Nº 980

 Pedir ajuda ou ser ajuda?

A verdadeira riqueza não está no que se tem, por que isso se vai perder (mais tarde ou mais cedo), mas no que se é e que, por isso, se pode dar.

A felicidade é feita de alegrias e tristezas. É o que brota de um coração que, ao bater, transborda de amor. Julgar que uma vida boa corresponde a uma existência sem sofrimentos é não compreender a essência da vida, esquecendo-se de um dos seus pilares fundamentais. É verdade que ninguém deseja a dor... e, no entanto, sem sofrimentos, quem é que desejaria a felicidade? Quem é que estaria disposto a persegui-la, sofrendo também por (ainda) não ser feliz?

Amar é dar e aceitar o que o mundo e os outros puderem e quiserem dar... Poderá ser pouco... ou nada até... Em qualquer caso, é sempre melhor dar do que receber. Só é carenciado quem se faz dependente da generosidade alheia.

O contrário da felicidade é o medo. Um vazio que, em luta constante, nos destrói a partir de dentro, cavando em nós. Ser feliz passa por ir além do medo, preenchendo os vazios com as alegrias e tristezas, respondendo-lhe com a certeza da esperança. Temer, sofrer, mas sorrir. Uma harmonia de equilíbrios.

Um sorriso é a melhor forma de amparar as lágrimas.

Amar é uma imensa gratidão do coração. A vida é um dom. Um milagre. Amar será a resposta à graça original de podermos estar aqui, hoje mesmo, agora, assim... Uma bondade e generosidade imensas que devemos fazer chegar à vida dos outros. Sendo que a minha bondade não depende da pobreza dos outros, mas tão-só da minha verdadeira riqueza.

A verdadeira riqueza não está no que se tem, por que isso se vai perder (mais tarde ou mais cedo), mas no que se é e que, por isso, se pode dar.

Só quem escolhe ser bom se dá aos outros, porque reconhece em si um valor, uma luz única da qual os outros podem ser carentes. Mas a minha bondade só poderá realizar-se se eu assim escolher, se eu arriscar o fracasso de dar um passo adiante, apesar do medo... a responsabilidade de escolher quem é mais forte: a minha vontade de ser feliz ou o medo.

Quando se deseja muito, ainda que a vida, o mundo e os outros, sejam generosos, tudo parece pouco. Pobres e desgraçados são aqueles que têm muito e isso não lhes chega, e ricos serão aqueles que lhes basta e sobra do pouco que têm...

É, pois, essencial compreender que a minha felicidade depende do que eu decidir desejar. Para os infelizes o valor está no que não têm...

Ser feliz é ser capaz de criar e alimentar a alegria verdadeira que brota do próprio coração que ama. Uma gratidão pela existência. Um sorriso pela vida. Que serve aos outros, dando-lhes o amor e a alma que lhes pode estar a faltar...

 A nossa existência é um sopro que nos chega do alto sem pedir nada em troca. Que importa pois que não compreendamos o sentido exato de tudo? Nada. Desde que saibamos reconhecer o valor absoluto da nossa própria vida, com cada uma das alegrias e tristezas... desde que lutemos por ser bons, felizes... por merecer estar aqui.

José Luís Nunes Martins (Adaptado)

 

MEDITAR

Feliz quem no coração tem perguntas, desejos e caminhos

As personagens da narrativa (João 1,35-42): um João de olhos penetrantes; dois discípulos maravilhosos, que não estão nem confortáveis nem satisfeitos, à sombra do maior profeta do tempo, mas que se aventuram por caminhos desconhecidos, atrás de um jovem rabi de quem ignoram tudo, exceto uma imagem fulgurante: eis o Cordeiro de Deus!

Uma narrativa que perfuma de liberdade e de coragem, na qual estão encastoadas as primeiras palavras de Jesus: que procurais? Assim ao longo do rio; assim, três anos depois, no jardim: mulher, quem procuras?» Sempre o mesmo verbo, aquele que nos define: somos buscadores do ouro nascidos do sopro do Espírito.

Que procurais? O Mestre começa pondo-se à escuta, não quer nem impor nem doutrinar, serão os dois jovens a ditar a agenda. A pergunta é como um anzol lançado para dentro deles (a forma do ponto de interrogação evoca um anzol revirado), que desce ao íntimo a prender, a mostrar à luz coisas ocultas.

Jesus, com esta pergunta, põe as suas mãos santas no tecido profundo e vivo da pessoa, que é o desejo: o que desejais verdadeiramente?; qual é o vosso desejo mais forte? Palavras que são «como uma mão que toma as entranhas e te faz dar à luz».

