Nº 455

 

MISSÃO

 

Fui animado, desde criança, por esta palavra “Missão”.

Missão era o lugar onde vivia um senhor vestido com uma túnica branca, alto, forte, com barba branca muito comprida, de rosto queimado pelo sol, de fala afável e esquisita (era holandês) Deslocava-se ora de jipe, ora de lambreta.

Aos domingos, à chegada do missionário, todas as famílias vinham ao seu encontro e dirigiam-se para a Igreja. Ele, a uns dirigia uma palavra, a outros sorria, atendia às solicitações e celebrava a eucaristia que era animada e participada com bastante alegria. Lembro-me que após a eucaristia havia os grupos de crianças que brincavam para um lado, e para outro estavam os jovens namoradeiros. Grupos de gente adulta que falava sobre os negócios e dos familiares que tinham ficado nos Açores, outro grupo era formado pelas senhoras que de vez em quando iam deitando o olhar sobre as crianças.

O missionário era motivo de encontro, de celebração. Era alguém que se procurava e a quem se dava peso pelos conselhos e palavras que ele dizia.

Em criança, para mim, missão confundia-se com este homem respeitado e considerados por todos.

Hoje, o tempo e a vida dizem-me que Missão é partir. É deixar sossego da terra e da família. Percorrer caminhos desconhecidos e difíceis…

Missão é doação e entrega desinteressada, o que se faz quando se ama muito e, por isso, é preciso viver Deus que é amor em nossas vidas. Saber que vale a pena viver os valores do Evangelho e ser partilha de vida com os irmãos fazendo a aprendizagem do amor. Missão é anúncio em que há atitude de dádiva da Boa Nova e atitude de receber a alegria de um coração simples que se abre ao amor de Deus.

Hoje, mais do que nunca, é preciso a atitude de missão para recuperar a esperança, o sentido da vida e da liberdade. É urgente trazer os critérios e valores do Evangelho para esta sociedade que parece ter perdido o rumo, a orientação.

Missão é fazer resplandecer a alegria de ser cristão no meu dia a dia tão cheio de trabalhos e preocupações sabendo que Cristo está  e caminha comigo. Ele é maior que os meus problemas e o meu pequeno mundo.

Missão é não se deixar fechar no egoísmo das mesquinhices e do meu eu e deixar que a vida esteja sempre pronta a acolher e ir ao encontro dos outros levando a mensagem de um Deus que ama infinitamente todos sem distinção.

Hoje percebo que Missão é acima de tudo amar.

Pe. Manuel António

 

 

XXX DOMINGO DO TEMPO COMUM

Tema:

A liturgia deste domingo ensina-nos que Deus tem um “fraco” pelos humildes e pelos pobres, pelos marginalizados; e que são estes, no seu despojamento, na sua humildade, na sua finitude (e até no seu pecado), que estão mais perto da salvação, pois são os mais disponíveis para acolher o dom de Deus.

A primeira leitura define Deus como um “juiz justo”, que não se deixa subornar pelas ofertas desses poderosos que praticam injustiças na comunidade; em contrapartida, esse Deus justo ama os humildes e escuta as suas súplicas.

O Evangelho define a atitude correcta que o crente deve assumir diante de Deus. Recusa a atitude dos orgulhosos e auto-suficientes, convencidos de que a salvação é o resultado natural dos seus méritos; e propõe a atitude humilde de um pecador, que se apresenta diante de Deus de mãos vazias, mas disposto a acolher o dom de Deus. É essa atitude de “pobre” que Lucas propõe aos crentes do seu tempo e de todos os tempos.

Na segunda leitura, temos um convite a viver o caminho cristão com entusiasmo, com entrega, com ânimo – a exemplo de Paulo. A leitura foge, um pouco, ao tema geral deste domingo; contudo, podemos dizer que Paulo foi um bom exemplo dessa atitude que o Evangelho propõe: ele confiou, não nos seus méritos, mas na misericórdia de Deus, que justifica e salva todos os homens que a acolhem.

(Dehonianos)

 

 

CONTO (324)

 

A MOEDA

Um mendigo estava sentado num banco à beira da rua, a pedir esmola. Passou uma criança e parou uns instantes a conversar com ele. Enquanto falava do lindo dia que estava, os seus olhos viram uma moeda de dois euros no chão perto do mendigo.

