Nº 901

 

Eu sou vida indissolúvel das mãos de Deus, laço que não se rasga, nó que não se desata

As minhas ovelhas escutam a minha voz. Não as ordens, a voz. A voz que atravessa as distâncias, inconfundível; que narra uma relação, revela uma intimidade, faz emergir em ti uma presença.

A voz chega ao ouvido do coração antes das coisas que diz. É a experiência com que o bebé, quando ouve a voz da mãe, a reconhece, emociona-se, estende os braços e o coração para ela, e já está feliz bem antes de chegar a compreender o significado das palavras.

A voz é o canto amoroso do ser: «Uma voz! O meu amado! Ei-lo, chega correndo pelos montes, saltando pelas colinas» (Cântico dos Cânticos 2,8). E ainda antes de chegar, o amado pede o canto da amada: «Deixa-me ouvir a tua voz» (2, 14)… Quando Maria, ao entrar na casa de Zacarias, saudou Isabel, a sua voz fez dançar o ventre: «Mal a tua saudação chegou aos meus ouvidos, o menino sobressaltou de alegria no meu ventre» (Lucas 1,44).

Entre a voz do bom pastor e dos seus cordeiros corre esta relação confiante, amorosa, fecunda. Com efeito, porque é que as ovelhas devem escutar a sua voz? Dois géneros de pessoas disputam a nossa escuta: os sedutores, que nos prometem prazeres, e os verdadeiros mestres, que dão asas e fecundidade à vida. Jesus responde oferecendo a maior das motivações: porque Eu dou-vos a vida eterna.

Escutarei a sua voz não por obséquio ou obediência, não por sedução ou medo, mas porque como uma mãe, Ele faz-me viver. Eu dou-lhe a vida. O Bom Pastor coloca no centro da religião não aquilo que eu faço por Ele, mas aquilo que Ele faz por mim.

No coração do cristianismo não é colocado o meu comportamento, ou a minha ética, mas a ação de Deus. A vida cristã não se funda no dever, mas no dom: vida autêntica, vida para sempre, vida de Deus derramada dentro de mim, antes que eu faça o que quer que seja.

ainda que eu diga sim, Ele semeou gérmenes vitais, sementes de luz que possam guiar-me a mim, desorientado na vida, à terra da vida. A minha fé cristã é incremento, acrescento, intensificação do humano e de coisas que merecem não morrer.

Jesus di-lo com uma imagem de luta, de combativa ternura: ninguém arrancará as minhas ovelhas da minha mão. Uma palavra absoluta: «Ninguém». Dita duas vezes, como se tivéssemos dúvidas: ninguém as pode arrancar da mão do Pai.

Eu sou vida indissolúvel das mãos de Deus, laço que não se rasga, nó que não se desata. A eternidade é um lugar entre as mãos de Deus. Somos passarinhos que temos o ninho nas suas mãos. E na sua voz, que aquece o gelo da solidão.

Ermes Ronchi 

 

IV DOMINGO DA PÁSCOA

Ser pastor

Jesus Cristo, o Bom Pastor, diz que as suas ovelhas escutam a sua voz. 

Um colega meu, ao imaginar um rebanho assim tão obediente e certinho, desabafou:

– Quem me dera que a minha comunidade fosse assim, que todos se respeitassem e se escutassem… Parece que tenho mais lobos que ovelhas.

– Todos nós somos pastores. Temos, dentro de nós, ovelhas e lobos. Aquelas são boas, obedientes, respeitadoras. Os outros são altivos, violentos, abusadores. As primeiras vivem em harmonia com todos, não se ofendem com as palavras dos outros nem ofendem ninguém. Os lobos passam o dia a brigar e mesmo as pequenas coisas os lançam num ataque de ira mas a sua raiva não muda coisa nenhuma. Algumas vezes é difícil conviver com estas duas presenças dentro de nós porque ambas tentam dominar o nosso espírito. 

Então o meu amigo perguntou:

– E quem são os mais fortes, as ovelhas ou os lobos? Qual deles vence?

A resposta só poderá ser esta:

– O mais forte é aquele que alimentamos com mais frequência.

Transpiramos para fora aquilo que nos vai cá dentro. Aquilo que cada um é individualmente condiciona a sua comunidade pois o rebanho é feito de ovelhas. Se só nos alimentamos de ódio, incompreensão e intransigência, haverá mais lobos que ovelhas. Jesus Cristo dá a vida pelas suas ovelhas.

 Pe. José David Quintal Vieira, scj

 

MEDITAR

O r a ç ã o

Deus, nosso Pai,

ao enviares o Teu Filho Jesus,

quiseste vir ao nosso encontro.

Queremos agradecer-Te, hoje,

por continuares a chamar,

no barco da Igreja,

pescadores para o alto mar,

para a missão de chegar a todos.

Concede-nos,

pela graça do Batismo,

o dom da escuta da Tua voz

e da resposta generosa.

