Nº 874

 A QUEM AMA, NADA LHE FALTA

 

Quem é alívio, esperança e força para o outro, nada de melhor pode ser. Para aquele a quem ama e para si mesmo.

 

Ser alívio é ser leve e ajudar a carregar o peso do outro. É não deixar jamais de estar atento ao caminho que ele percorre e acompanhá-lo quando ele o pedir. É perdoar mesmo quando não parece justo mas for essencial. Ser alívio é voar e emprestar as próprias asas para que o outro se possa levantar.

 

Amar é esquecer-se de si. Encontrar no amor que se entrega o sentido da própria vida.

 

Ser esperança é fazer tudo para que o outro seja livre e mantenha o seu coração aberto aos grandes sonhos. É não desistir jamais de, pelo exemplo, ensinar o que pode e deve ser feito com vista a realizarmos os nossos dons, as nossas razões de ser. Ser esperança é ser capaz de esperar o tempo que for preciso, ainda que seja maior do que esta vida.

 

Amar é ser paciente. Sofrer sem deixar de esperar o melhor.

 

Ser força é reconhecer e enfrentar as fraquezas. As próprias e as do outro. Sem nunca deixar de lutar, por maiores e mais dolorosas que sejam as feridas. Ser forte não é buscar descanso, é sim combater as preguiças e os orgulhos. Com humildade, aceitar que não se pode fazer tudo, mas que se deve fazer o tudo que está ao nosso alcance.

 

Amar é ser corajoso. Andar sempre para diante, mesmo quando a vontade é ficar.

 

Será possível amar e ser feliz? Amar exige sofrimentos que nos deixam no polo oposto onde imaginamos a felicidade. Mas não será que é a própria dor que nos revela a verdade a respeito de nós mesmos? Pode alguém ser feliz sem amor? Sem amar e ser amado?

 

O Amor pode tudo. Amar é ser senhor do impossível.

José Luís Nunes Martins

 

XXXI DOMINGO DO TEMPO COMUM

A liturgia do 31° Domingo do Tempo Comum diz-nos que o amor está no centro da experiência cristã. O caminho da fé que, dia a dia, somos convidados a percorrer, resume-se no amor a Deus e no amor aos irmãos – duas vertentes que não se excluem, antes se complementam mutuamente.

A primeira leitura apresenta-nos o início do “Shema’ Israel” – a solene proclamação de fé que todo o israelita devia fazer diariamente. É uma afirmação da unicidade de Deus e um convite a amar a Deus com todo o coração, com toda a alma e com todas as forças.

O Evangelho diz-nos, de forma clara e inquestionável, que toda a experiência de fé do discípulo de Jesus se resume no amor – amor a Deus e amor aos irmãos. Os dois mandamentos não podem separar-se: “amar a Deus” é cumprir a sua vontade e estabelecer com os irmãos relações de amor, de solidariedade, de partilha, de serviço, até ao dom total da vida. Tudo o resto é explicação, desenvolvimento, aplicação à vida prática dessas duas coordenadas fundamentais da vida cristã.

A segunda leitura apresenta-nos Jesus Cristo como o sumo-sacerdote que veio ao mundo para cumprir o projeto salvador do Pai e para oferecer a sua vida em doação de amor aos homens. Cristo, com a sua obediência ao Pai e com a sua entrega em favor dos homens, diz-nos qual a melhor forma de expressarmos o nosso amor a Deus.

 

 

GENTE COM ALMA (7)

 

SÃO MARTINHO DE PORRES (1579 – 1639)

Vamos fazer uma nova viagem! Desta vez, vamos entrar a bordo de uma nau do império espanhol e o nosso destino será a cidade de Lima, capital do Peru.    

Ao desembarcarmos neste país da América Latina, vamos ir ao encontro da gloriosa memória de São Martinho de Porres – um religioso dominicano que marcou a Igreja e sociedade peruana pela simplicidade da sua vida e pela extrema bondade com que fazia resplandecer o Evangelho de Jesus Cristo.

Martinho nasceu em Lima, a 9 de dezembro de 1579, filho de um nobre espanhol, João de Porres e de uma mestiça alforriada, Ana Velásquez. Ainda jovem, entra no convento de Nossa Senhora do Rosário, onde a 2 de janeiro de 1603, professa solenemente na Ordem dos Pregadores.

