Nº 984

 

Para o Dia de Namorados

SABES QUE TE AMO

«Sabes que te amo?» - Sim, eu sei. (raramente te respondo assim, porque creio que a tua intenção não é obter uma resposta, ou pelo menos, esta resposta) Tu queres reafirmar o teu amor por mim... Tu queres dizer-me:" Eu amo-te como tu és! Não me importa se por vezes falhas, se fracassas, se me desiludes, se me magoas, se não correspondes às minhas expectativas... Eu sinto amor... é amor...". Então, vem-me à mente uma passagem bíblica, "o amor cobre uma multidão de pecados...". E quanto mais reflito mais frases me ocorrem: "o amor é paciente...Tudo tolera, tudo crê, tudo espera, tudo suporta".

 

«Sabes que te amo?» E parece que te oiço dizer:« Deixa-me amar-te... gosto tanto de amar-te... é tão bom amar-te.» E eu sinto-me amado e cheio de gratidão. Mas não mereço. Eu acredito e sinto que me amas, minha amada. O teu amor flui no meu coração como um bálsamo suave e inebriante. Sinto-me então mais confiante, sereno, ousado, corajoso, dinâmico, aberto aos outros, compreensivo, compassivo e paciente.

 

Eu também te amo, meu tesouro. Sabes que te amo? Quero que saibas que só sei amar-te como sou e amo-te como és. Não tenhas medo, minha flor. Não tenhas receio das trevas, pois também há luz no meu olhar. Não te assustes com as sombras; fixa o teu olhar no meu sorriso de criança feliz quando me dizes: «sabes que te amo?». Conta-me histórias de encantar quando à noite chegar cansado. Beija os meus densos cabelos negros e brancos, quando me sentires ausente ou ansioso. Deixa-me mergulhar com os meus medos nas águas tranquilas do teu regaço. Contagia-me com o teu entusiamo e alegria quando me sentires fustigado pelas tempestades da vida. Levanta-me com as tuas mãos suaves e maternas quando eu tropeçar e cair. Acalma-me com os teus beijos suaves e ternos quando o meu corpo tremer de ansiedade. Encoraja-me com as tuas palavras doces e meigas quando eu começo a vacilar. Pega nas minhas mãos frias e cansadas com as tuas mãos suaves e macias e diz-me mais uma vez: «sabes que te amo?».

Paulo Costa (adaptado) 

 

MEDITAR

Deus estende a mão e toca o intocável, contra toda a lei e toda a prudência

Entra em cena um leproso (Marcos 1, 40-45), um desesperado que perdeu tudo: casa, trabalho, amigos, abraços, dignidade e até Deus. É um homem que se está a decompor estando vivo, para a sociedade é um pecador, recusado por Deus e castigado com a lepra.

Vem e aproxima-se de Jesus, e não deve, não pode, a lei impõe-lhe a segregação absoluta. Mas Jesus não escapa, não evita, não o manda embora, está de pé diante dele e escuta. O leproso devia gritar de longe, a quem encontrava, «imundo, contagioso»; em vez disso, tu a tu, sussurra: se quiseres, podes tornar-me puro.

«Se quiseres.» O leproso náufrago agarra-se a um «se», é o seu gancho no meio do Céu, terra firme depois do pântano. E parece-me que vejo Jesus vacilar diante do pedido submetido por esta criatura à deriva. Vacilar, como quem recebeu um murro no estômago, uma unhada no coração: «Foi tomado nas entranhas de compaixão».

«Se quiseres»… grande pedido: diz-me o coração de Deus! Que queres verdadeiramente para mim? Queres a lepra? Que eu seja a imundície da região? É Ele que envia o cancro? Jesus vê, detém-se, comove-se e toca. Desde há muito que ninguém ousava tocá-lo, a sua carne morria de solidão. Jesus estende a mão e toca o intocável, contra toda a lei e toda a prudência, toca-o enquanto ainda está contagioso; e é assim que começa a curá-lo, com uma carícia que chega antes da voz, com o dedo mais eloquente do que as palavras.

Tocar, experiência de comunhão, de corpo a corpo, ação sempre recíproca (toca-se e é-se tocado, incindivelmente), um comunicar a sua proximidade, um desflorar-se, um arrepio, um vibrar de Deus comigo, de mim com Ele.

Depois, a resposta belíssima, a pedra angular sobre a qual se apoia a nova imagem de Deus: «Quero!». Um verbo total, absoluto. Deus quer, está envolvido, importa-se, está no seu coração, padece comigo, urge nele uma paixão por mim, um tormento e um apaixonar-se.