Discretamente, foi pondo o pé sobre a moeda e, depois num gesto rápido, meteu a moeda ao bolso e despediu-se do pobre:

No dia seguinte, o menino a caminho da escola passou de novo diante do mendigo. Desta vez os olhos do mendigo pareceram-lhe muito tristes. Pareciam ter até um ar de repreensão.

O menino, sentindo a voz da consciência a dizer-lhe que tinha feito mal em roubar na véspera, disse-lhe:

- Desculpe, fui eu que peguei ontem na moeda.

- Mas eu não perguntei nada. Pensei até que a tinha perdido.

- Fui eu. Ao ver os seus olhos tristes, senti que o fiz sofrer.

«Meus olhos? Mas estes olhos são de vidro. Eu sou cego!»

 

in, TUTTI FRUTTI de Pedrosa Ferreira

  

 

 

 

 

 

 

 

  

 

 

 

 

 

 

 

  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

MEDITAR
 
Abres a página dobrada sobre o vinco:

 

as palavras saltarão para o teu colo,

 

para o teu rosto, para o teu regaço,

 

para o teu sorriso, para a tua mão.

 

 
Estão vivas as palavras, meu irmão,

 

estão vivas.

 

acordam quando tu as lês,

 

todos os dias,

 

quando desdobras a página, o coração,

 

onde dormem suavemente enternecidas.

 

 
Um vinco na página,

 

aí está o congresso, não de gesso,

 

mas um gesto aberto e de terna comunhão.

 

Senhora da Anunciação, que corres ligeira pelos montes,

 

vela por nós, fica à nossa beira.

 

É bom ter a esperança como companheira.

 

 
Vai, meu irmão!

 

Vai, minha irmã!

 

Não deixes para amanhã

 

a beleza dos teus passos sobre os montes:

 

Vive a missão, rasga horizontes.

 

D. António Couto

 

OLHARES

Olhares frios, amedrontados, olhares tristes e envergonhados
Olhares tantos e tantos olhares…
Há sede de olhares!
Olhares azuis, verdes ou castanhos, não interessa a cor, raça ou sequer tamanhos!
Olhares…
Olhares que observam alguém, que se cruzam, olhares que se admiram e se criticam também.
Olhares que ambicionam, olhares que perturbam, que penetram e olhares que te rasgam.
Há imensos olhares passageiros… sinto sede de olhares, olhares verdadeiros!
Olhares que saciam e satisfazem.
Quero mais e melhores olhares…
Aliás quero um olhar! Um olhar intenso, olhar real. Um olhar que aqueça, olhar que estremeça e me adormeça…
Não sei onde ele está! Olho em redor, olho em diante… estará assim tão distante? Quero esse olhar sincero… Onde pairam os olhares?

Andreia Peres


 

INFORMAÇÕES

 

RECTIFICAÇÃO

A “Carta Familiar” da semana passada levava o nº 453 quando devia ser Nº 454. Como algumas pessoas têm o cuidado de guardar as “Cartas Familiares” peço que corrijam aquele número para não induzir em erro.

 

MUDANÇA DA HORA

No próximo fim-de-semana muda a hora. À uma hora da manhã de Sábado para Domingo os relógios devem ser atrasados em sessenta minutos.

 

 

 

RECOLHA DE DADOS

 

 

Para informatização dos cartórios paroquiais, estamos a fazer um levantamento pelas casas de toda a população existente. Este levantamento consiste no preenchimento de uma ficha que depois será colocada na base de dados e é para uso exclusivo do pároco. Neste momento estamos a fazer o levantamento na freguesia da Ribeira Seca.

 

 

 

VENDA DE PÃO

 

 

A padaria “Maria Alice” vai começar a fazer a venda de pão pelas freguesias do concelho, todos os dias, da parte da tarde. Para tal, passará uma carrinha com este produto, também, da parte da tarde.

 

 


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Nº 819

Pensamento da Semana

 

Um anjo nunca se faz conhecer, nós só sabemos que ele esteve connosco quando ele parte. Porque deixa-nos na vida um perfume, deixa-nos na vida um desassossego.

 

Erri de Luca, in Em nome da mãe

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