Nº 770

 

A solidão crónica, uma fome de amor
Nunca como hoje houve tantas formas de comunicar. No entanto, a solidão profunda atinge cada vez mais gente.  
 A solidão pode aumentar a concentração, melhorar a empatia, estimular a criatividade, reparar forças e até promover a consciência do valor próprio, mas apenas enquanto estado voluntário e passageiro. Quando se experimenta de forma profunda, deixa de haver vantagens… apenas sacrifícios.
 Quando há um desencontro entre a quantidade e a qualidade das relações que se têm e aquelas que se desejam, é tempo de solidão.
 O frio da solidão é um sinal de alerta para que se procure o que falta.
 Quando a solidão se torna profunda, as pessoas tendem a desistir. Podem ter família, amigos e seguidores nas redes sociais, mas, na verdade, não se sentem em sintonia com ninguém.
 Há dois tipos de solidão. A que resulta da falta de alguém concreto para desempenhar um papel específico na nossa vida; e aquela que decorre da falta de uma rede mais alargada de amigos e conhecidos que reconheçam o nosso valor. Ambas causam danos profundos.
 Na infância, há brincadeiras que tentam preencher o vazio através da imaginação. Na velhice, a solidão faz com que as pessoas se percam nos seus passados. Os adultos fazem um pouco de tudo isso. Umas vezes sonham, outras fazem de conta, outras ainda pairam sobre os dias que passaram. E é assim que se enganam a si mesmos e se fecham ainda mais…
 Se alguém está triste e irritado, talvez seja a sua forma de pedir que alguém o ajude. Não será fácil, tão pouco imediato, pois chega-se a esse estado depois de muitas ilusões e desilusões. Mais do que esperança é preciso levar-lhe amor em forma de paciência.
 A solidão é um problema dos cuidadores.
sermos sós faz parte de nós. A nossa vida é algo que só pode ser experimentado de forma pessoal. Por mais que tentemos comunicar o que se passa à nossa volta e dentro de nós… fica sempre muito por dizer.
 Por vezes a partilha de um tempo em silêncio, a simples presença ali, sem pressas, é muito mais forte do que qualquer discurso.
José Luís Nunes Martins (Adaptado)
 
XXXII DOMINGO TEMPO COMUM
A liturgia deste domingo propõe-nos uma reflexão sobre os horizontes últimos do homem e garante-nos a vida que não acaba.

 

Na primeira leitura, temos o testemunho de sete irmãos que deram a vida pela sua fé, durante a perseguição movida contra os judeus por Antíoco IV Epifanes. Aquilo que motivou os sete irmãos mártires, que lhes deu força para enfrentar a tortura e a morte foi, precisamente, a certeza de que Deus reserva a vida eterna àqueles que, neste mundo, percorrem, com fidelidade, os seus caminhos.

 

No Evangelho, Jesus garante que a ressurreição é a realidade que nos espera. No entanto, não vale a pena estar a julgar e a imaginar essa realidade à luz das categorias que marcam a nossa existência finita e limitada neste mundo; a nossa existência de ressuscitados será uma existência plena, total, nova. A forma como isso acontecerá é um mistério; mas a ressurreição é uma certeza absoluta no horizonte do crente.

 

Na segunda leitura temos um convite a manter o diálogo e a comunhão com Deus, enquanto esperamos que chegue a segunda vinda de Cristo e a vida nova que Deus nos reserva. Só com a oração será possível mantermo-nos fiéis ao Evangelho e ter a coragem de anunciar a todos os homens a Boa Nova da salvação.

 

Dehonianos

 

 
MEDITAR
SOU UM LOUCO DE CRISTO

 

"Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem;

 

mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus." (1 Cor. 1,18)

 

