Nº 990

 

Uma Semana para estar junto das feridas de Jesus

A entrada de Jesus em Jerusalém (Marcos 14,1-15,47) não é apenas um acontecimento histórico, mas uma parábola em ação. Mais: uma armadilha de amor para que a cidade o acolha, para que eu o acolha.

Deus corteja a sua cidade (a fé é a minha resposta ao cortejamento de Deus): vem como um rei mendicante, tão pobre que nem sequer possui o mais pobre dos animais de carga). Um Poderoso humilde, que não se impõe, antes propõe-se; como um amante desarmado.

Bendito Aquele que vem. É extraordinário poder dizer: Deus vem. Nesta região, por estas estradas, na minha casa que sabe a pão e abraços, Deus continua a vir, viandante dos milénios e dos corações. Aproxima-se, está à porta.

A Semana Santa desdobra, um a um, os dias do nosso destino; vêm ao nosso encontro, lentamente, cada qual generoso de sinais, de símbolos, de luz. Nesta semana, o ritmo do ano litúrgico torna-se mais vagaroso, podemos seguir Jesus dia após dia, quase hora após hora.

A coisa mais santa que podemos fazer é estar com Ele: «Homens e mulheres vão a Deus no seu sofrimento, choram por ajuda, pedem pão e conforto. Assim fazem todos, todos. Os cristãos, por sua vez, estão próximos a Deus no seu sofrimento» (Bonhoeffer).

Os cristãos estão próximos de um Deus que na cruz já não é “o todo-poderoso” dos nossos desejos infantis, o salva-vidas dos nossos naufrágios, mas é o Todo-abraçante, o Todo-amante que naufraga na tempestade perfeita do amor por nós.

São dias para estar próximo de Deus no seu sofrimento: a paixão de Cristo continua a consumar-se, em direto, nas infinitas cruzes do mundo, onde nós podemos estar junto aos crucificados da História, deixar-nos ferir pelas suas feridas, experimentar a dor pela dor da terra, de Deus, do ser humano, padecer e levar conforto.

A cruz desorienta, mas se persisto a ficar junto a ela, como as mulheres, o olhá-la como o centurião, perito em morte, decerto não compreenderei tudo, mas uma coisa sim: que ali, naquela morte, está o primeiro vagido de um mundo novo.

O que viu o centurião para pronunciar, ele que era pagão, o primeiro acabado ato de fé cristão, «era o Filho de Deus»? Viu um Deus que ama ao ponto de morrer.

A fé cristã apoia-se na coisa mais bela do mundo: um ato de amor perfeito. Viu a subversão do mundo; Deus que dá a vida inclusive a quem lhe dá a morte; Aquele para quem o poder é servir em vez de se servir; vencer a violência não com mais violência, mas tomando-a sobre si.

A cruz é a imagem mais pura, mais alta, mais bela que Deus deu de si mesmo. São os dias que o revelam: «Para saber quem é Deus, só tenho de me ajoelhar aos pés da Cruz» (Karl Rahner).

Ermes Ronchi

 

MEDITAR

Palmas e oliveiras: O Domingo de Ramos na Bíblia, natureza e espiritualidade

«A multidão, numerosíssima, estendia os seus mantos no caminho, enquanto outros cortavam ramos das árvores e estendiam-nos no caminho»: a liturgia do Domingo de Ramos, na esteira dos Evangelhos, está associada a duas árvores que têm um valor simbólico na Bíblia e na tradição cristã.

A entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, segundo o Evangelho de Mateus (cf. 21,8), introduz um sinal particular de festa, os ramos verdejantes («folhas cortadas nos campos», de acordo com Marcos (cf. 11,8), que no Evangelho de João são especificadas como «ramos de palma» (cf. 12,13).

Sobre esta cena podemos sobrepor a dos eleitos do livro do Apocalipse: «Uma multidão imensa, que ninguém podia contar, de toda a nação, tribo, povo e língua …, revestidos em vestes cândidas, tinham ramos de palma nas suas mãos» (cf. 7,9).

É na sequência destas representações que a liturgia de Ramos propõe a procissão das palmas, às quais se associam as oliveiras, porque a entrada de Jesus parte de Betfagé, uma vila nas encostas do monte das Oliveiras (cf. 21,1).

Na contemplação bíblica da natureza encontramos estas duas árvores que revestem um valor emblemático nas páginas sagradas e na tradição judaica e cristã (a festa das Cabanas, por exemplo, compreende um, ritual em que se agitam palmas, em sinal de alegria).

Em hebraico, “palma” é “tamar”, que se torna também um nome de pessoa (como a infeliz irmã de Absalão, filho de David, conforme 2 Samuel 13), e de definição de localização (Jericó era dita “ a cidade das palmas”).

Esta planta, com a harmonia das curvas dos ramos e do seu penacho torna-se símbolo da beleza, como se diz da mulher no Cântico dos Cânticos: «O teu porte é semelhante à palmeira e os teus seios parecem cachos» (cf. 7,8), com evidente alusão às tâmaras.

Para o salmista, é o justo que floresce com palmeira …, mesmo na velhice dará frutos, e será verde e viçoso» (cf. Sl 92,13-15). Em grego, “palma” é “phoinix”, com a referência ao pássaro da imortalidade, a fénix, e à Fenícia, que nas suas moedas cunhava muitas vezes a imagem de uma palmeira.

À oliveira, por seu lado, seria necessário dedicar um longo tratado, porque é, com as videiras e o figo, um vegetal mediterrânico muito querido à Bíblia, sobretudo pelo seu fruto, que produz o azeite.

