… converter-nos, antes de tudo, à sensibilidade, à ternura, à doçura dos gestos, das palavras e das intenções.»

Rui Santiago cssr


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