Nº 1012

 

Sem amor, o teu coração é um deserto

É no coração que se sente a felicidade e é aí que mais dói a solidão. Uma ferida sempre aberta que sente tudo com grande intensidade, chegando a fazer-nos chorar de alegria, de tristeza e também, muitas vezes, sem porquê. Quando amamos, o espaço e o tempo sentem-se como coisas ainda mais concretas do que as pedras.

É possível amarmos sem que quem amamos saiba do nosso amor. Talvez até seja verdade que só ama quem é amado, mesmo não sabendo quem o ama nem quanto o assim quer feliz.

Sem amor, ninguém é feliz, mas por causa dele, cada coração tem em si o céu e o inferno. Talvez a nossa vida seja uma história de amor do primeiro ao último dia, passando por todo o tipo de paisagens. Os tempos aproximam-nos ou afastam-nos, mas nada podem perante o que nos une aos que amamos.

É o amor que nutrimos por alguém que o faz sempre presente na nossa vida. Assim também, cada um de nós habita no coração de quem nos ama, mesmo quando nos julgamos sós e abandonados.

Há corações doentes, ou por não se julgarem capazes de abraçar a dor de amar, ou por não compreenderem como é possível amar sem se sentir amado… A existência plena implica o sofrimento inevitável que decorre de sermos vida e vida em abundância.

Quem não ama, não vive. Não há maior infelicidade do que a de quem não ama.

Ser só é não ser.

O amor é uma árvore com duas raízes, uma no coração de quem ama e outra no de quem é amado. E assim é, mesmo quando quem é amado se julga sem ninguém que lhe queira o maior bem.

Ama, deixa que a vontade que a vida tem de si mesma faça brotar em ti as mais belas flores e frutos. Vida em ti, vida para os outros através de ti.

José Luís Nunes Martins

 

MEDITAR

 

INDIFERÊNCIA PROGRESSIVA

A crise religiosa está gradualmente a inclinar-se para a indiferença. Normalmente, não se pode falar apropriadamente de ateísmo, nem mesmo de agnosticismo. O que melhor define a posição de muitos é uma indiferença religiosa onde não se fazem mais perguntas, dúvidas ou crises.

Não é fácil descrever essa indiferença. A primeira coisa que se nota é a ausência de preocupação religiosa. Deus não importa. A pessoa vive despreocupada, sem nostalgia ou qualquer horizonte religioso. Não é uma ideologia. Em vez disso, é uma "atmosfera envolvente" onde o relacionamento com Deus é diluído.

Existem diferentes tipos de indiferença. Alguns estão a viver um afastamento progressivo de momento. São pessoas que se distanciam cada vez mais da fé, cortando os laços com a religião, distanciando-se da prática religiosa; pouco a pouco Deus vai-se perdendo das suas consciências. Outros vivem simplesmente absorvidos pelas coisas do dia a dia; eles nunca se interessaram muito por Deus; provavelmente receberam uma educação religiosa fraca e deficiente; hoje vivem esquecidos de tudo.

Em alguns, a indiferença é o resultado de um conflito religioso às vezes vivido em segredo; tiveram experiências ou medos frustrantes; não guardam boas lembranças do que viveram quando crianças ou adolescentes. Eles não querem ouvir falar de Deus, porque isso os magoa; eles defendem-se esquecendo-se disso.

A indiferença dos outros é antes o resultado de várias circunstâncias. Eles deixaram a pequena cidade e hoje vivem de forma diferente  num ambiente urbano; casaram-se com alguém que não é muito sensível à religião e mudaram os seus costumes; separaram-se do primeiro cônjuge e vivem em situação de casal não "abençoado" pela Igreja. Não é que essas pessoas tenham tomado a decisão de abandonar Deus, mas na verdade a sua vida está a afastar- -se de  Deus.

Existe ainda outro tipo de desrespeito disfarçado pela piedade religiosa. É a indiferença de quem se acostumou a viver a religião como uma "prática externa" ou uma "tradição rotineira". Todos nós temos de ouvir a reclamação de Deus. Jesus lembra-nos disso com palavras tiradas do profeta Isaías: "Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim."

 

 José Antonio Pagola

 

No final, o que fica?

Aqueles abraços. Que te envolvem a alma. Que te serenam o coração. Que te embalam os sentidos. Que são casa. Como se todo o teu lugar fosse um abraço. Sabes? No final, o que fica são esses abraços.

Aqueles sorrisos. Que te convidam a sorrir. Que te tocam por dentro. Que te mudam o dia, a vida, o coração. Que são amor. Como se tudo o que te salva fosse um sorriso. Sabes? No final, o que fica são esses sorrisos.

Aquelas mãos. Que se dão como quem dá o coração. Que te seguram. Que te abraçam bem. Que são cura. Como se tudo o que precisas fosse uma mão. Sabes? No final, o que fica são essas mãos.

Aqueles olhares. Que te olham de verdade. Que te percorrem a alma e te vêem o coração. Onde te perdes e onde te encontras. Que são eternidade. Como se todo o teu para sempre fosse um olhar. Sabes? No final, o que fica são esses olhares.

Aquelas pessoas. Que são abraço. Que são sorriso. Que são mão. Que são olhar. Que te são. Como se tudo o que te é tanto fossem as tuas pessoas. Sabes? No final, o que fica são essas pessoas.

O amor. Sempre o amor. Como se tudo o que importa fosse o amor. E é. Sabes? No final, o que fica é  (só)  o amor.

 

Daniela Barreira

 

PENSAMENTO DA SEMANA

 

É preciso que descubra a força do amor que encontra a sua origem em Deus.

É preciso que descubra o amor infinito de Deus por todos os homens,

e que depositem n´Ele toda a sua confiança.
É preciso que expurgue a religião de todos e qualquer elemento de hipocrisia,

é preciso que viva o essencial da mensagem de Jesus: a abertura ao Espírito Santo,

a compaixão pelos fracos e aflitos, pelos inimigos,

a renúncia a todo o julgamento ou condenação dos outros.

 

Jean Vanier,


 

INFORMAÇÕES

 

 

FESTA DE SANTO CRISTO

CALDEIRA

De 30 de agosto a 4 de setembro - Missa às 20h antecedida de confissões.

 

O dia 2 de setembro será dedicado a Nossa Senhora com missa às 20 horas seguida de procissão de velas.

 

Dia 4 de setembro: missa vespertina às 20h00.

 

Dia 5 de setembro:    09h00 - Eucaristia;
                                   11h00 - Eucaristia de Festa seguida de  arrematações e procissão.


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Pensamento da Semana

 

PENSAMENTO DA SEMANA

 «Deus espera por nós em tudo o que encontramos. 

Não se trata de reentrar na esfera íntima e esquecer tudo o resto. 

O desafio é estar em si e experimentar com todos os sentidos a realidade daquilo e daquele que vem.

O desafio é atirar-se para os braços da vida e ouvir aí o bater do coração de Deus. 

Sem fugas. Sem idealizações. Os braços da vida como ela é.»

D. José Tolentino Mendonça

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