Exercendo o ofício de enfermeiro, Martinho cuidava com extremo carinho de todos os doentes – cuidava das suas feridas e fazia baixar as febres, mas sobretudo, levava imensa alegria e ternura às almas e aos corações dos seus enfermos.

São Martinho de Porres destacou-se também pela incansável caridade com que servia os mais pobres. Da cidade de Lima e dos seus arredores, acorriam à bondade do Irmão Martinho uma multidão de famintos, de indigentes e de sem abrigo – todos sabiam ser acolhidos com o pão, a ternura e o simpático afeto do nosso santo.

Mas os cuidados de São Martinho não se limitavam aos seres humanos. Ele nutria um carinho especial pelos animais domésticos que coabitavam o seu convento. Arranjou uma estratégia para que todos eles – galinhas, cães, gatos e ratos – tivessem a sua ração diária de comida, evitando assim a algazarra na cozinha conventual.

A sua imensa bondade, a sua comovente delicadeza e a sua incansável caridade nasciam da sua profunda relação com Jesus Cristo. Passava grande parte da noite em adoração diante do Santíssimo Sacramento, aprendendo a percorrer duma forma cada vez mais perfeita, os caminhos do Evangelho.

São Martinho de Porres veio a falecer na sua cidade de Lima, a 3 de novembro de 1639. O Papa São João XXIII proclamou a santidade deste notável peruano a 6 de maio de 1962, apelidando-o como “Martinho da Caridade”!

 Padre Alexandre Medeiros

 

CONTO (674)

 

CORAÇÃO LUMINOSOS

- Tens um coração tão luminoso, tão transparente, dá para ver o fundo da alma. É como aquelas praias de águas azuis, tão límpidas que podemos ver a areia no fundo. Como é que consegues ter um coração assim? O meu tem vindo a perder a cor e o brilho. Se calhar dou-lhe demasiado uso.

- Estás enganado. Há coisas que, quanto mais se usam, menos se gastam. Assim é o coração.

- Então, como é que fazes para conseguir essa luz?

- Nada de especial. Costumo passar um paninho nas ofensas e nas palavras azedas. Não deixo secar para não ficar nódoa. Às vezes, dou um passeio à chuva. É revigorante. Lava a alma e desanuvia o coração. Ah, e outra coisa.

Há quem use papel de jornal para conseguir mais brilho, mas experimenta usar papel de carta e escrever a alguém ou desabafar. Ou ler umas páginas de poesia. O brilho é muito mais intenso.

Lado.a.lado

 

PENSAMENTO DA SEMANA

 Aprender a amar é: aceitar, respeitar, ser paciente, tolerante, misericordioso e, não menos importante, aprender a rir-se de si mesmo. Só o que é reconhecido e aceite pode ser redimido. Esta aceitação, rompendo com os mecanismos defensivos e protetores, dispõe-nos para nos colocarmos com serenidade e confiança sob o olhar de Deus, tal como somos, por inteiro, sem nenhuma necessidade de dissimular. 

 

Carlos Maria Antunes, in Atravessar a própria solidão


 INFORMAÇÕES

 

ADORAÇÃO DO SANTÍSSIMO SACRAMENTO

BISCOITOS - 3ª feira, 6 de novembro, das 17 horas às 18 horas, seguindo-se a celebração da Eucaristia

MANADAS - 5ª feira, 8 de novembro, das 10 horas às 11 horas, seguindo-se a celebração da Eucaristia

RIBEIRA SECA - 6ª feira, 9 de novembro, das às 17 horas às 18 horas, seguindo-se a celebração da Eucaristia


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Nº 1056

Pensamento da Semana

 

PENSAMENTO DA SEMANA

 

Há três tipos de pessoas misericordiosas...

 

As primeiras dão os seus bens para complementar, com o que lhes é supérfluo, a penúria dos outros.

As segundas distribuem todos os seus bens e, para eles, daí por diante, tudo fica em comum com os outros.

Quanto às terceiras, não somente dão tudo, como também «se dão a si mesmos totalmente».

 

Isaac de l'Étoile (?-c. 1171), monge cisterciense,

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