nº 1025

 

Perguntei ao Advento...

Perguntei ao Advento que palavras diria a um coração abandonado e ferido… e ele falou-me de esperança. De uma esperança que resiste a todos os malfeitores e devolve à vida o encantamento e a liberdade.

Perguntei ao Advento por um remédio para os olhares cinzentos, por um elixir para os ritmos apressados e as vítimas do “sem-tempo”…e ele falou-me de uma espera.

Uma espera para não mutilar a vida e serenar as ousadias sem fecundidade e todas as pressas e incapacidades de silêncio.

Perguntei ao Advento por uma luz que incendiasse os corações mais frios, que tecesse nas fibras do ser profundo uma aurora luminosa… e ele mostrou-me o mistério da Luz.

Perguntei ao Advento onde encontraria um menino para deitar nas palhas de um presépio feliz… e ele sussurrou-me o nome de tantos inocentes que não viram a luz; de tantos olhares pequenos, escondidos em trincheiras e valas de guerra; o nome de tantos rostos vencidos pela procura de pão.

Perguntei ao Advento onde encontraria uma árvore de Natal para iluminar… e ele mostrou-me uma floresta de corações sem luz à espera do rosto da fé.

Perguntei ao Advento pelo sentido do sonho, pelo toque do vento no rosto dos sem-voz, pelas lágrimas derramadas em chão de desespero… e ele fez-me ouvir o choro de uma criança nascida em Belém.

Perguntei ao Advento como poderia ajudar a sustentar um mundo à beira do abismo e do sem-sentido… e ele falou-me da oração e de um coração atento no meio de tantos dramas.

Perguntei ao Advento se deveria perder-me no encanto das ruas iluminadas e descer às galerias das lojas onde se compram presentes e rivalidades… e ele falou-me da frugalidade de João que tecia no deserto palavras de sentido para oferecer a todos os buscadores.

Perguntei ao Advento se era possível viver sem todas as respostas, sem entender todos os mistérios da vida, sem a ousadia de pronunciar todos os porquês… e ele sugeriu-me contemplar o rosto de um justo sonhador, um carpinteiro silencioso chamado José.

Perguntei ao Advento por promessas escutadas, por horizontes ainda não vistos, por caminhos apenas começados… e ele falou-me de Maria, agraciada, visitada e grávida.

Perguntei ao Advento por mim… e ele deu-me um beijo com sabor a Infinito e um abraço com a ternura de um Filho.

P. Manuel Afonso de Sousa

 

MEDITAR

 

Se não levantares a cabeça, não verás o arco-íris

Recomeça do princípio o ano litúrgico, quando voltaremos a percorrer mais uma vez toda a vida de Jesus. O ano novo começa com o primeiro domingo do Advento, o primeiro dia de um caminho de quatro semanas que nos conduz ao Natal, que é o eixo em torno ao qual giram os anos e os séculos, o início da história nova, quando Deus entrou no rio da humanidade (Lucas 21,25-28.34-36).

Haverá sinais no Sol, na Lua e nas estrelas, e sobre a Terra angústia de povos em ânsia por aquilo que terá de acontecer. O Evangelho não antecipa o fim do mundo, narra o segredo do mundo: toma-nos pela mão e leva-nos para fora de portas, a olhar para o alto, a sentir o cosmo pulsar à nossa volta; chama-nos a abrir as janelas de casa para fazer entrar os grandes ventos da história, a sentirmo-nos parte viva de uma imensa vida. Que padece, que sofre, mas que nasce.

O mundo, muitas vezes, contorce-se como uma mulher que está prestes a dar à luz, diz Isaías, mas para produzir vida: está em contínua gestação, traz outro mundo no ventre. A Terra ressoa de um pranto interminável, mas o Evangelho pede-nos para não perdermos o coração, para não caminharmos de cabeça inclinada, de olhos baixos. Erguei-vos, levantai a cabeça, olhai para o alto e para a distância, a libertação está próxima.

Somos tentados a olhar apenas para as coisas imediatas, talvez para não tropeçarmos nos escombros que empecilham o terreno, mas se não levantarmos a cabeça nunca veremos nascer arcos-íris. Homens e mulheres de pé, de cabeça erguida, olhos no Sol: é assim que o discípulo vê o Evangelho. Gente de vida vertical.

Por isso a nossa tarefa é sentirmo-nos parte de todo a criação, envolvidos por uma energia maior que nós, ligados a uma história imensa, onde também as minhas pequenas vicissitudes são preciosas e poderosas, porque grávidas de Deus; «Cristo pode nascer mil vezes em Belém, mas se não nasce em mim, nasceu em vão» (Mestre Eckhart).

