Nº 1004

 

As férias ensinam a olhar, perguntar, pensar

Tempo de férias: tempo para olhar, ou melhor, para contemplar. Sim, porque habitualmente olhamos as pessoas ou as coisas, mas não as vemos. Não temos tempo para deter o olhar, habituado a responder ao estímulo de alguma coisa que o atrai de maneira repentina: um semáforo, um placar publicitário…

Ou então olhamos aquilo que nos é dito para olhar: os nossos olhos são atraídos por aquilo que foi pensado para nos seduzir, para chamar a nossa atenção, para acender o nosso desejo. Não é por acaso que, muitas vezes, constatamos «não vi, não me dei conta», só porque uma coisa não se impõe ao nosso olhar.

As férias são um tempo propício para exercitar o olhar: sobre uma praia ter os olhos abertos para o céu; deter-se a ver o mar que está sempre a mudar de cor e de forma; ver como uma formiga transporta uma migalha de pão; observar como é feita uma flor…

É assim que se aprende a “ver com o coração”, como aconselhava o Principezinho. Então, ao abrir os olhos do nosso coração, podemos dedicar-nos a contemplar, a ver em grande, e, por isso, a sentir em grande. Assim se começa a ver verdadeiramente aquilo que existe e vive ao nosso lado, ainda que muitas vezes não nos apercebamos; treinamo-nos a admirar e a acolher o inesperado, o que é desconhecido e diferente daquilo que pensamos.

As férias são também um tempo propício para exercitar-se a refletir sobre a própria vida. Também esta é uma operação não espontânea, árdua, mas é fundamental escutar as perguntas que nos habitam. Perguntas que não podem ser eludidas a não ser removendo-as, ou “distraindo-nos”, inebriando-nos de ativismo. Estes dias “vazios” são, antes, a ocasião para nos deixarmos habitar, com calma, pelas perguntas cruciais: como está a minha vida? Aonde cheguei? O que me falta?...

Schopenhauer anotava que «o homem é um animal metafísico», habilitado a colocar-se perguntas que vão para além do visível. O que quer dizer viver e morrer? O que significa amar verdadeiramente? O amor pode acabar? O ser humano é um animal capaz de colocar-se estas interrogações, porque quer interpretar a sua existência, e dela quer dar-se e dar razões. Não há respostas claras e certas? Não é por isso que tem de se interditar de escutar estas perguntas, pelo contrário!

É preciso, então, encontrar tempo para ficar a sós, no silêncio, e demorar-se nas perguntas que nos habitam. Se nunca fizermos este “trabalho”, arriscamo-nos a viver à superfície, sem estarmos conscientes, sem conseguir ler a nossa vida e a avaliá-la nas suas expetativas e nos seus fracassos.

Nas férias, dêmos, por isso, tempo à reflexão, ao pensar. E a quem nos pergunta «o que estás a fazer?», respondamos: «Olho e penso». Rara mas extraordinária resposta!

Enzo Bianchi (Adaptado)

 

MEDITAR

 

AQUELE QUE É SÁBIO E FAZ MILAGRES

Ele não tinha nenhum poder cultural como os escribas. Ele não era um intelectual educado. Ele também não possuía o sagrado poder dos sacerdotes do templo. Ele não era membro de uma família honrada nem pertencia às elites urbanas de Séforis ou Tiberíades. Jesus era um carpinteiro duma aldeia desconhecida na Baixa Galileia.

Ele não tinha estudado em nenhuma escola rabínica. Ele não estava no serviço de explicar a lei. Ele não estava preocupado com discussões doutrinárias. Ele nunca se interessou pelos rituais do templo. As pessoas viam-no como um professor que ensinava a entender e viver a vida de maneira diferente.

Segundo Marcos, quando Jesus chega a Nazaré acompanhado dos seus discípulos, os seus vizinhos são surpreendidos por duas coisas: a sabedoria do seu coração e o poder curativo das suas mãos. Foi o que mais atraiu as pessoas. Jesus não é um pensador que explica uma doutrina, mas um homem sábio que comunica a Sua experiência de Deus e ensina como viver sob o sinal do amor. Ele não é um líder autoritário que impõe o Seu poder, mas um homem milagroso que cura a vida e alivia o sofrimento.