No Novo Testamento, “eláia”, “oliveira” em grego, ressoa três vezes como “monte das Oliveiras”, e 11 enquanto “elaiôn”, “óleo”. Recordamos, no entanto, que já nas primeiras páginas da Bíblia comparece um raminho de oliveira levado por uma pomba a Noé, como sinal de renascimento da vida após a tragédia do dilúvio (cf. Génesis 8,11). Também Israel, ressurgido como povo abençoado por Deus, «terá a beleza da oliveira» (Oseias 14,7).

Entre os muitos passos bíblicos colocados idealmente à sombra desta árvore evocamos dois. O primeiro é luminoso, e é a deliciosa quadra do Salmo 128, com o pai sentado à mesa rodeado da mulher e dos seus filhos, «semelhantes rebentos de oliveira» (v. 3).

O segundo é, ao contrário, dramático, e decorre no Getsémani, de todos conhecido; o termo significa “lagar para as oliveiras”, colocado no interior de um horto de oliveiras onde Jesus sofre e reza na última noite da sua vida terrena.

Card. Gianfranco Ravasi

 

«ERA UMA VEZ O AMOR...»

«Salvou os outros e não conseguiu salvar-Se a Si mesmo», comentava-se junto Daquele crucificado, sem perceber nada da sua história.

Na verdade, a história mais simples do mundo, mas por vezes complicamos tanto a simplicidade do mundo! Comprometemos a transparência da vida com o nosso excesso de razões!

No entanto, aquela história, a de Jesus, conta-se assim: «Era uma vez o Amor...». O amor, essa entrega de nós para lá do cálculo e da retenção, a ponto de não conseguirmos viver para nós próprios. O amor, essa descoberta de que ou nos salvamos com os outros (porque aceitamos o risco de viver para os outros) ou gastamos inutilmente o nosso tesouro.

O que se comentava junto da cruz, naquele dia, não era um insulto, mas o maior dos elogios feitos a Jesus.

Compreender isso é, de alguma maneira, acolher o sentido verdadeiro da Páscoa.

José Tolentino Mendonça

 

PENSAMENTO DA SEMANA

 «Mestre!»

 “Que a palavra Mestre seja sempre compromisso de Amor!”

Jesus é o Homem que nunca desviou o olhar do Céu.
Nele tudo é consumado!
A partir Dele tudo fica realizado!
É o Mestre das Palavras convertidas em gestos de Misericórdia e Perdão infinito.

A humilhação que, por ventura, possa ter sentido ao morrer por mim e por ti,
não tem qualquer comparação com a Luz terna que a Sua Cruz emite.
É nesse madeiro que revemos toda a Vida do Mestre.
É na trave vertical que sentimos a divindade do Salvador.
É no Seu abrir de braços que nos refugiamos com a nossa humanidade mórbida e pecadora.

Hoje, é Domingo de Ramos e ainda não partimos o vaso de alabastro…
Permanecemos num ritmo de indignação e não entendemos que o dinheiro, a fama e o poder,
são um comboio que nos leva por vales tenebrosos e sem sentido.
Jesus dá o Pão… dá o Vinho!
Traça um caminho repleto de sinais que nos levam a um amor intenso!

Neste momento de dor, há um gesto que precisamos rever:
«Aquele que eu beijar, é esse mesmo.
Prendei-O e levai-O bem seguro».
Depois do beijo veio uma palavra de admiração e de impar beleza: “Mestre!”
A traição é a maior dor!

O nosso Deus é um Pai fiel…
Não podemos trair mais Jesus!
Aceita o teu Baptismo.
Faz da tua vida uma cruz onde haja Paz e concórdia.

Reza… reza muito e sem cessar para que a vontade do Pai se cumpra na tua Vida.
E grita ao mundo: “Mestre! Eu estou aqui para Te Seguir e Amar!”
Sê audaz! Sê corajoso! Implica-te com a caridade!

Liliana Dinis


 

INFORMAÇÕES

ADORAÇÃO DO SANTÍSSIMO SACRAMENTO

Ribeira Seca - 2ª feira, 29 de março, das 17h 30 às 18h 30, seguindo-se a celebração da Eucaristia.

 

SACRAMENTO DA PENITÊNCIA - CONFISSÕES

Ribeira Seca - 2ª Feira, 29 de março, das 17h 30 às 18h 30.  

Calheta - 3ª Feira, 30 de março, a partir das 19 horas.

 

Missão Solidaria – Catequese de São Jorge

Finda a Missão Solidária da Catequese da ilha de São Jorge, gostaríamos de agradecer a todos os que de uma forma ou de outra nos ajudaram a concretizar este projeto, nomeadamente párocos, catequistas, pais e catequisandos.

Um agradecimentos também às Câmaras Municipais, Juntas de Freguesia, Transinsular, Domingos D´Oliveira, Astra Unipessoal, Santa Catarina Indústria Conserveira, Cooperativa Agrícola dos Lourais e União das Cooperativas de São Jorge.

De salientar ainda a ajuda dos comerciantes da ilha, Escuteiros de Rosais, Sr. Fernando Silva, António Fernando Santos e Carlos Silva e de todos os que nos deram donativos e bens alimentares.

A todos o nosso muito obrigado e lembrem-se sempre que “quem ajuda o próximo constrói um mundo melhor”


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Agenda Pastoral

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Nº 1014

Pensamento da Semana

 

PENSAMENTO DA SEMANA

 

Agarra-te à Esperança com força, com toda a força de que és capaz...

Quem Espera, vive de olhos postos num Novo Dia que vem. E assim, com a vida iluminada por essa Esperança, quem Espera vence obstáculos, derruba barreiras, ergue-se das quedas e caminha feliz.

Não importam as feridas abertas nem as cicatrizes para quem acredita na cura e sabe que sempre é tempo de recomeçar.

Agarra-te à Esperança... e se a sentires apagar-se, renova-a, pois quem não Espera, não Vive.

De Coração para coração

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