Jesus pede aos seus ligeireza e atenção, para ler a história como um ventre de nascimentos. Pede atenção aos pequenos detalhes da vida e àquilo que nos supera infinitamente: «Existirá sempre também aqui uma porção de céu que se poderá olhar, e suficiente espaço dentro de mim para poder juntar as mãos na oração» (Etty Hillesum).

Jesus pede um coração ligeiro e atento, para vigiar sobre os rebentos, sobre aquilo que desponta, sobre o novo que nasce, sobre os primeiros passos da paz, sobre a respiração da luz que se desenha no muro da noite ou da pandemia, sobre os primeiros vagidos da vida e dos seus rebentos.

O Evangelho entrega-nos esta vocação a uma dupla atenção: à vida e ao infinito. A vida está dentro do infinito, e o infinito está dentro da vida; o eterno brilha no instante, e o instante insinua-se no eterno. Num Advento sem fim.

 

Ermes Ronchi

 

Educar na Fé

"Quando falamos hoje de «educar na fé», o que queremos dizer? Concretamente, o objetivo é que os filhos entendam e vivam de uma forma responsável e coerente a sua adesão a Jesus Cristo, aprendendo a viver de forma saudável e positiva a partir do evangelho.

Mas hoje em dia a fé não pode ser vivida de qualquer maneira. As crianças necessitam aprender a ser crentes no meio de uma sociedade descristianizada. Isto exige viver uma fé personalizada, não pela tradição, mas fruto de uma decisão pessoal; uma fé vivida e experimentada, isto é, uma fé que se alimenta não de ideias e doutrinas, mas sim de uma experiência gratificante; uma fé não individualista, mas partilhada de alguma forma numa comunidade crente; uma fé centrada no essencial, que pode coexistir com dúvidas e interrogações; uma fé não envergonhada, mas comprometida e testemunhada no meio de uma sociedade indiferente.

Isto requer todo um estilo de educar hoje na fé, em que o importante é transmitir uma experiência mais do que de ideias e doutrinas; ensinar a viver valores cristãos mais do que a sujeição a algumas normas; desenvolver a responsabilidade pessoal em vez de impor costumes; introduzir na comunidade cristã em vez de desenvolver o individualismo religioso; cultivar a adesão confiada a Jesus em vez de resolver de forma abstrata problemas de fé.

Na educação da fé, o decisivo é o exemplo. Que os filhos possam encontrar na sua própria casa «modelos de identificação», que não lhes seja difícil saber como quem deveriam comportar-se para viver a sua fé de forma saudável, alegre e responsável."

José Antonio Pagola

 

PENSAMENTO DA SEMANA

 

Senhor, dá-nos a alegria de viver a nossa vida, não como um jogo de xadrez; onde tudo é calculado;
não como uma competição onde tudo é difícil;
não como um teorema que nos quebra a cabeça,
mas como uma festa sem fim onde o nosso encontro se renova,
como um baile, uma dança, entre os braços da tua graça, na música universal do teu amor.
Senhor, vem tirar-nos para a dança.

Madeleine Delbrê


 

INFORMAÇÕES

 

FESTA DE SANTA BÁRBARA - MANADAS

TRÍDUO - 1, 2 e 3 de dezembro - Eucaristia às 19 horas.

                     Dia 3 de dezembro - Confissões entre as 18h e as 19 horas

Visita do pároco aos doentes, sexta-feira, 3 de dezembro, a partir das 16h30.

 

Adoração do Santíssimo - sexta-feira, entre as 18 e as 19 horas.

 

FESTA dia 5 de dezembro - Eucaristia de festa às 15 horas seguida de Procissão.


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Nº 1076

Pensamento da Semana

 

PENSAMENTO DA SEMANA

 

NO PRINCÍPIO ERA O SILÊNCIO

A palavra emerge do silêncio e devolve-nos ao silêncio. O silêncio, por sua vez, é o ventre da palavra; o silêncio faz nascer a palavra.

A palavra é a presença do nosso coração, é a doação, o presente do nosso coração.

A verdadeira palavra que emerge do silêncio da eternidade é sempre uma palavra que salva, liberta e deixa em liberdade. A palavra que brota do silêncio nunca se impõe, nunca atropela, nunca oprime.

A Palavra vale o que vale o coração, é uma revelação do coração, vale o que vale o silêncio de quem a proclama. No coração, há tudo o que é necessário para viver.

José Fernández Moratiel, in Desde el silencio

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