Nº 979

 

BOAS NOTÍCIAS... POR ONDE ANDAM???

Há coisas tão bonitas a acontecer… ligamos as notícias, não aparecem… compramos o jornal, não estão lá… cruzam-se connosco, não reparamos… batem no nosso ombro ao passar ou cumprimentam-nos no café, e não percebemos…

Os nossos olhos parece que deixaram de se espantar, caímos na tentação de achar todas as coisas vulgares e esperadas.

Caímos até na tentação de acreditar só no que nos dizem aqueles que vivem à custa das más notícias que vendem, e assim nos vamos contagiando uns aos outros nesse novo credo que é o desencanto pessimista.

Chegámos a acreditar que o mundo não tem conserto, que as pessoas são más, e que isto melhor nada há-de ficar…

Há mil vozes dentro de nós a dizerem-nos para não nos preocuparmos com o que está para além das fronteiras de nós mesmos, para não nos afadigarmos com ninguém para além de nós e com nada para além das nossas coisas, porque sábios são os que comem, dormem e gozam.

Os olhos da nossa infância ficaram baços. Às vezes não chegámos mesmo a ter infância, não nos deixaram, por um motivo ou por outro…

Dá-nos olhos, Senhor, para vermos bem… dá-nos olhos capazes de sintonizar com o que é Verdadeiro, Perene, Bom e Bonito. E um Coração capaz de se firmar no que está para além das evidências que os nossos fatalismos dogmatizam como verdades absolutas.

Faz-nos entender, oh Deus, que a realidade é mais do que esse palmo e meio de terra que vemos diante dos nossos pés com o olhar turvado pelas nossas desilusões, medos e preguiças.

Há coisas admiráveis a acontecer à nossa volta! Jesus via… Jesus via e proclamava: “O Reino de Deus chegou! Está no meio de nós!”

Pensa um bocadinho nisto, se puderes e fizer para ti sentido. E, se achares bem e tiveres tempo, partilha uma dessas coisas boas que está a acontecer ou aconteceu estes dias. Uma dessas que não tem direitos de primeira página…

Convido-te a fazermos hoje um Diário de Boas Notícias! Porque precisamos de treinar o nosso olhar e a nossa inteligência de maneira a não deixarmos fugir os sinais da Salvação de Deus a acontecer no meio de nós…

Rui Santiago cssr (adaptado)

 

MEDITAR

Batismo de Jesus: O céu abre-se e ninguém o fechará

«Logo que Jesus foi batizado, saiu da água. Então, abriram-se os céus e Jesus viu o Espírito de Deus descer como uma pomba e pousar sobre Ele. E uma voz vinda do céu dizia: “Este é o meu Filho muito amado, no qual pus toda a minha complacência”» (Do Evangelho da Festa do Batismo de Jesus, Mateus 3, 13-17).

Jesus recebe o Batismo e eis que os céus se abrem. O Batismo é narrado como um simples inciso; no centro é colocado o abrir-se do céu. Como se abre uma brecha nos muros, uma porta ao sol, como se abrem os braços aos amigos, ao amado, aos filhos, aos pobres. O céu abre-se para que a vida saia, para que a vida entre. Abre-se sob a urgência do amor de Deus, sob a opressão da vida sofredora, e nunca mais ninguém o fechará.

E do céu vem uma voz que dizia: este é o Filho meu, o amado, nele pus a minha complacência. Três afirmações dentro das quais sinto pulsar o coração vivo do cristianismo e, junto ao de Jesus, o meu verdadeiro nome.

Filho é a primeira palavra. Deus gera filhos. E os gerados têm o cromossoma do genitor nas células; em nós há o ADN divino, «o homem é o único animal que tem Deus no sangue» (G. Vannucci).

Amado é a segunda palavra. Antes que tu ajas, antes da tua resposta, que tu o saibas ou não, a cada dia, a cada despertar, o teu nome para Deus é “amado”. De um amor imerecido, que te é preveniente, que te antecipa, que te envolve. Cada vez que eu penso “se hoje for bom, Deus amar-me-á”, não estou diante do Deus de Jesus, mas da projeção dos meus medos.

