Nº 993

 A nossa oração, pão para todos

«Que futuro? Deves esperar pacientemente, na oração e na paz… Aconselho-te a não pensar demasiadamente no facto de seres feliz ou não… Não temos qualquer direito de refugiar-nos numa felicidade que grande parte do mundo não pode compartilhar.» Quem é o autor desta carta e a quem a endereçou diremos depois. Por agora, façamos nós tesouro dela. São dias, estes, em que o futuro nos parece nublado, incerto; dias em que nos sentimos confusos, desorientados.

Todavia, quem tem confiança no Evangelho sabe que Jesus nunca nos enganou, mesmo quando se torna difícil aderir aos seus convites, aos seus pedidos, aos seus mandamentos. Tudo está nas mãos do bom Deus. Mão confiáveis mais do que as nossas, mãos amorosas para lá de tudo o que se possa dizer. Mãos nodosas e ternas. «Só em Deus repousa a minha alma.»

Um futuro, no entanto, a esperar «pacientemente». Nem sempre a virtude da paciência gozou de boa fama, sobretudo no nosso tempo. Desde que o mundo nos chegou a casa, e até ao bolso, muitos convenceram-se de que podem passar sem ela e deram-lhe carta de despedimento. Hoje, isolados, por dever e por amor, estamos a redescobri-la.

E damo-nos conta de que nos presta um excelente serviço, coloca-nos em contacto com aquela parte de nós que não grita, não aparece, não recrimina. Faz-nos descer às sinuosidades do nosso ser mais profundo, onde somos mais verdadeiros, a mentira cala e o mistério é grande. Faz-nos redescobrir a importância da sua maior amiga, a prudência, também ela demasiadas vezes maltratada. A paciência cristã, no entanto, não é mera resignação.

A fé alimenta-se de oração; não foi por acaso que Jesus nos aconselhou a orar sempre. Gerações de cristãos, monges, consagrados, santos, rezaram tanto, que a nós, não poucas vezes, nos pareceram exagerados. Orar, sim, mas quando me apetece, quando sinto necessidade, quando o tempo, a arte, a música, conseguem emocionar-me.

O tempo – pensávamos – é pouco, e deve ser usado bem. Pelo que, entre as muitas responsabilidades diárias, chegados à noite, era sempre a oração, a meditação, a reflexão que se adiavam. Rezar seriamente é árduo? Sim. Tudo aquilo que vale a pena, custa. Os resultados, porém, não tardam a chegar. Questão de amor. Quem ama sente a necessidade de permanecer com a pessoa amada.

«Permanecei no meu amor», pede-nos Jesus. Nestas horas difíceis e dolorosas estamos a redescobrir a alegria de permanecermos juntos. Como, infelizmente, não poucas vezes acontece, damo-nos conta de quanto éramos ricos só depois de termos caído na pobreza. Pecado. Muitas vezes fomos ingratos com o ar, a terra, a água, o pão, os amigos. Era normal que existissem. Mas o que quer dizer “normal”? Nada é normal.

Maurizio Patriciello

 

MEDITAR

COMPANHEIRO DE ESTRADA

Existem muitas maneiras de atrapalhar a verdadeira fé. Existe a atitude do "fanático", que se apega a um conjunto de crenças sem nunca se permitir ser questionado por Deus e sem nunca ouvir quem possa questionar a sua posição. É uma fé fechada, onde falta a aceitação e a escuta do Mistério, e onde há muita arrogância. Esta fé não livra da rigidez mental nem ajuda a crescer, porque não se alimenta do Deus verdadeiro.

Há também a posição do "cético", que não busca e nem se questiona, pois não espera mais nada de Deus, nem da vida, nem de si mesmo. A sua fé é triste e enfadonha. Falta dinamismo de confiança. Nada vale a pena. Tudo se resume a continuar a viver.

Há também a posição do "indiferente", que já não se interessa pelo sentido da vida nem pelo mistério da morte. A sua vida é o pragmatismo. Ele está interessado apenas no lhe que pode dar segurança, dinheiro ou bem-estar. Deus diz-lhe cada vez menos. Na verdade, de que adianta acreditar n’Ele?

Há também aquele que se sente o “dono da fé”, como se esta consistisse num “capital” recebido no batismo e que está ali, não se sabe bem onde, sem ter que se preocupar com mais nada. Esta fé não é fonte de vida, mas sim "herança" ou "costume" recebido de outros. Pode-se livrar dele sem quase errar.