Jesus, mestre do desejo, exegeta e intérprete do coração, pergunta a cada um: que fome torna viva a tua vida? De que sonhos caminhas atrás? E não pede renúncias ou sacrifícios, nem imolações sobre o altar do dever, mas reentrar em si, regressar ao coração, olhar para o que acontece no espaço vital, guardar aquilo que se move e germina no íntimo. Pede a cada um, são palavras de S. Bernardo, encosta os lábios à fonte do coração e bebe.

Rabi, onde moras? Vinde e vede. O Mestre mostra-nos que o anúncio cristão, antes de ser palavras, é feito de olhares, testemunhos, experiências, encontros, proximidade. Numa palavra, vida. E é isso que Jesus veio trazer, não teorias, mas vida em plenitude (cf. João 10,10).

E vão com Ele: a conversão é deixar a segurança de hoje para o futuro aberto de Jesus; passar de Deus como dever a Deus como desejo e espanto. Milhões de pessoas desejam, sonham poder passar o resto de vida de pijama, no sofá de casa. Talvez isto seja o pior que nos possa acontecer: sentirmo-nos chegados, permanecer imóveis.

Ao contrário, os dois discípulos, aqueles dos primeiros passos cristãos, foram formados, treinados, ensinados por João Batista, o profeta rochoso e selvático, a não parar, a andar e a andar, em busca do êxodo de Deus. Como eles, feliz o homem, feliz a mulher que tem caminhos no coração (cf. Salmo 83,6).

Enzo Bianchi

 

Sobre o amor

Muitas vezes acontece que, diversamente das nossas expetativas, o amor não nos reclama força, antes espera de nós uma fraqueza ainda maior do que aquela que já transportamos em nós.

Muitas vezes acontece que o amor não dê importância, ou pelo menos a grandiosa importância que tínhamos idealizado, ao quanto temos de dar, mostrando-se, antes, sobretudo interessado em adestrar o nosso coração para a arte de receber.

E, do mesmo modo, que o amor não exija de nós novas palavras a adicionar àquelas que já dissemos, mas desafia-nos à aprendizagem de uma contemplação e de um silêncio que tínhamos até agora ignorado.

Na verdade, o amor, para revelar-se, não escolhe esta ou aquela preciosa veste, mas decide-se na exata e difícil nudez da vida normal. O amor não é um estado excecional caracterizado pelo extraordinário e pelo entusiasmo, mas o reiterado percurso de espinhos que conduz à rosa.

Por isso, Senhor, ajuda-nos a compreender que amar é descobrir, no próprio coração, o quanto o amor é grande e livre, mais do que as imagens que dele possamos fazer. Que o compromisso incondicional com tal amor seja o nosso modo quotidiano de estar diante de ti.

Pe. José Tolentino Mendonça

 

 

PENSAMENTO DA SEMANA

 

"A gratidão é a memória do coração” (Paul H. Dunn)

A gratidão é a virtude humana por excelência. Por um pouco que a deixemos aflorar, a gratidão irá abrindo caminho, pacificando o nosso coração e fazendo emergir, ao mesmo tempo, o melhor que há em nós.

A gratidão é um sentimento profundamente terapêutico: ela nos afasta dos obscuros pensamentos e nos situa na terra firme da presença, em sintonia com o presente.

P. Adroaldo Palaoro, sj


 

INFORMAÇÕES

 

MISSA NO SANTUÁRIO DA CALDEIRA

No próximo domingo, 24 de janeiro, às 15:30 horas.

 

RECEITAS

Ermida de Santo António - Cortejo de Oferendas 670,00€

 

TRANSPORTES PARA O DIA DE ELEIÇÕES

A Câmara Municipal da Calheta disponibiliza transporte a todos os cidadãos que necessitem deslocar-se para exercer o seu direito de voto no dia 24 de janeiro.

- Biscoitos após a missa

- Fajã dos Vimes às 9 horas passando pelo Portal.

- Loural às 14 horas.

O transporte pode ser solicitado através dos números 295416576 para a freguesia da Ribeira Seca e 295416916 para os da freguesia da Calheta.


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Destaque

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nº 1015

Pensamento da Semana

 

PENSAMENTO DA SEMANA

 

Educar é produzir um homem feliz e sábio. Educar é produzir um homem que ama o espetáculo da vida. Desse amor, emana a fonte da inteligência. Educar é produzir uma sinfonia em que rimam dois mundos: o das ideias e o das emoções.

 

Há dois tipos de educação: a que informa e a que forma. A educação que informa ensina o homem a conhecer o mundo em que habita; a educação que forma vai além, ensina-o também a conhecer o mundo que ele é.

Augusto Cury

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