No discurso do adeus, Jesus pede por nós: «Sabemos, Pai, que os amaste como me amaste». Frase extraordinária: Deus ama cada um como amou Jesus, com a mesma intensidade, a mesma emoção, o mesmo impulso e confiança, não obstante todas as desilusões que eu lhe provoquei.

A terceira palavra: minha complacência. Termo inabitual e no entanto belíssimo, que na sua raiz literal se deve traduzir: em ti eu experimento agrado. A Voz grita do alto do céu, grita no mundo e dentro do coração, a alegria de Deus: é belo estar contigo. Tu, filho, agradas-me. E quanta alegria sabes dar-me!

Eu que não o escutei, eu que me fui embora, eu que inclusive o traí, ouço dizer-me: gosto de ti. Mas que alegria pode chegar a Deus desta cana frágil, desta mecha pálida que eu sou? E todavia é assim, é Palavra de Deus.

A cena grandiosa do Batismo de Jesus, com o céu rasgado, com o voo de asas abertas do Espírito, com a declaração de amor de Deus sobre as águas, é também a cena do meu Batismo, aquele do primeiro dia e aquele existencial, diário.

A cada aurora uma voz repete as três palavras do Jordão, e ainda mais forte nas madrugadas repletas de trevas: filho meu, meu amor, minha alegria, reserva de coragem que abre as asas sobre cada um de nós, que nos ajuda a elevar-nos para o alto, com toda a força, qualquer que seja o obscuro céu que encontremos.

Ermes Ronchi

 

O PREÇO DA LIBERDADE...

Muitos ambicionamos a liberdade mas poucos lhe queremos pagar o preço. O que define se alcançamos a liberdade não é o tamanho do nosso desejo: é o tamanho da nossa humildade.

Demasiadas vezes nos iludimos com a grandeza dos nossos desejos, com a voracidade dos nossos sentimentos, com a genialidade das nossas ideias, com o encantamento próprio do sonho.

Os desejos fazem-nos desejar; os sentimentos mobilizam-nos; as ideias clarificam-nos. Mas desejos, sentimentos, ideias sem ligação ao todo são mera fantasia.

Ora, a fantasia inebria-nos, o sonho eleva-nos, é certo. Mas fantasia e sonho sem raízes é apenas imaginação. Podem tornar-se uma fuga momentânea bastante eficaz mas não é certamente um caminho de realização.

Quem dá raízes é a humildade.

A humildade de me aceitar como sou - na pequenez da minha condição humana e na grandeza da minha dimensão espiritual. A humildade de aceitar as circunstâncias - na pequenez a que me confina e na grandeza a que me convida. A humildade de reconhecer como sou chamado a intervir, a responder, a dançar com as circunstâncias.

O problema é que a humildade por vezes dói e dói muito.

Dói porque nos faz cair do pedestal da nossa omnipotência, da nossa arrogância, dos nossos apegos. Pode doer como uma morte. E por isso a humildade é tão pouco procurada, pouco alimentada, pouco venerada.

Mas quando ela nos falha, somos nós que nos falhamos: perdemo-nos de nós mesmos. Nós sabemos isso.

Pois a humildade é a nossa ligação à terra: é ela que nos liga à fonte da vida; é dela que vem a vitalidade, a força, a estrutura que nos permite, aí sim, elevarmo-nos ao céu. Até que nos encontremos à nossa altura. Nem acima nem abaixo. É essa a máxima liberdade.

O preço? O preço é a humildade.

João Delicado

 

PENSAMENTO DA SEMANA

 

ELE VIVE EM CADA UM DE NÓS

 

«Se Jesus não tivesse vivido entre nós, Deus manter-se-ia distante, inatingível.

Mas, através da sua vida, Jesus deixou transparecer quem era Deus.

E hoje, ressuscitado, Cristo vive em cada um de nós pelo Espírito Santo.

 

A confiança, a esperança e a paz do coração têm por fonte uma misteriosa presença:

a presença de Cristo.

Pelo Espírito Santo, Ele permanece em cada um de nós como humilde de coração.

E é suavemente que a sua voz se faz ouvir.»

 

Irmão Roger, de Taizé, in Deus só pode amar


 

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