Desejamos abrir-nos ao “sonho maior”:

discernir a vocação

que nos torna servidores

da alegria do Evangelho.

Dá-nos a coragem de arriscar,

como a jovem Maria,

para sermos portadores da Tua portadores da Tua promessa

Amen

 

É dando que se recebe

Entregar a vida cansa, magoa, dói. Eu paro e olhando ao meu redor no silêncio encontro a Deus. Esta é a vida que eu escolhi. Cada um de nós, nos caminhos da nossa vida, encontra tantas pessoas, tantas oportunidades de dar amor, de partilhar sorrisos e distribuir abraços. Dar amor não é dar o que nos sobra. Dar amor é dar-nos, é dar a nossa vida, é dar tudo. Dar é das únicas coisas que ao dar se recebe em dobro. Então distribuamos amor e veremos que assim estaremos dando mais vida e cor à nossa vida. Dar acrescenta-nos vida.

Pratiquemos o amor em cada dia. Procuremos em cada momento uma oportunidade de ser feliz mas também de fazer alguém mais feliz. Muitas vezes escutamos que devemos todos deixar o mundo melhor do que o encontrámos. Para mim, o verdadeiro desafio é deixar a pessoa que encontrámos mais feliz, mais plena, mais alegre, mais cheia de amor e de paz do que aquilo que a encontrei. Por isso levo amor aonde quer que vá, deixo sorrisos nos caminhos que percorro e planto paz em cada conversa e em cada vida que encontro.

A vida é importante demais para se levar a sério, importante demais para não nos rirmos de nós, das nossas dificuldades, defeitos e incapacidades. Haja sentido de humor e de amor. Haja a boa vontade de evoluir e ser a cada dia uma pessoa melhor. Cada dia, cada amanhecer é uma nova oportunidade de ser feliz, de viver de amor e de paz. Eu confio que descobri o segredo e por isso vivo dando amor. Por isso vivo partilhando sorrisos, oferecendo abraços, distribuindo paz, compartindo paz. É dando que se recebe, diz-nos São Francisco. Eu que tantas vezes rezei, hoje vivo. Hoje compreendo quão grande é o amor e o quanto se acrescenta em mim em amor sempre que o partilho, sempre que me dou. É uma conta de subtrair em que ganho sempre mais amor é desafio enorme em que é impossível não ganhar em amor.

Paula Ascenção

 

PENSAMENTO DA SEMANA

 

O Ressuscitado pede-nos para renascer, todos os dias,
para nos distanciarmos do nosso pequeno e prepotente eu,
para fazermos viver em nós um Tu maior,
para morrermos para os nossos apegos, as nossas certezas,
para darmos lugar ao deserto e esperarmos pela chuva.
Pela água que desce do céu e faz florescer até a areia.

 

Susanna Tamaro, in O Fogo e o Vento


 

INFORMAÇÕES

 

ADORAÇÃO DO SANTÍSSIMO SACRAMENTO

MANADAS - 5ª feira, 16 de maio, das 10 horas  às 11 horas, seguindo-se a celebração da Eucaristia.

RIBEIRA SECA - 6ª feira, 17 de maio, das 18horas  às 19 horas, seguindo-se a celebração da Eucaristia.

 

NOSSA SENHORA de FÁTIMA na RIBEIRA SECA

Segunda-feira, dia 13 de maio, às 20 horas, recitação do terço, seguida de Eucaristia e procissão de velas até ao Passal.

 

MISSA NO SANTUÁRIO DA CALDEIRA

No próximo domingo, 19 de maio, às 15:30 horas.

 

RECITAL DE ÓRGÃO

No dia 12 de maio, na Igreja Matriz de Santa Catarina da Calheta, haverá um recital de Órgão, realizado por José Carlos Araújo às 21 horas.

 

MARCHA AMIGOS DA RIBEIRA SECA

O Grupo da “Marcha Amigos da Ribeira Seca” informa que vai organizar o bazar que tradicionalmente se realiza no domingo do Espirito Santo e domingo da Santíssima Trindade, na freguesia da Ribeira Seca, por isso nos próximos domingos, irão passar pelas casas da freguesia para quem quiser ajudar a Marcha, contribuindo com géneros ou dinheiro para a compra de prémios.

O Grupo agradece a colaboração de todas as pessoas.


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Destaque

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nº 1015

Pensamento da Semana

 

PENSAMENTO DA SEMANA

 

Educar é produzir um homem feliz e sábio. Educar é produzir um homem que ama o espetáculo da vida. Desse amor, emana a fonte da inteligência. Educar é produzir uma sinfonia em que rimam dois mundos: o das ideias e o das emoções.

 

Há dois tipos de educação: a que informa e a que forma. A educação que informa ensina o homem a conhecer o mundo em que habita; a educação que forma vai além, ensina-o também a conhecer o mundo que ele é.

Augusto Cury

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