Nº 719

 

QUERER TUDO É QUERER POUCO

 
Queremos ser tudo ao mesmo tempo.
Queremos ser colo para quem não tem onde poisar as dores. E, ao mesmo tempo, queremos ter colo para embalar e adormecer as nossas falhas.
 Queremos ser fortes a ponto de nunca precisar de nada nem de ninguém. E, ao mesmo tempo, queremos que os outros percebam e vejam que precisamos sempre de mais do que conseguimos dizer.
 Queremos ser imbatíveis. Insuperáveis. Inesquecíveis. Inigualáveis. E, ao mesmo tempo, queremos passar despercebidos e rezamos para que nos não leiam as entrelinhas.
 Queremos ser enormes. Fazer a diferença. Mudar o mundo. Queremos ser heróis e voar acima de todas as dificuldades. Queremos fintar impossíveis com a pontinha do pé.
 O problema é que, ao mesmo tempo, queremos caber na mão de quem nos ama e amanhece. Queremos ser pequenos a ponto de nos perdermos de nós próprios e do mundo, caso precisemos de fugir.
 Queremos ser a coragem que ninguém tem e a garra que o mundo já perdeu. E, ao mesmo tempo, queremos descansar do que a vida nos exige.
 Queremos ser esperança para quem anoiteceu. E, ao mesmo tempo, queremos ter esperança nas nossas noites.
 Queremos abrir a porta para que a vida passe. E, ao mesmo tempo, queremos que a vida abra todas as portas para que possamos passar.
 Queremos mais. Depois menos. Agora não tão pouco. Talvez mais ainda.
 Escrevo agora com palavras mais baixinhas para que as possam ler com os ouvidos…
Não sabes o que queres.
Não sabes o que queres.
 Eu sei. Queremos ser tudo. Ao mesmo tempo. E, na verdade, quem quer ser tudo ao mesmo tempo quer ser muito pouco. Deixemos os tudos para Deus, que quis ser casa e raiz em nós. Talvez seja isto que o Pai nos diz: que saibamos querer ser pouco. Um bocadinho de cada vez. Sem pressas, nem empurrões ao futuro.

 

Hoje, um pouco.
Amanhã, um pouco mais.

 

Dizem que, quando se multiplica o pouco, o resultado é muito. Houve vezes em que o pouco chegou até a transformar-se em infinito. Mas, para isso, é preciso querer ser pouco muitas vezes.

 

Marta Arrais
 
Aprender da figueira
No Evangelho deste fim de semana, Jesus Cristo convida-nos a aprender da figueira.

 

Que lições podemos receber desta árvore tão simples?

 

Três lições: uma lição de fé, outra de esperança e outra de caridade.

 

Tal como aquela árvore tem as suas raízes bem firmes na terra, assim cada crente é chamado a firmar a sua fé, a ser concreto, a ter os pés bem assentes no chão, a ser humilde, a sujar-se com o pó da terra. Embora não se vejam, as raízes estão lá, escondidas no chão. Não basta acreditar no que se vê. Esta é a lição de fé.

 

Quanto à esperança, quando os seus ramos ficam tenros é sinal que há mais vida. Surge então a esperança no verde persistente. O tempo do verão estará próximo, é preciso esperar. Ter esperança é acreditar em pequenas coisas, potenciais de vida nova, em sinais tão simples como rebentos para olhar mais além.

 

A lição de caridade vem dos seus frutos. Uma figueira não produz para si mesma. Está em função dos outros. E até parece que a generosidade a comove pois sempre que partilha um figo, não consegue esconder uma lágrima de satisfação.

 

No fim dos tempos seremos julgados quanto à fé, esperança e caridade. Até lá é preciso aprender da figueira.

 

Pe. José David Quintal Vieira, scj
 

CAMINHA A MEU LADO

Não lutes e não te esforces tanto, meu filho.
Não tens qualquer corrida a terminar, uma razão a provar,
um obstáculo a ultrapassar para ganhares o meu amor.
Já to dei.
Amei-te desde antes do primeiro sopro da criação.
Sonhei-te tal como moldei Adão a partir da lama.
Vi-te molhado quando saíste do ventre.
E então amei-te.
 
Aceita o meu jugo e aprende comigo,
porque o meu jugo é agradável e o meu fardo é leve.
Para de correr mais depressa que o teu passo;
Acabarás esgotado, sem forças, e consumido, antes de concluída a tarefa.
Avança ao meu ritmo, caminha a meu lado.
 
Pensas que não sei das exigências da tua vida?
Vejo-te lutares pela perfeição, ansioso por que te aceite.
Vejo-te contorceres-te para te adaptares à imagem que tens de mim.
Imaginas que não sabia quem eras quando te fiz, quando te teci no ventre da tua mãe?
Pensas que plantei uma figueira esperando que florissem rosas?
Não, filho, eu semeei o que queria colher.
 
Desmond Tutu e Mpho Tutu
 
CONTO (579)
 

O LEÃO DE PEDRA

Era uma vez um estudante de dezasseis anos que teve um sonho. Sonhou que um leão, com as suas garras, o devorava. Teve um grande susto.
Na manhã seguinte, partiu com os seus colegas de escola para um passeio a uma cidade desconhecida. Certamente que ai não haveria leões à solta!
Ainda assustado pelo efeito do sonho, o estudante foi visitar um palácio. Ao chegar à praça circundante, viu um leão de pedra que rugia para o céu com a boca bem aberta. Disse ele:
- Ah! Eis o meu leão. O que me devorou esta noite!
Contou o sonho aos amigos. Depois, rindo-se, para demonstrar que não acreditava nos sonhos, aproximou-se do leão:
- Reconheces-me, leão? Acorda! Move os maxilares e morde-me se puderes.
Dizendo isto, enfiou a mão na garganta de pedra e estendeu-a até ao fundo…
Gritou de medo e de dor. Depois retirou de repente a mão ensanguentada e atirou-se ao chão.
Um enorme escorpião, que tinha o seu ninho no fundo da garganta de pedra, tinha-lhe trespassado a mão com a sua picadela venenosa.
 
in, ALEGRE MANHÃ de Pedrosa Ferreira
 

 

Só existe um inferno e talvez já o tenhas conhecido: é o lugar onde nada se espera, onde não se ama absolutamente ninguém e de ninguém se atende absolutamente nada, onde não se tem confiança em ninguém…
Louis Evely, in Sofrimento
 
Às vezes construímos sonhos em cima de grandes pessoas... O tempo passa e descobrimos que grandes mesmo eram os sonhos e as pessoas pequenas demais para torná-los reais!

 

 Bob Marley

 

INFORMAÇÕES
 
MISSA NA CALDEIRA DE SANTOS CRISTO
No próximo domingo, 22 de novembro, haverá missa de preparação para o Ano Santo Extraordinário da Misericórdia, no Santuário da Caldeira de Santo Cristo às 15 horas.
 
 
 
 
 
FESTA DE SANTA CATARINA
TRÍDUO - 21, 22 e 23 de novembro.
                  Dia 21 - missa às 19 horas       
                  Dia 22 - missa às 12 horas.            
                 Dia 23 - confissões às 19 horas seguidas de missa.
 
 DIA 25
                  EUCARISTIA DE FESTA às 11 horas.
                  Depois da Eucaristia haverá arrematações e procissão.
 

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Pensamento da Semana

 

Um anjo nunca se faz conhecer, nós só sabemos que ele esteve connosco quando ele parte. Porque deixa-nos na vida um perfume, deixa-nos na vida um desassossego.

 

Erri de Luca, in Em nome da mãe

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