No entanto, o povo de Nazaré não O aceita. Eles neutralizam a sua presença com todos os tipos de perguntas, suspeitas e receios. Eles não se permitem serem ensinados por Ele nem se abrem ao Seu poder de cura. Jesus não pode aproximá-los de Deus ou curá-los a todos, como ele gostaria.

Jesus não pode ser entendido de fora. É preciso entrar em contacto com Ele. Que Ele nos ensine coisas decisivas como a alegria de viver, a compaixão ou a vontade de criar um mundo mais justo. Ajuda-nos a viver na presença amiga e próxima de Deus. Quando alguém se aproxima de Jesus, não é atraído por uma doutrina, mas convidado a viver de uma nova maneira.

Por outro lado, para experimentar o Seu poder salvador é necessário deixar-se curar por Ele: recuperar aos poucos a liberdade interior, libertar-nos dos medos que nos paralisam, ousar sair da mediocridade. Jesus continua hoje “impondo as suas mãos”. Somente aqueles que acreditam nisso são curados.

 José António Pagola

 

A FABULA DO ESTÚPIDO...

 

Dizem que, numa cidade do interior, um grupo de pessoas se divertia com o imbecil da cidade, um pobre coitado, de pouca inteligência, que vivia fazendo pequenas tarefas e esmolas.

Todos os dias, alguns homens chamavam o idiota para o bar onde se encontravam e se ofereciam para escolher entre duas moedas: uma grande de menor valor e a outra menor, valendo cinco vezes mais.

Ele sempre levava o maior e o menos valioso, o que era uma risada para todos.

Um dia, alguém que assistia ao divertimento do grupo com o homem inocente, chamou-o ao lado e perguntou se ele ainda não tinha percebido que a moeda maior valia menos e ele respondeu: Eu sei, eu não sou tão estúpido. Ela vale cinco vezes menos, mas no dia em que eu escolher o outra, o jogo termina e não vou mais ganhar a minha moeda.

Esta história pode terminar aqui, como uma piada simples, mas várias conclusões podem ser tiradas:

A primeira: quem parece um idiota, nem sempre é assim.

A segunda: Quais foram os verdadeiros idiotas da história?

O terceiro: a ambição excessiva pode acabar com a tua fonte de rendimento.

Mas a conclusão mais interessante é:

1.- Podemos ficar bem, mesmo quando os outros não têm uma boa opinião sobre nós mesmos.

2.- Portanto, o que importa não é o que eles pensam de nós, mas o que se pensa de si mesmo.

3.- O verdadeiro homem inteligente é aquele que parece ser um idiota em frente a um idiota que parece ser inteligente…

 

Augusto Cury

 

PENSAMENTO DA SEMANA

 A criança e o sábio

 

Um dia, uma criança chegou diante de um pensador e perguntou-lhe: "Que tamanho tem o universo? " Acariciando a cabeça da criança, ele olhou para o infinito e respondeu: "O Universo tem o tamanho do teu mundo."
Perturbada, ela indagou novamente: "Que tamanho tem o meu mundo?" O pensador respondeu: "Tem o tamanho dos teus sonhos."


 

 INFORMAÇÕES

FESTA DE NOSSA SENHORA DO CARMO NA FAJÃ DOS VIMES

No dia 7 de julho tem início o Novenário de Nossa Senhora do Carmo na Fajã dos Vimes. A Eucaristia será todos os dias às 19 horas.

A Missa de Festa do dia 16 de julho, virá no próximo Boletim.

 

ASSOCIAÇÃO DOS BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS - CALHETA

A Direção da Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários da Calheta, após ter terminado o prazo de entrega do IRS 2020, vem por este meio expressar o seu agradecimento, a todos aqueles que colaboraram destinando a sua consignação fiscal do seu IRS a nossa Instituição.

A Direção agradece toda a colaboração prestada. 


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nº 1015

Pensamento da Semana

 

PENSAMENTO DA SEMANA

 

Educar é produzir um homem feliz e sábio. Educar é produzir um homem que ama o espetáculo da vida. Desse amor, emana a fonte da inteligência. Educar é produzir uma sinfonia em que rimam dois mundos: o das ideias e o das emoções.

 

Há dois tipos de educação: a que informa e a que forma. A educação que informa ensina o homem a conhecer o mundo em que habita; a educação que forma vai além, ensina-o também a conhecer o mundo que ele é.

Augusto Cury

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