Existe também a “fé infantil” de quem não acredita em Deus, mas de quem fala d’Ele. Nunca tiveram a experiência de dialogar sinceramente com Deus, de procurar o Seu rosto ou de se abandonar ao Seu mistério. Basta que acreditem na hierarquia ou confiem "nos que sabem dessas coisas". A sua fé não é uma experiência pessoal. Eles falam de Deus "por ouvir dizer".

Em todas estas atitudes falta o mais essencial da fé cristã: o encontro pessoal com Cristo. A experiência de caminhar pela vida acompanhada por alguém vivo com quem podemos contar e em quem podemos confiar. Só Ele nos pode fazer viver, amar e ter esperança apesar de nossos erros, falhas e pecados.

De acordo com o relato do Evangelho, os discípulos de Emaús contaram "o que lhes aconteceu na estrada". Eles caminhavam tristes e sem esperança, mas algo novo despertou neles quando se encontraram com Cristo próximo e cheio de vida. A verdadeira fé nasce sempre de um encontro pessoal com Jesus como "companheiro de caminho".

 José António Pagola

 

Quatro horas por dia

Um jornalista perguntou ao Dalai Lama quanto tempo uma pessoa empenhada no trabalho de escritório ou de oficina deveria passar, diariamente, em oração. Ele pensou um pouco antes de responder, depois ergueu o olhar para o seu interlocutor, e serenamente, mas com firmeza, respondeu: «Penso que quatro horas por dia podem bastar!».

Leio este aparenta “florinha”, que no entanto é declarada verdadeira, num conhecido semanário norte-americano. Poder-se-ia desde logo objetar que o Dalai Lama, como oriental que é, não conhece a complexidade da vida contemporânea ocidental, as horas de trabalho requeridas, a multiplicação dos deveres e dos compromissos.

Em tudo isto há verdade: os nossos ritmos existenciais são diferentes dos de um indiano ou de um tibetano. Mas atenção para não exagerar nesta desmitificação, porque temos a prova provadas das palavras deste homem sábio, devoto e justo numa outra figura que, apesar de trabalhar na Índia, era cristã e ocidental, Santa Teresa de Calcutá.

Cada dia passava horas em oração, e no entanto fez pelos últimos da Terra muito mais do que inteiras organizações filantrópicas ou frenéticos ativistas sociais. Experimentemos, então, refletir com seriedade naquelas quatro horas, que, à primeira vista, nos parecem um gracejo.

Todos aqueles que testemunharam de maneira eficaz e operosa o amor, a doação de si e a sua fé, criando estruturas que duraram até aos nossos dias (pensemos, por exemplo, em S. João de Deus ou em S. João Bosco), dedicaram vastos espaços a Deus nos seus dias. E nós acreditamos que fazemos muito ao retalhar uns poucos minutos de manhã ou à noite para uma veloz oraçãozinha?

P. (Card.) Gianfranco Ravasi

 

PENSAMENTO DA SEMANA

 

«As feridas que trazemos em nós, fazendo-nos sofrer, a nós e àqueles que connosco se relacionam, contêm em si um potencial imenso de vida quando, precisamente, a partir daí, nos abrimos à infinita ternura de Deus...

Quando entramos na nossa sombra e aí nos experimentamos amados tal como somos, o nosso coração convertido pela misericórdia dilata-se para além de todas as fronteiras...»

Carlos Maria Antunes, in Atravessar a própria solidão


 

 INFORMAÇÕES

 

Reunião de Catequistas na Ribeira Seca

Na próxima quarta-feira, dia 21 de abril, pelas 18h30 haverá reunião de catequistas no Passal da Ribeira Seca.

 

COMISSÃO DA IGREJA DA RIBEIRA SECA

A Comissão da Igreja da Ribeira Seca informa que no próximo dia 23 de maio, Domingo de Pentecostes, pretende fazer uma venda de Sopas do Espírito Santo a fim de angariar fundos para as obras de restauro e beneficiação da Igreja. As reservas deverão ser feitas até ao dia 16 de maio, através dos números: 960 207 012 ou 911 048 434. Poderão também encomendar através de mensagem privada no Facebook da Paróquia de São Tiago. Desde já agradecemos e apelamos à generosidade de todos!


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Agenda Pastoral

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Pensamento da Semana

 

PENSAMENTO DA SEMANA

 

Educar é produzir um homem feliz e sábio. Educar é produzir um homem que ama o espetáculo da vida. Desse amor, emana a fonte da inteligência. Educar é produzir uma sinfonia em que rimam dois mundos: o das ideias e o das emoções.

 

Há dois tipos de educação: a que informa e a que forma. A educação que informa ensina o homem a conhecer o mundo em que habita; a educação que forma vai além, ensina-o também a conhecer o mundo que ele é.

Augusto Cury

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