Nº 1019

 

É tempo de nos darmos

 

Outubro é o mês missionário por excelência e este mês dei por mim a refletir sobre esta frase: é tempo de nos darmos. E não é que esta frase faz ainda mais sentido neste tempo de pandemia?

 Missão é partir. É sair da nossa zona de conforto e deixar tudo para trás: família, amigos, namorados, bens-materiais, tudo. É simplesmente partir rumo ao desconhecido. Missão é ir (cá ou lá) sem receios do que possa surgir ou acontecer. É simplesmente ir!

 Missão é um tempo especial. É tempo de cuidar, como um pai cuida de um filho, ou um filho cuida de um pai. É tempo de dar tudo o que se tem a quem tão pouco tem. É tempo de nos darmos!

 Podemos achar que não é assim tão fácil isto de nos darmos, mas é bem mais fácil do que parece. Basta sermos e darmos. Darmo-nos a nós mesmos, inteiramente e sem reservas, a todo e qualquer ser humano que se cruze no nosso caminho.

 Hoje, especialmente, é tempo de nos darmos. É tempo de sermos o pai, a mãe, o irmão, o amigo, de quem não o tem. É tempo de proteger, de cuidar, de nos entregarmos ao outro, sem medos, sem esperar nada em troca. E para isto, basta sermos. Sermos de coração para coração.

 Com isto, conseguimos perceber que o dar-se é mais importante que o dar. Enriquecemos e colorimos a vida do outro e nós vimos mais cheios: cheios de amor, de paz, de alegria.

 É tempo de nos darmos! É tempo de dar voz aos sorrisos contagiantes, às histórias de vida e sabedoria, aos olhares recheados de brilho, aos abraços virtuais. É tempo de cuidarmos, mesmo que à distância e com todas as medidas de segurança, daqueles que precisam de nós. Porque o vírus tirou-nos muita coisa, mas não nos tirou a vontade de ser e de dar.

 É tempo de nos darmos! Eu já o faço. E tu, alinhas nesta aventura?

 

Joana Carvalho

 

MEDITAR

São grandes, ainda que não o saibam

Nunca veem o seu nome nos jornais.

Ninguém lhes cede a passagem em nenhum lugar.

Não têm títulos nem contas correntes invejáveis,

mas são grandes.

Não possuem muitas riquezas, mas têm algo que não se pode comprar com dinheiro: bondade, capacidade de acolhimento, ternura e compaixão para com o necessitado.

Homens e mulheres comuns, pessoas vulgares que ninguém valoriza, mas que passam a vida empregando amor e afeição à sua volta. Pessoas simples e boas que só sabem viver dando uma mão e fazendo o bem.

Pessoas que não conhecem o orgulho nem têm grandes pretensões.

Homens e mulheres que se encontram no momento oportuno, quando se precisa da palavra de ânimo, do olhar cordial, da mão próxima.

Pais simples e bons que disponibilizam tempo para escutar os seus filhos pequenos, responder às suas infinitas perguntas, desfrutar com os seus jogos e a descobrir de novo junto deles o melhor da vida.

Mães incansáveis que enchem a casa de calor e alegria. Mulheres que não têm preço, pois sabem dar aos seus filhos o que mais necessitam para enfrentar-se confiadamente o seu futuro.

Esposos que vão amadurecendo o seu amor dia a dia, aprendendo a ceder, cuidando generosamente da felicidade do outro, perdoando-se mutuamente nos mil pequenos atritos da vida.

Estas pessoas desconhecidas são as que tornam o mundo mais habitável e a vida mais humana. Eles põem um ar limpo e respirável na nossa sociedade.

Deles, disse Jesus, que são grandes porque vivem ao serviço dos outros.

Eles próprios não o sabem, mas graças às suas vidas, abrem caminho nas nossas ruas e casas, a energia mais antiga e genuína: a energia do amor.

No deserto deste mundo, por vezes tão inóspito, onde só parece crescer a rivalidade e o confronto, eles são pequenos oásis em que brota a amizade, a confiança e a ajuda mútua.

Não se perdem em discursos e teorias. O seu plano é amar em silêncio e prestar ajuda a quem dela necessite.

É possível que ninguém nunca lhes agradeça nada.

Provavelmente não lhes farão grandes homenagens.

Mas estes homens e mulheres são grandes porque são humanos. Aí está a sua grandeza. 

Eles são os melhores seguidores de Jesus, pois vivem fazendo um mundo mais digno, como Ele. Sem o saber, estão a abrir caminhos ao reino de Deus.

