Nº 908

 

FICAR COM A VIDA À SOLEIRA DA PORTA

 

Lembro com saudades as noites quentes de verão,

em que os encontros se davam à soleira da porta.

Ali, até ao começo do correr da brisa suave noturna,

passávamos horas entre conversas, riso e a oração do terço. E a contar as estrelas.

 

O céu é sempre lindo, mas em noites de verão tem um brilho intenso e especial.

E os grilos cantavam. E a lua brilhava. E as crianças ainda jogavam à bola na rua.

 

A soleira da porta é um lugar que tocamos para entrar e para sair.

Nem sempre um lugar muito bem definido quanto ao movimento de ir e vir...

As soleiras das portas são os lugares de quem sai,

mas também o lugar do volta-a-trás e o lugar de quem entra.

As soleiras das portas se são lugares de memórias são também expressão do que é a vida humana.

 

As soleiras podem ser também lugares da indefinição e de indecisões, em que não se entra com a vida toda e não se sai com a vida toda. E sabemos que a vida reclama a vida toda da mesma forma que sabemos que uma casa não termina na soleira da porta.

A soleira da porta é um convite a decidir para onde caminhar: se entramos ou se saímos.

A soleira da porta convida-nos a escolher: a intimidade e o recolhimento ou o barulho e o frenesim constante.

A soleira da porta leva-nos a entender que há momentos na vida em que é essencial mudar de atitude.

E às vezes, curtos ou longos mas firmes e sólidos, os passos que nos distanciam de uma vida plena só precisam de atitude.  

 

Cristina Duarte

 

Silenciar

O seu silêncio dá sinal da sua presença. É muito pouco comum vê-lo naquele estado. Por isso, torna-se revelador da sua existência.

Há qualquer coisa de diferente no seu silêncio e na forma como o vive. Não é um silêncio qualquer. É um silêncio com um olhar preocupado. É um silêncio que reza tudo o que vai dentro de si. É um silêncio com o olhar de quem se deixa simplesmente estar.

Rezam-lhe os problemas. Rezam-lhe as inquietações. Rezam-lhe as imensas questões. Rezam-lhe os não entendimentos. Rezam-lhe as poucas conquistas da sua vida. Reza a sua própria vida. Entregando-a ali: em silêncio e com olhar tão sincero. 

O silêncio não lhe torna angelical, mas dá-lhe um ar de profundidade. De quem não sabe muito bem o que fazer, nem o que dizer, mas que está disposto a deixar-se confiar. 

No meio de tudo isto, ele bem sabe que, ou arrisca na fé ou se perde no meio de si mesmo. 

Sente, verdadeiramente, que está na altura de fazer caminho. É hora de usar o que confirmou para que tudo se confirme em si. 

Por isso, deixa-se silenciar e deixa que o seu próprio mundo se silencie para que possa escutar com maior audácia aquilo que lhe vai sendo dito. Silencia-se para dar voz ao Senhor da sua vida. Silencia-se para ouvir os passos d'Aquele que sempre esteve. Silencia-se para que consiga escutar a palavra que lhe traz salv(ação). Silencia-se...

E ali, naquele verdadeiro ato de liberdade, foi capaz de silenciar os seus medos e caminhar perante a certeza de que nunca estará só!

Emanuel António Dias

 

MEDITAR

OS FRUTOS DENUNCIAM A ÁRVORE...

Para ser verdadeira, a oração precisa de dar frutos. Caso contrário, acaba por se transformar num refúgio, onde cultivas bons sentimentos ou te escondes da realidade.

A oração verdadeira, porque te coloca na presença de Deus, vai mudando o teu coração. Mas não esperes milagres, conversão imediata.

A mudança do coração acontece devagarinho, tem retrocessos, é trabalho para a vida inteira. No entanto, se a oração é verdadeira, a conversão do coração também é e tu irás percebendo isso ao longo do teu caminho...

“Pelos frutos os conhecereis” (Mt 7, 20).
                Os nossos frutos são as obras e o modo como as praticamos.
                O cheiro, o sabor, o tato ajudam-nos a avaliar a qualidade de um fruto.
                Os “falsos profetas” podemos ser nós. Podes ser tu. Examina-te a ti mesmo.

Uma árvore boa precisa de raiz, tanto mais funda e penetrante quanto mais alta sobe e a copa cresce.

Onde vais buscar o alimento que te sustenta e revigora?

A que fonte vais beber?

Acautela-te. Por vezes, as muitas folhas são sinal de pouco fruto.

Passo a Rezar

 

PENSAMENTO DA SEMANA

 

Se um dia todos os livros forem queimados, então o rosto passará a ser a biblioteca do homem, as rugas as suas linhas, o olhar a sua história.

Henrik Nilsson, in Um Piano em Sesimbra

 

A luz que nos é concedida é tão forte que mesmo se quiséssemos não poderíamos apagá-la completamente.

Christian Bobin, in Ressuscitar


 

INFORMAÇÕES

 

ADORAÇÃO DO SANTÍSSIMO SACRAMENTO

BISCOITOS - 3ª feira, 2 de julho, das 17 horas às 18 horas, seguindo-se a celebração da Eucaristia

MANADAS - 5ª feira, 4 de julho, das 10 horas  às 11 horas, seguindo-se a celebração da Eucaristia.

RIBEIRA SECA - 6ª feira, 5 de julho, das 18h00  às 19 horas, seguindo-se a celebração da Eucaristia.

ERMIDA DE SANTO ANTÓNIO - Sábado, 6 de julho, das 17 horas às 18 horas, seguindo-se a celebração da Eucaristia.

 

FESTA DE Nª Sr.ª do GUADALUPE

Domingo 7 de Julho, com Eucaristia às 17 horas, seguida de arrematações e procissão.

 

 

FESTA DE NOSSA SENHORA DO CARMO NA FAJÃ DOS VIMES

No dia 7 de julho (Domingo) tem início o Novenário de Nossa Senhora do Carmo na Fajã dos Vimes. A Eucaristia será todos os dias às 20 horas.

A Missa de Festa do dia 16 de julho, virá no próximo Boletim.

 


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