Nº 454

 

DO SEIO DA TERRA

 

Foi com alguma emoção que fomos seguindo o nascer dos mineiros do seio da terra. Era motivo de conversa de toda a gente, naquele dia 13 de Outubro. Todos iam contando e imaginando a cápsula que ia à profundidade da terra. Como é vir num  compartimento tão estreito? O que se vê? Como é o respirar?

Cada um dos mineiros que assomava à superfície era um explosão de alegria acompanhada de muitas lágrimas, abraços prolongados, beijos carregados de amor. O nome de cada um era mencionado a par da história ou histórias individuais e familiares.

O campo tinha o nome de Esperança dando o ânimo tão necessário à separação sentida pelos familiares e amigos que ali permaneciam e aos trabalhos que iam sendo realizados. Era necessário ter esperança numa vida nova, um novo recomeço. Era como que dizer que os braços cruzados ou deixados cair não nos leva a lado nenhum. É necessário trabalhar, planear, executar numa corrida contra o tempo porque há vidas que têm de ser tidas em conta.

Neste meu pensar dediquei um pouco de tempo àquela mina que era a fonte da riqueza. Ao seu seio iam os mineiros arrancar minerais e pensei cá para mim: quantos dos que louvam o trabalho tão minucioso e delicado que está a ser feito para trazer aqueles mineiros do seio da mina, sabem  o que se extraia dela? Qual o bem que levava aqueles homens a entrar todos os dias nos labirintos de uma mina correndo o risco de por lá ficarem? Era o bem que dava o sustento às famílias e que é a riqueza de um país.

Levou-me a pensar naquelas pessoas e instituições que dão o melhor de si para o enriquecimento dos outros e que são tão rapidamente esquecidas. Pais que deram o melhor do seu trabalho, do seu tempo, do que sabiam. Avós que permanecem atentos e solícitos aos seus netos e muitas vezes quase sem forças. Professores que levam horas sem conta de preparação de saberes para partilhar com os seus alunos. Trabalhadores dedicados nos lugares onde recebem o sustento merecido.

Não sei se percebi bem, mas pareceu-me que há empresas que estudaram ao pormenor como iam tirar o melhor proveito da situação destes pobres e desconhecidos mineiros. Percebi que até os óculos foram fornecidos para daí tirarem grandes lucros.

Para mim o que mais me impressionou foi vê-los chegar do seio da mina, do interior da terra  e dobrar os joelhos em terra e de mãos postas agradecer a Deus o dom da vida. Estes gestos eloquentes são necessários para este mundo e para este tempo.

 

Pe. Manuel António

XXIX DOMINGO DO TEMPO COMUM

Tema:

A Palavra que a liturgia de hoje nos apresenta convida-nos a manter com Deus uma relação estreita, uma comunhão íntima, um diálogo insistente: só dessa forma será possível ao crente aceitar os projectos de Deus, compreender os seus silêncios, respeitar os seus ritmos, acreditar no seu amor.

O Evangelho sugere que Deus não está ausente nem fica insensível diante do sofrimento do seu Povo… Os crentes devem descobrir que Deus os ama e que tem um projecto de salvação para todos os homens; e essa descoberta só se pode fazer através da oração, de um diálogo contínuo e perseverante com Deus.

A primeira leitura dá a entender que Deus intervém no mundo e salva o seu Povo servindo-Se, muitas vezes, da acção do homem; mas, para que o homem possa ganhar as duras batalhas da existência, ele tem que contar com a ajuda e a força de Deus… Ora, essa ajuda e essa força brotam da oração, do diálogo com Deus.

A segunda leitura, sem se referir directamente ao tema da relação do crente com Deus, apresenta uma outra fonte privilegiada de encontro entre Deus e o homem: a Escritura Sagrada… Sendo a Palavra com que Deus indica aos homens o caminho da vida plena, ela deve assumir um lugar preponderante na experiência cristã.

(Dehonianos)

  

 CONTO (323)

 A FOLHA ORGULHOSA

Era uma vez uma folha que não se dava bem com as suas companheiras. Era mesmo muito egoísta e orgulhosa. Julgava-se a mais importante de todas. E sonhava em deixar as companheiras e ir passear pelo mundo.

Uma manhã em que fazia muito vento, as folhas agarravam-se umas às outras para não se separarem da árvore. Mas a folha orgulhosa aproveitou a ocasião para se soltar e partir.

Começou a sua grande aventura. No princípio, foi agradável o baile nos ares, sobrevoando campos e aldeias. Mas o vento era tão forte que os seus olhos se encheram de pó e não pôde ver nada. Depois caiu dentro de um rio e, como a água lhe salpicava os olhos, também nada pôde ver. O rio levou-a até ao mar e as ondas arrastaram-na para a praia.

Caiu a noite e ali estava a folha orgulhosa, cheia de frio, num lugar desconhecido.

Na manhã seguinte, vieram os banhistas para a praia e pisaram-na tantas vezes que ficou enterrada na areia.

Começou a chorar tanto a sua desgraça que adormeceu. Quando acordou, teve uma surpresa. Tudo não passara de um mau sonho.

in, TUTTI FRUTTI de Pedrosa Ferreira

 

 

 

 

MEDITAR

 

AMOR PACÍFICO E FECUNDO

 

 

Não quero amor
que não saiba dominar-se,
desse, como vinho espumante,
que parte o copo e se entorna,
perdido num instante.

Dá-me esse amor fresco e puro
como a tua chuva,
que abençoa a terra sequiosa,
e enche as talhas do lar.
Amor que penetre até ao centro da vida,
e dali se estenda como seiva invisível,
até aos ramos da árvore da existência,
e faça nascer
as flores e os frutos.
Dá-me esse amor
que conserva tranquilo o coração,
na plenitude da paz!

 

 

IREI

Um dia quebrarei todas as pontes

Que ligam o meu ser vivo e total,

A agitação do mundo do irreal,

E calma subirei até às fontes.

Irei até às fontes onde mora

A plenitude, o límpido esplendor

Que me foi prometido em cada hora,

E na face incompleta do amor

Irei beber a luz e o amanhecer,

Irei beber a voz dessa promessa

Que às vezes como um voo me atravessa

E nela cumprirei todo o meu ser.

Sophia de Mello Breyner

 

 


 

INFORMAÇÕES

 

COLECTA PARA AS MISSÕES

O próximo Domingo, 24 de Outubro, é dedicado às Missões. As colectas feitas nas eucaristias serão para as Missões.

 

RECEITA DA FESTA DE Nª Sr.ª DO SOCORRO

A festa de Nª Sr.ª do Socorro dos Biscoitos teve a seguinte receita: arrematações 1.120€ e em ofertas 578€. A Comissão da Igreja agradece a colaboração de todos.

 

RECEITA DA FESTA DO BOM JESUS

A festa do Bom Jesus da Fajã Grande teve a seguinte receita: arrematações 511,00€ e ofertas 188,50€. A Comissão agradece a colaboração de todos.

 

BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS DA CALHETA

A Direcção da Associação dos Bombeiros Voluntários da Calheta informa que nos dias 22, 23 e 24 de Novembro estará na sua clínica o Dr. Carlos Aguiar, oftalmologista (doenças dos olhos) e que vem acompanhado da Óptica Flores. Os interessados podem procurar estes serviços da Óptica, a funcionar na instalações desta instituição, mesmo sem virem à consulta de oftalmologia. As marcações podem ser feitas para os seguintes números: 295460110 / 295460111


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e o mundo como os olhos de uma criança,
olhos de confiança e de descoberta
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