Nº 820

 

Onde mora a (tua) culpa?
A culpa é um sem-abrigo. Não tem casa nem mora em lugar algum. Vagueia pelas ruas e pelos dias como se fosse sempre de noite. Traz às costas um saco do tamanho do azul que tem o Céu. Cheio de nomes. O meu. O teu. O nosso. O do vizinho. O da vizinha. O deste. O daquele. O do outro. Deve ser por vivermos num mundo de avessos que não somos nós que andamos com a culpa às costas. É a culpa que nos carrega. Não sei, exatamente, em que momento quisemos deixar de assumir as nossas responsabilidades. Não sei, exatamente, em que altura nos demitimos daquilo que é feito com as nossas mãos e, no fundo, com a nossa consciência. O que me parece é que estamos empenhados em construir um mundo incapaz de receber a culpa como uma peça que faz parte do puzzle. O que me parece é que estamos decididos a não enfrentar o que nos pertence.
 

 

A culpa é um sem-abrigo. Não tem rumo nem se orienta por mapas ou pontos cardeais. Deambula pelas ruas de mão esticada, à espera de receber o que devia ser seu por direito. Traz, no lado de lá da cor dos olhos, uma tristeza que não é sua. Uma mágoa que não combina com o seu rosto ainda pouco envelhecido. Já não fala nem tenta dirigir palavras a ninguém. Ainda canta. Uma canção maçadora que se entrelaça, pegajosa, na memória do coração. Ninguém a ouve. Ninguém a vê.
 

 

Não se acendem luzes novas. Não se descobrem novos caminhos. Não se reparam as feridas velhas. Não se ama com verdade. Não se faz nada que surpreenda as estrelas centenárias que há no Céu. Estamos a diminuir. A ficar pequeninos de tanta falta de coragem.
 
A culpa nunca é nossa. É varrida cobardemente para debaixo de um qualquer tapete que não tenha nada que ver connosco. A culpa nunca é nossa. Não a recebemos nem fazemos dela bandeira porque, na realidade, nos envergonhamos daquilo que fizemos. Daquilo que fomos. Daquilo que deixámos ser. A culpa não é nossa. É de quem não está. De quem não viu. De quem não sabe nem ouve. E a culpa continua a aparecer pelas ruas que não são de ninguém. Lutando para se fazer ver e ouvir.
 

 

No dia em que percebermos que a culpa também é nossa, pode ser que possamos merecer, finalmente, o descanso que (ainda) temos.
 

 

Acorda. A culpa também é tua. 

 

Marta Arrais

 

 
XXIX DOMINGO DO TEMPO COMUM
Imagem de Deus
Um dia as Irmãs da Caridade recolheram um mendigo, lavaram-no, deram-lhe de comer, aconchegaram-no. Quando recuperado e lúcido, este homem pediu à Irmã Teresa de Calcutá:
– Dizei-me o vosso nome. Nenhum humano fazia por mim o que vós fizestes. Vós deveis ser deusas. Que posso fazer para servir a vossa divindade?
– Não, não somos deusas. Tu é que és para nós imagem de Deus. Nós fizemos tudo isto porque reconhecemos em ti o nosso Deus.
É preciso retribuir a Deus o que é de Deus e a César o que é de César.
A mensagem de Jesus é muito subtil. A moeda deve ser restituída a César, porque nela está impressa a sua imagem. Há uma criatura sobre a qual está impressa a imagem de Deus. Esta é Sua e mais ninguém pode apropriar-se dela.
Deus criou o homem à Sua imagem e semelhança, à imagem de Deus Ele o criou. O Homem é esta criatura que não pode pertencer a mais ninguém senão a Deus. Ninguém poderá dominá-lo, escravizá-lo, oprimi-lo como se fosse um objeto de sua propriedade porque é sagrado.
É preciso respeitar a imagem de Deus que está impressa no rosto de cada pessoa. Não será tarefa fácil pois só os puros de coração verão a Deus.
Dar a Deus o que é de Deus só se entende se eu me der todo.
Pe. José David Quintal Vieira, scj
 
MEDITAR
Parte para além de ti

 

Parte, parte para além de ti,

 

Olha a seara que é grande

 

Em risco de se perder.

 

Parte, olha bem perto e ao longe,

 

É toda uma multidão

 

Que tem ânsia de viver.

 

Parte, parte para além de ti,

 

Olha que o mundo espera

 

Teu sorriso de candura.

 

Parte, olha bem perto e ao longe,

 

É toda uma multidão

 

Que precisa do teu servir

 

E te espera nesta aventura.

