Nº 827

 

Esperas por mim?
O Natal entristece-me mais do que seria suposto. Lembro-me de quem já não está. Custa-me dizer que me morreram pessoas. Mas é essa a verdade. Lembro-me do que diziam e do que calavam. Do que riam e do que choravam. Lembro-me do que gostavam mais de comer, do tanto que me diziam mesmo que não proferissem palavra alguma. Lembro-me dos lugares vazios e da impossibilidade de os substituir. Lembro-me do embargo que fica no peito de cada vez que, à mesa do Natal, sentimos a falta dos que nos morreram. Dos que não se despediram.Depois, lembro-me dos postais que já não escrevo porque as tecnologias os quiseram atirar para debaixo do tapete. Lembro-me das pessoas que se afastaram da minha vida e dos meus dias e que já não merecem o meu “feliz natal”. Nem mesmo por cortesia.Lembro-me de todos aqueles que não conheço e para quem o Natal não é, senão, um dia a mais. Ou a menos. Lembro-me dos que achariam ridícula esta minha nostalgia entristecida perante as dificuldades da sua própria vida. Lembro-me dos que lutam lado a lado com uma doença que julgam não conseguir ganhar. Dos que estão à espera de uma notícia que não chega. Dos que têm saudades. Dos que têm esperança no que já não volta. Dos que decidiram não voltar. Dos que largaram os remos e desistiram do rio em que estavam. Dos meninos que continuam em África sem sapatos e sem um prato de comida. Dos que não se lembram que é Natal.
 
Lembro-me dos amigos que se contam pelos dedos de uma mão e pergunto-me por onde andarão todos os outros com quem troquei promessas de futuro e de para-sempres. Lembro-me do que ficou por dizer e parece-me oportuno devolver perdão em vez de sobrolhos franzidos e raivas de estimação.
 
 

 

Perante os cenários que as minhas palavras quiseram desenhar, é quase impossível não ficar ligeiramente entorpecido de tristeza. Mas não são estas as últimas palavras que quero deixar nesta crónica.Quero lembrar-me (quando a tristeza me quiser fazer esquecer) que conheço uma criança que mudou a minha vida. É um rapaz moreno e pequenito. Tem olhos engordados de esperança e de luz. Os cabelos despenteados. Uma camisola velha e rasgada num dos cotovelos. Umas calças largas e rotas num dos joelhos. Ao peito repousa uma cruz de madeira escura. Não sei que idade tem. Disse-me apenas o nome. “Sou o Jesus do presépio”. Disse-lhe, eu, que me parecia um pouco crescido demais para ser o menino Jesus do presépio. Explicou-me que tinha crescido à pressa para poder correr atrás de quem não quer correr atrás dele. Ia numa corrida desenfreada quando passou por mim mas deteve-se. Olhou para dentro dos meus olhos e disse-me como quem perguntava:- Eu volto. Esperas por mim?
 
 

 

Marata Arrais (Adaptado)

 

 II DOMINGO DO ADVENTO
O caminho do amor
Um pai contou-me, emocionado, uma lição que recebera da sua filha mais nova. Durante a missa do passado fim de semana, o Padre falou da preparação que era preciso fazer para o Natal. A miúda, desde a Igreja até casa, não parou de pedir coisas ao Pai, que comprasse isto, aquilo e mais outra coisa e tal. Por fim o pai perdeu a paciência (e só se perde aquilo que se tem):

 

– Compra-me isto! Compra-me aquilo! – explodiu – E tu? Já pensaste o que é que vais dar aos teus pais? Só falas em ti. E nós? O que tens para nos dar?

 

A resposta da filha deixou-o sem palavras:

 

– Só tenho amor. Disse simplesmente.

 

O amor é o lugar de encontro onde se cruzam os caminhos de Deus e o dos homens. Preparar os caminhos do Senhor é afinal apurar o coração, afinar o amor, partilhar aquilo que afinal todos têm. O amor deve ser a única coisa que quanto mais se dá mais se terá.

 

Deus amou de tal maneira o mundo que lhe enviou o Seu Filho. Foi o amor que nos trouxe o Salvador. Só o mesmo Amor que nos levará até Ele. É preciso amar a Deus servindo os irmãos e ao mesmo tempo amar os irmãos servindo a Deus.