 
Às vezes arrepio-me com aquilo em que acredito e testemunho.
Fico horas e horas a pensar na mensagem que este Deus me deixou.
Afinal de contas eu creio num Deus que se fez Homem.
Num Deus que viveu como eu.
Num Deus que conviveu com a alegria, com a dor, com a tentação...
Eu sou testemunha de um Deus que ressuscitou.
Haverá maior loucura?
Não bastava apenas acreditar num Deus...
Eu tive que me fascinar por Aquele que desceu dos Céus.
Que quis estar entre nós concretamente...fisicamente.
E como é difícil viver e dar a conhecer tudo isto.
Era bem mais fácil não ter que acreditar.
Era tudo muito mais simples não ter que confiar na Sua palavra.
Talvez até seria bem mais livre se não O testemunhasse, mas...
A verdade é que não O consigo abandonar.
Não consigo desistir.
Não consigo deixar de mostrar ao Mundo que o que tenho é muito mais que uma "fésada".
Não consigo deixá-Lo sozinho depois de tanto amor, de tanta misericórdia e compaixão. Arrepio-me e alegro-me por confiar num Deus que é Pai.
Arrepio-me e alegro-me por saber que tudo ganha sentido quando olho para a Cruz.
Foi com Ele que descobri que o amor não tem a forma de um coração...
Foi com Ele que entendi que o verdadeiro amor tem a forma de uma Cruz!
E é na Cruz que toda a vida acontece.
É na Cruz que toda a vida renasce e faz sentido.
É na Cruz que nasce a minha loucura.
Uma loucura de um amor sem fim. Uma loucura que dá alento.
Uma loucura que dá rumo. É verdade que sou um louco, mas a minha loucura não mata.
A minha loucura não cega. A minha loucura não renega a vida.
A minha loucura cria vida. Cria laços. Cria humanidade.
Não me importo de ser louco, porque eu não sou um louco normal.
Sou um louco de Cristo e isso faz toda a diferença. 

 

Emanuel António Dias

 

 
CONTO (627)
 
O FERRO VELHO DAS ALMAS
 
Era uma vez um ferreiro que, após uma juventude cheia de excessos, resolveu entregar a sua vida a Deus.
Durante muitos anos, ele trabalhou com afinco e praticou a caridade. Mas apesar de toda a sua dedicação, nada parecia dar certo na sua vida. Muito pelo contrário: os problemas e as dúvidas acumulavam-se cada vez mais.
Uma bela tarde, um amigo que o visitava e que se compadecia da sua situação difícil comentou:
– É realmente estranho que, justamente depois de teres resolvido tornar-te temente a Deus, a tua vida começasse a piorar. Eu não desejo enfraquecer a tua fé, porém, apesar de toda a tua crença no mundo espiritual, nada tem melhorado.
O ferreiro não respondeu imediatamente. Ele já tinha pensado nisso muitas vezes, sem entender o que acontecia na sua vida. Entretanto, como não queria deixar o amigo sem resposta, comentou:
– Eu recebo nesta oficina o aço ainda não trabalhado e preciso de o transformar num utensílio. Você sabe como isso é feito? Primeiro, eu aqueço a chapa de aço num calor infernal, até que fique vermelha. Em seguida, sem qualquer piedade, eu pego no martelo mais pesado e aplico golpes até que a peça adquira a forma desejada. Depois é mergulhada num balde de água fria, e a oficina enche-se com o barulho do vapor, enquanto a peça estala e grita por causa da súbita mudança de temperatura. Tenho que repetir esse processo até conseguir o utensílio perfeito: uma vez apenas não é suficiente.
O ferreiro fez uma pausa, depois continuou:
– Às vezes, o aço que chega até às minhas mãos não consegue aguentar esse tratamento. O calor, as marteladas e a água fria acabam por enchê-lo de rachaduras. E eu sei que jamais se transformará num bom utensílio. Então, e simplesmente, coloco-o no monte de ferro-velho que viste à entrada de minha ferraria.
Mais uma pausa, e o ferreiro concluiu:
– Sei que Deus me coloca no fogo das aflições. Tenho aceite as marteladas que a vida me dá e, às vezes, sinto-me tão frio e insensível como o aço que sofre na água. Mas a única coisa que peço é: «Meu Deus não desistas, até que eu consiga tomar a forma que esperas de mim. Tenta da maneira que achares melhor, pelo tempo que quiseres, mas jamais me coloques no ferro-velho das almas.»
Osvino Tailler, in 100 Estórias de Vida e Sabedoria
 

 

Só são grandes diante de Deus aqueles que se têm por pequenos.
 
S. Francisco de Borja

 


 

INFORMAÇÕES
ADORAÇÃO DO SANTÍSSIMO
Ribeira Seca - quinta-feira, 10 de novembro, das 17 às 18 horas, seguindo-se a celebração da Eucaristia.         Manadas - sexta-feira, 11 de novembro, das 17 às 18 horas, seguindo-se a celebração da Eucaristia.

 


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Pensamento da Semana

 

Um anjo nunca se faz conhecer, nós só sabemos que ele esteve connosco quando ele parte. Porque deixa-nos na vida um perfume, deixa-nos na vida um desassossego.

 

Erri de Luca, in Em nome da mãe

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