A segunda palavra ilumina a vontade de Deus: «Sê purificado». Deus é intenção de bem. Ninguém é recusado. Segundo a lei, o leproso estava excluído do templo, não podia aproximar-se de Deus até que estivesse puro. Ao contrário, naquele dia acontece a reviravolta: aproxima-te de Deus e serás purificado. Acolhe-o e serás curado.

E mandou-o embora, com tom severo, ordenando-lhe que não dissesse nada. Mas o curado não obedece: e pôs-se a proclamar a mensagem. O excluído torna-se fonte de espanto. Exibe a sua felicidade, a sua experiência feliz de Deus.

Antes, tinha de fugir das povoações, e agora é precisamente nas povoações que entra, procura as pessoas de quem antes tinha de fugir, para dizer que mudou tudo, porque mudou, com Jesus, a imagem de Deus.

Ermes Ronchi

 

Preparar a Quaresma, vivendo o Carnaval.

As origens do Carnaval perdem-se nos tempos. Inspira-se em tradições pagãs muito antigas, em que se celebrava a vitória da luz sobre as trevas; a vitória da Primavera que chegava para substituir os rigores do inverno. Desde inicio que caracteriza-se pela folia desregulada e cheia de "excessos". É um momento de alegria e diversão.

O cristianismo não condenou estes festejos mas "disciplinou-os". Uma das origens da palavra "Carnaval" vem do latim "carnem levàmen", ou seja, "tirar a carne". Indica o tempo que antecede a Quaresma, caracterizada pelo jejum e abstinência.

Podemos questionar se o Carnaval de hoje é um momento de folia que antecede e predispõe-nos para vivermos a Quaresma. Podemos perguntar se é uma ocasião de união entre todos, ou se envolve toda a gente, desde os pequenos ao adultos. No entanto, todo o cristão é chamado a viver este tempo de uma maneira positiva e com criatividade. A fé tem que estar encarnada de humanidade e de vida quotidiana.

Para hoje e amanhã, sugiro o «Decálogo do quotidiano do Papa João XXIII»:

«1) Só por hoje, procurarei viver o dia (num sentido positivo), sem querer resolver o problema da minha vida todo de uma só vez.

2) Só por hoje, terei o cuidado máximo com o meu aspeto: vestirei com sobriedade; não levantarei a voz; serei gentil com todos; não criticarei ninguém; não pretenderei melhorar ou disciplinar ninguém a não ser a mim mesmo.

3) Só por hoje, serei feliz na certeza que fui criado para ser feliz não só no outro mundo, mas também neste.

4) Só por hoje, adaptar-me-ei às circunstâncias, sem pretender que as circunstâncias se adaptem todas a mim.

5) Só por hoje, dedicarei dez minutos do meu tempo a alguma boa leitura, recordando que como a comida é necessária para a vida do corpo, assim a boa leitura é necessária para a vida da alma.

6) Só por hoje, realizarei uma boa ação e não o direi a ninguém.

7) Só por hoje, farei pelo menos uma coisa de que não tenho gosto em fazer, e se me sentir ofendido nos meus sentimentos, farei de modo que ninguém se aperceba.

8) Só por hoje, farei um programa: talvez não o siga à risca, mas farei. E proteger-me-ei de dois males: a pressa a e indecisão.

9) Só por hoje, acreditarei firmemente, não obstante as aparências, que a boa providência de Deus ocupa-se de mim como de nenhum outro ser existente no mundo.

10) Só por hoje, não terei medo. De uma forma particular, não terei medo de apreciar aquilo que é belo e de acreditar na bondade. Posso fazer bem, durante doze horas, aquilo que me assustaria se pensasse em fazer por toda a vida.

"Quero ser bom, hoje, sempre, com todos".»

Paulo Vitória (adaptado)

 

PENSAMENTO DA SEMANA

 

O AMOR TUDO TRANSFORMA

"Amar uma pessoa não significa fazer as coisas por ela,
mas ajudá-la a descobrir a sua própria beleza, unicidade,

a luz escondida no seu coração e o significado da vida.
Através do amor uma nova esperança é comunicada a essa pessoa
e um desejo de crescer e viver."


Jean Vanier


 

INFORMAÇÕES

MISSA NO SANTUÁRIO DA CALDEIRA

No próximo domingo, 21 de fevereiro, às 15:30 horas.


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Nº 1056

Pensamento da Semana

 

PENSAMENTO DA SEMANA

 

Há três tipos de pessoas misericordiosas...

 

As primeiras dão os seus bens para complementar, com o que lhes é supérfluo, a penúria dos outros.

As segundas distribuem todos os seus bens e, para eles, daí por diante, tudo fica em comum com os outros.

Quanto às terceiras, não somente dão tudo, como também «se dão a si mesmos totalmente».

 

Isaac de l'Étoile (?-c. 1171), monge cisterciense,

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