 

Pe. José David Quintal Vieira, scj
 
MEDITAR
 
Imagina um Natal sem Jesus...

 

«Disseram-me que o Natal era... mas eu vejo...»

 

 

 

Disseram-me que o Natal deu à luz o direito de nascer.

 

Mas eu vejo tantos que dão às trevas o direito de matar.

 

 

 

Disseram-me que o Natal era uma Criança.

 

Mas eu vejo que, para muitos, é um velho: o Pai Natal dos brinquedos.

 

 

 

Disseram-me que o Natal fez aliança entre dois mundos: o mundo de Deus e o mundo dos homens.

 

Mas eu vejo um "terceiro mundo" sem Deus e quase sem pessoas.

 

 

 

Disseram-me que o Natal era a festa da família.

 

Mas eu vejo tantas pessoas sem família e tantas famílias sem Natal.

 

 

 

Disseram-me que o Natal era a Paz entre os homens de boa vontade.

 

Mas eu vejo que de boa vontade apenas resta: "Se queres a paz, prepara a guerra".

 

 

 

Disseram-me que o Natal era o dia mais feliz das crianças.

 

Mas eu vejo crianças com fome no dia de Natal.

 

 

 

Disseram-me que o Natal era o dia da fraternidade universal.

 

Mas eu vejo pessoas a odiarem-se no dia de Natal.

 

 

 

Disseram-me que o Natal proibiu o Sol de se apagar.

 

Mas eu vejo homens que proíbem a noite de amanhecer.

 

 

 

Frei Manuel Rito Dias, in Livro da Vida
 

Dá-nos um coração claro que veja o céu aberto
e o mundo como os olhos de uma criança,
olhos de confiança e de descoberta
que nos salvem dos hábitos.

 


 

INFORMAÇÕES
Manadas - terça-feira, 12 de dezembro, das 17h às 18h, seguindo-se a celebração da Eucaristia.

 

15 de dezembro, das 18h às 19h, seguindo-se a celebração da Eucaristia.

 

MISSA NO SANTUÁRIO DA CALDEIRA DE SANTO CRISTO

 

No próximo domingo, 17 de dezembro, haverá a habitual missa no Santuário da Caldeira de Santo Cristo às 15:30 horas.

 

SACRAMENTO DA PENITÊNCIA - CONFISSÕES

 

Biscoitos - segunda feira, 11 de dezembro das 17h às 18h.

 

Velas - segunda-feira, 11 de dezembro das 17h às 18h.

 

Norte Pequeno - quarta-feira, 13 de dezembro a partir das 14 horas

 

Norte Grande - quarta-feira, 13 de dezembro a partir das 15 horas

 

Santo António - quarta-feira, 13 de dezembro a partir das 16 horas
Ribeira Seca - sexta-feira, 15 de dezembro das 18h00 às 19 horas.

 

 

 

SOLIDARIEDADE

 

Informo que o resultado da onda de solidariedade que se gerou para apoiar o Campo de Refugiados do Sudão foi de 2.008,00 euros. O objetivo era arranjar mil euros para poderem fazer um furo de captação de água. Graças à generosidade de todos conseguimos muito mais. O dinheiro angariado foi enviado, na totalidade, para a Congregação das Missionárias, que presta apoio a este Campo de Refugiados. O meu obrigado a todos.

 

Partilho mensagem da irmã Dorinda.
“Olá Ana, muito obrigada por todo o vosso trabalho missionário. E eu agora como vou conseguir agradecer todo o vosso trabalho? Tenho pensado muito na vossa generosidade e não me canso de dar graças a Deus por vós. Tenho a certeza de que Deus vos tem muito aconchegadinhos ao seu coração. As necessidades aqui são enormes, mas são os pequenos gestos que dão vida a muita desta gente. Um grande beijinho e muito agradecida.”

 

 
 
 
 Ana Almeida

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Pensamento da Semana

 PENSAMENTO DA SEMANA

 

Deus talvez goste mais de habitar na paixão do coração do que nas certezas da razão.

Tomás Halík

 

 

Vai chegar o tempo, e não vai demorar muito, que nós teremos 
especial predileção pelos que 
preferirão a discrição, o silêncio, 
o anonimato.

Pe. Fábio de Melo

 

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