Nº 897

 

Os dias supremos da história, da fé e do nosso destino

Começa com o Domingo de Ramos a semana suprema da história e da fé. Nesses dias, que dizemos «santos», nasceu o cristianismo, nasceu do escândalo e da loucura da cruz. Nela se concentra e dela emana tudo o que diz respeito à fé dos cristãos.

Por isso, repentinamente, dos Ramos à Páscoa, o tempo profundo, o tempo da respiração da alma, muda de ritmo: a liturgia abranda, toma outro passo, multiplica os momentos nos quais se acompanha com calma, quase hora a hora, os últimos dias de vida de Jesus: da entrada em Jerusalém à corrida de Madalena na manhã de Páscoa, quando ainda a pedra do sepulcro se reveste de anjos e de luz. São os dias supremos, os dias do nosso destino.

E enquanto que os crentes de todas as fés se dirigem a Deus nos momentos em que estão em sofrimento, os cristãos vão a Deus no tempo do seu sofrimento. «A essência do cristianismo é a contemplação do rosto do Deus crucificado» (Carlo Maria Martini).

Contemplar com as mulheres no Calvário, olhos luzentes de amor e de lágrimas; estar junto das infinitas cruzes do mundo onde Cristo ainda está crucificado nos seus irmãos, na sua carne inumerável, dolente e santa. Como no Calvário, «Deus não salva do sofrimento, mas no sofrimento; não protege da morte, mas na morte. Não liberta da cruz, mas na cruz» (Bonhoeffer).

A leitura do Evangelho da Paixão (Lucas 23,1-49) é de uma beleza que me transtorna: um Deus que me lavou os pés e não Lhe chegou, que deu o Seu corpo a comer e não Lhe chegou; vejo-O, pendente, nu e desonrado, e tenho de virar a cara. Depois volto a olhar a cruz, e vejo alguém de braços abertos que me grita: amo-te. Precisamente a mim? Deita sangue e grita, ou talvez sussurre, para não ser invasivo: amo-te.

Porque é que Cristo foi morto na cruz? Não foi Deus o mandante daquele homicídio. Não foi Ele que permitiu ou pretendeu que fosse sacrificado o inocente no lugar dos culpados. Quantas vezes gritou nos profetas: «Não bebo o sangue dos cordeiros, não como a carne dos touros», «Eu quero amor, e não sacrifício».

A justiça de Deus não é dar a cada um o seu, mas dar-Se a si próprio, a Sua vida, a cada um. Abraçam-se a Incarnação e a Paixão, a mesma lógica prossegue até ao extremo. Jesus entra na morte como entrou na carne, porque na morte entre toda a carne: por amor, para ser connosco e como nós.

Jesus atravessa a morte recolhendo-nos a todos desde as distâncias mais perdidas, e na Páscoa toma-nos dentro do vórtice do Seu ressurgir, arrasta-nos consigo para o alto, no poder da ressurreição.

Ermes Ronchi 

 

 

 

 GENTE COM ALMA

 

A SEMANA SANTA

1ª Parte

 

“Aproximam-se os dias solenes da paixão salvadora e da ressurreição gloriosa em que se renova o mistério da nossa redenção”.

 Com estas ditosas palavras se expressa a liturgia da Igreja para convocar as comunidades cristãs, dispersas entre todos os povos e nações, para a celebração do mistério pascal de Jesus Cristo.

Ao vivermos a Semana Santa – que hoje começa – somos convidados a participar num autêntico retiro espiritual: seguindo os derradeiros passos de Cristo na Terra, somos desafiados a aspirar as coisas do alto e a aprofundar a nossa comunhão com o Salvador que passou da morte à vida.    

Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor

A celebração anual do mistério pascal de Cristo Senhor tem o seu início no Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor.

Hoje as comunidades cristãs são convidadas a recordar – em Procissão de Ramos – a entrada de Jesus na sua cidade de Jerusalém, quando foi aclamado como Filho de David e como o Messias prometido por Deus a Israel.

Na Eucaristia é proclamada a Paixão de Cristo – este ano segundo o evangelista São Lucas – um momento propício para contemplarmos o grande amor de Deus pela humanidade que permitiu que o Seu Filho sofresse a Paixão e a Morte para que alcançássemos a vida eterna.

 

Quinta Feira da Ceia do Senhor   

Neste dia a Igreja reúne os seus fiéis em duas celebrações: a Missa Crismal e a Missa Vespertina da Ceia do Senhor.

A primeira decorre apenas na Sé Catedral de cada diocese, é presidida pelo Bispo e concelebrada por um grande número de padres. Nesta Eucaristia recorda-se a instituição do sacramento da Ordem, os padres são convidados a renovar as promessas sacerdotais e o Bispo procede à bênção dos Óleos dos catecúmenos e dos enfermos e à consagração do Óleo do Crisma.

A Missa da Ceia do Senhor é celebrada nas paróquias, ao cair da tarde. Nela se recorda a instituição da Santíssima Eucaristia no decurso da Última Ceia de Jesus com os seus discípulos.

O gesto do Lava-pés, a procissão com o Santíssimo Sacramento para a capela da reposição e um tempo comunitário de Adoração eucarística são rituais que marcam as celebrações de Quinta feira Santa.

 

Pe. Alexandre Medeiros

 

MEDITAR

 

Às Chagas

 

Divinas mãos, e pés, peito rasgado,
Chagas em brandas carnes imprimidas,
Meu Deus, que por salvar almas perdidas,
Por elas quereis ser crucificado:

 

Outra fé, outro amor, outro cuidado,
Outras dores às vossas são devidas,
Outros corações limpos, outras vidas,
Outro querer no vosso transformado:

 

Em vós se encerrou toda a piedade,
Ficou no mundo só toda a crueza;
Por isso cada um deu do que tinha:

 

Claros sinais de amor, ah saudade!
Minha consolação, minha firmeza,
Chagas de meu Senhor, redenção minha.

Fr. Agostinho da Cruz


 INFORMAÇÕES

ADORAÇÃO DO SANTÍSSIMO SACRAMENTO

 

RIBEIRA SECA - 3ª feira, 16 de abril, das 17h00  às 18 horas, seguindo-se a celebração da Eucaristia.

MANADAS - 4ª feira, 17 de abril, das 10 horas  às 11 horas, seguindo-se a celebração da Eucaristia.

 

VISITA DO PÁROCO AOS DOENTES

Norte Grande -  2ª feira, 15 de abril, a partir das 10 horas.

 

CONFISSÕES

Calheta - 3ª feira, a partir das 19 horas.

 

CLÍNICA DOS BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS DA CALHETA

A Direção da Associação de Bombeiros Voluntários da Calheta informa que estará na Clínica da Instituição o Dr. Tiago Ribeiro, osteopata (massagem terapêutica), de 16 de abril a 3 de maio; Dr.ª Renata Gomes, Cardiologista, em maio; Dr.ª Paula Pires, Neurologista e Neuropediatra, em maio; Dr.ª Alexandra Dias, Pediatra, em junho; Dr. Brasil Toste, Otorrinolaringologista, em junho; Dr.ª Lourdes Sousa, Dermatologista, em agosto; Elisabel Barcelos, Psicóloga Clinica e Formadora, nas áreas de avaliação Psicológica de Condutores (Testes psicotécnicos), Avaliação Psicológica, acompanhamento Psicológico e formação em temas ligados à Saúde Mental e /ou Psicologia, quintas e sextas-feiras.

Os interessados podem fazer as suas marcações para os números 295 460 110/ 295460111.


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