José Antonio Pagola

 

Conto: Quando morrer é desistir de aprender

Era uma vez um rapaz muito preguiçoso e que só tinha vontade de brincar e divertir-se com os amigos. Não gostava mesmo nada de andar na escola e, por isso, não se esforçava nos estudos. Os pais não sabiam ler nem escrever, mas faziam muitos sacrifícios para que o filho pudesse ter um futuro melhor do que eles e sabiam bem que na educação residia a chave para uma vida com mais probabilidades de sucesso.

Como o rapaz passava a vida a faltar às aulas, a fazer asneiras e não ajudava nada nem em casa nem nas terras dos pais, eles pediram a um ancião que vivia na montanha e tinha fama de ser a pessoa mais sábia da região que acolhesse em sua casa o rapaz durante uns dias para o ajudar a olhar a vida de outra forma.

Ao chegar à casa do ancião, o rapaz bateu com o nariz na porta pois ele não estava em casa e isso deixou-o irritado. Quando o ancião chegou, apercebendo-se que ele estava chateado, perguntou-lhe se não lera o papel que deixara na porta e que dizia que tinha ido à horta e que demoraria uma meia hora, mas logo se apercebeu de que ele não sabia ler. Então, disse-lhe pacientemente:

- Olha, não há ninguém que seja tão grande e inteligente que não possa aprender alguma coisa, nem tão pequeno e ignorante que também não possa ensinar alguma coisa a alguém. Se não sabemos, devemos aprender, mas se já sabemos, devemos ensinar.

No dia seguinte, o ancião disse ao rapaz que fosse dar um passeio pelas redondezas. Ele foi e, ao ver um rio, decidiu ir nadar um pouco, mas viu uma cobra e teve medo. Quis escrever um aviso para que ninguém fosse para ali pois era perigoso, mas não sabia escrever. Quando contou o sucedido ao ancião, ele lamentou que tenha desperdiçado a oportunidade de aprender a escrever na escola e disse:

- Vês, estudar é muito importante. As pessoas que acham que sabem tudo, privam-se de um dos maiores prazeres da vida: aprender. É impossível alguém aprender aquilo que ele acha que já sabe.

Então, o rapaz pediu ao ancião que o ensinasse a ler e a escrever pois era a única forma de conhecer o mundo e a vida e a maneira de aprender a relacionar-se com os outros e a dar sentido às coisas. Então, o sábio aceitou, sorriu e disse ao rapaz:

- Muito bem. Estou orgulhoso de ti. Estudar é como se estivéssemos a polir uma pedra preciosa que somos nós mesmos. Ao cultivar o nosso espírito, estamos, na verdade, a purificá-lo. Estudar é investir tempo naquilo que é verdadeiramente importante. Para adquirir conhecimento, é preciso estudar, mas para alcançar a sabedoria, é necessário observar. Sabes, há duas maneiras de estudar as borboletas: ou perseguimo-las com redes e elas assustam-se e fogem ou sentamo-nos a observá-las nos seus voos joviais, enquanto dançam e pousam nas flores. Por isso, querer aprender é dispor-se a olhar, escutar e refletir a realidade.

O rapaz ficou na casa do ancião durante vários meses, aprendeu a ler, a escrever, a dialogar e a pensar a vida e, quando chegou a casa dos pais, disse-lhes:

- Como estava enganado em relação à importância do estudo. A escola da vida é importante, mas sem estudar a vida na escola não iremos muito longe.  O saber e o conhecimento não ocupam lugar e são das coisas mais valiosas do mundo.

O rapaz tornou-se o orgulho dos pais e do ancião pois foi a primeira pessoa de toda a região a ter um curso superior e a ser professor na melhor universidade do país.

Paulo Costa

 

PENSAMENTO DA SEMANA

 

A justiça, sem amor, faz-te duro 
A inteligência, sem amor, faz-te cruel. 
A amabilidade, sem amor, faz-te hipócrita. 
A fé, sem amor, faz-te fanático. 
O dever, sem amor, faz-te mal-humorado. 
A cultura, sem amor, faz-te distante. 
A ordem, sem amor, faz-te complicado. 
O apostolado, sem amor, faz-te estranho. 
A amizade, sem amor, faz-te interessado. 
O possuir, sem amor, faz-te avarento. 
A responsabilidade, sem amor, faz-te implacável. 
A ambição, sem amor, faz-te injusto


José Miguel

 


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Pensamento da Semana

 

PENSAMENTO DA SEMANA

 

Senhor, dá-nos a alegria de viver a nossa vida, não como um jogo de xadrez; onde tudo é calculado;
não como uma competição onde tudo é difícil;
não como um teorema que nos quebra a cabeça,
mas como uma festa sem fim onde o nosso encontro se renova,
como um baile, uma dança, entre os braços da tua graça, na música universal do teu amor.
Senhor, vem tirar-nos para a dança.

Madeleine Delbrê

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