 

Parte, parte para além de ti,

 

São os pobres e aflitos

 

Que te aguardam com esperança.

 

Parte, olha bem perto e ao longe,

 

Em cada rosto verás um apelo à confiança.

 

Parte, parte para além de ti,

 

Em cada rua ou esquina

 

Há um desalento, um cansaço.

 

Parte, olha bem perto e ao longe

 

É toda uma multidão que espera o teu abraço.

 

Parte, parte para além de ti,

 

Olha o mundo ao redor

 

E os gritos por justiça e paz.

 

Parte, olha bem perto e ao longe,

 

Não temas pôr as mãos na massa,

 

E fazer o bem de que és capaz.

 

Parte, parte para além de ti,

 

E luta pela dignidade.

 

Parte, olha bem perto e ao longe,

 

É toda uma multidão

 

Que tem sede de verdade.

 

Parte, parte para além de ti,
Olha a seara que é grande
E grita por transformação.
Parte, olha bem perto e ao longe:
É toda uma multidão e cada rosto um irmão!
Parte!
Cristina Duarte
 
CONTO (669)
 
O PÃO QUE CAIU COM O LADO ERRADO
 
Um homem tomava despreocupadamente o seu pequeno-almoço. De repente, o pão onde acabara de pôr manteiga caiu no chão.
Qual não foi a sua surpresa quando, ao olhar para baixo, viu que a parte onde tinha posto a manteiga estava virada para cima! O homem achou que tinha presenciado um milagre; animado, foi conversar com os seus amigos sobre o que tinha acontecido, e todos ficaram surpreendidos, porque o pão, quando cai no chão, fica sempre com a parte da manteiga virada para baixo, a sujar tudo.
- Talvez sejas um santo - disse um - e estás a receber um sinal de Deus.
A história correu logo pela pequena aldeia, e todos se puseram a discutir animadamente o que acontecera: como é que, contrariando tudo o que se dizia, o pão daquele homem tinha caído no chão daquela maneira? Como ninguém conseguia encontrar uma resposta adequada, foram procurar um Mestre que morava nas redondezas, e contaram-lhe a história.
O Mestre pediu-lhes uma noite para rezar, refletir, pedir inspiração divina. No dia seguinte, foram todos ter com ele, ansiosos por uma resposta.
- A solução é muito simples - disse o Mestre. - Na verdade, o pão caiu no chão exatamente como devia cair; a manteiga é que tinha sido posta do lado errado.
Jean Claude Carriére

 

Se encontrares uma fonte,
dá de beber ao pobre.
Se encontrares uma árvore, 
dá de comer ao pobre.
Se encontrares o tesouro no teu coração,
dá amor ao pobre.
Paulo Morgado
 
 

 

INFORMAÇÕES
 

 

Manadas - quinta-feira, 26 de outubro, das 17 às 18 horas, seguindo-se a celebração da Eucaristia.

 

MUDANÇA DE HORA

 

No próximo fim de semana muda a hora. À uma hora da manhã de sábado para domingo os relógios devem ser atrasados em sessenta minutos.

 

 

 

MUSEU FRANCISCO LACERDA

 

O Museu Francisco de Lacerda promove no próximo dia 28 de outubro, sábado, pelas 15h00,  uma sessão de leitura para bebés,  dos 6 aos 24 meses de idade, orientada por Ana Janeiro Couto.

 

A participação é limitada e as inscrições devem ser enviadas para o seguinte endereço eletrónico: museu.flacerda.info@azores.gov.pt, ou pelo número 295 416 323 ou diretamente no Museu Francisco de Lacerda.

 

Iniciativa tem como tema «A Alegria do Encontro com Jesus Cristo»
A Igreja Católica em Portugal vai promover de 29 de outubro a 5 de novembro a Semana Nacional da Educação Cristã 2017, apresentando o amor como marca distintiva da proposta católica.
“A essência da lei, o segredo da vida, está no total e incondicional amor a Deus, como condição e medida para o igualmente indispensável amor ao próximo. Amemos assim, e veremos o que será de nós”, refere a nota pastoral para esta iniciativa, publicada pela Comissão Episcopal da Educação Cristã e Doutrina Fé (CEECDF).

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Pensamento da Semana

 

PENSAMENTO DA SEMANA

 

O mínimo que nos é exigível
é o máximo que somos capazes de fazer.
Nas coisas simples do dia-a-dia.
Ser da maior bondade possível no quotidiano.
A bondade é a maior de todas as qualidades. ...

Inclui a beleza, a justiça e a verdade.

Manuel António Pina

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