Nº 706

O POBRE E O PRÓXIMO

Onde e quando um homem sofre, aí mesmo surge a necessidade de um próximo. O sofrimento maior é o da dor que se sente não havendo com quem a partilhar. A solidão é uma deficiência no ser, não há eu sem nós. Não há individualidade sem comunidade. O fim de cada ser humano é o amor, um compromisso em que se realiza o eu em nós.

O outro não deve nunca ser um instrumento que eu utilizo com vista a alcançar um qualquer outro fim. Ninguém é uma coisa. O outro nunca é meu.

Só a partilha combate a pobreza.

São os gestos que nos definem… mas também o silêncio entre eles.

A nossa sociedade tem-se construído em torno do egoísmo. Consome-se no sentido de comprar, usar e deitar fora. A maior miséria do nosso mundo é que algumas pessoas são, para nós, insignificantes. Estão fora do nosso mundo. Descartados. Excluídos.

Se, em alguns casos, a riqueza é justa e a pobreza é fruto de desleixo, é também verdade que onde abundam a riqueza e a pobreza, aí falhou a comunidade. Há uma razão simples para que os pobres sejam pobres. A miséria de uns é um sinal concreto de que a riqueza de outros pode ser uma violência. Porque têm o que não usam. Porque possuem como supérfluo o que para outros seria essencial.

Isolam-se, excluem o outro. Atiram-no para longe, onde não o possam ver nem ouvir. Chegam a temer um contágio qualquer. Desconhecem que onde os ricos têm a ansiedade, têm os pobres a esperança. Não sabem que há na pobreza uma alegria autêntica, que deriva de uma liberdade imensa. Mas este é um mistério absoluto para quem nunca esteve privado de quase tudo. Hoje, onde escasseiam o dinheiro, a tecnologia e as armas, abundam a humanidade, a entreajuda e a espiritualidade. Muitas vezes o ter encobre o ser.

A grandeza de cada um de nós só se descobre quando somos capazes de dar o que temos ao que somos.

Ser pobre é, ainda assim, ter alguma coisa, mas ter falta do que é essencial.

É da maior importância que consigamos trazer os que estão à margem para perto do centro. Para junto de todos. Onde sejamos capazes de ser quem somos, todos.

Quantas vezes foi o outro que se aproximou de mim quando eu estava abandonado ao sofrimento?

Amar o outro como a mim mesmo é colocar no centro o amor que me atrai a mim e ao outro. Amar é criar algo maior do que eu. Um nós. Amar não é andar atrás de Deus. É tê-lO atrás de nós, contente comigo, contente com outro, feliz connosco.

José Luís Nunes Martins

XX DOMINGO DO TEMPO COMUM

A liturgia do 20º Domingo do Tempo Comum repete o tema dos últimos domingos: Deus quer oferecer aos homens, em todos os momentos da sua caminhada pela terra, o “pão” da vida plena e definitiva. Naturalmente, os homens têm de fazer a sua escolha e de acolher esse dom.

No Evangelho, Jesus reafirma que o objetivo final da sua missão é dar aos homens o “pão da vida”. Para receber essa vida, os discípulos são convidados a “comer a carne” e a “beber o sangue” de Jesus – isto é, a aderir à sua pessoa, a assimilar o seu projeto, a interiorizar a sua proposta. A Eucaristia cristã (o “comer a carne” e “beber o sangue” de Jesus) é um momento privilegiado de encontro com essa vida que Jesus veio oferecer.

A primeira leitura oferece-nos uma parábola sobre um banquete preparado pela “senhora sabedoria” para os “simples” e para os que querem vencer a insensatez. Convida-nos à abertura aos dons de Deus e à disponibilidade para acolher a vida de Deus (o “pão de Deus que desce do céu”).

A segunda leitura lembra aos cristãos a sua opção por Cristo (aquele Cristo que o Evangelho de hoje chama “o pão de Deus que desceu do céu para a vida do mundo”). Convida-os a não adormecerem, a repensarem continuamente as suas opções e os seus compromissos, a não se deixarem escorregar pelo caminho da facilidade e do comodismo, a viverem com empenho e entusiasmo o seguimento de Cristo, a empenharem-se no testemunho dos valores em que acreditam.

Dehonianos

 

MEDITAR

 

SALMO  167

Deus de todas as manhãs, da Vida e da Paz, meu Senhor e meu Dono,
Jesus ensinou-nos a chamar-te Abba e abriu-nos a porta…

Depois, ensinou-nos a pedir-Te o Pão Nosso de cada dia,
a olharmos ao fim do dia as cores do horizonte
para discernirmos como vai ser o dia seguinte
e…
a deixarmos o resto para a Confiança.

Como um filho…

Que os dias que ficaram para trás repousem agora nas Tuas mãos
para serem curados
e os que ainda não existem nasçam também nas Tuas mãos
para nos poderem ser oferecidos,
para vivermos o melhor da vida como um dom.

Porque, Bom Deus, tenho dúvidas se o melhor da vida
também se ganha com o suor do rosto…

Como um filho…

É mais importante ter um Coração maleável
à brisa do Espírito e às curvas da vida,
do que uma ideia fixa que esmague os obstáculos e perfure todos os montes.
Porque o fim, ainda que se lá chegue, é sempre triste e solitário…
... e não se celebra bem sozinho.

Rui Santiago

 

CONTO (566)

 

O LEÃO E O PASTOR

 

Um leão enganou-se no caminho e teve de passar por um matagal. Um espinho espetou-se numa pata e era tal a dor que não podia andar. Quase a arrastar-se encontrou um pastor, que lhe quis dar de comer. Mas o leão disse-lhe:

- Não tenho fome. Preciso é que me tires o espinho.

O pobre animal ajoelhou-se e o pastor, com todos os cuidados, conseguiu arrancar-lhe o espinho.

Como sinal de agradecimento, o leão lambeu a mão ao pastor e seguiu viagem.

Passados alguns anos, o leão foi levado para Roma a fim de dar espetáculo no Coliseu como devorador de prisioneiros. Aconteceu também que o pastor foi preso e sentenciado para ser devorado pelas feras.

Chegado o momento da execução da sentença, o leão entrou furioso na arena. Imediatamente depois, levaram o prisioneiro.

Aconteceu então algo nunca visto até então. O leão, ao ver o pastor, sentou-se diante dele e como que lhe fazia carícias com uma das suas grandes patas. O pastor reconheceu que era aquele o leão a quem ele um dia tinha tirado um espinho.

Vieram outras feras para o devorar, mas o leão defendia-o com unhas e dentes.

In Tutti Frutti  de Pedrosa Ferreira

 

 

 

Pássaros nascidos em uma gaiola pensam que voar é uma doença.

Yasmin Mogahed

 

Este céu passará e então teu riso descerá dos montes pelos rios até desaguar no nosso coração.

 Ruy Belo

 

Uma pessoa chamada “Caminho” é alguém por onde andar, é existência a percorrer, é território a descobrir com os sentidos.

Rui Santiago

 

 


 

INFORMAÇÕES

CLÍNICA DOS BOMBEIROS VOLUNT´RIOS DA CALHETAa Rute Couto, cardiologista, nos dias 4 e 5 de setembro; a Dr.a Alexandra Dias, pediatra, nos dias 18 e 19 de setembro e o Dr. Brasil Toste, otorrinolaringologista, em setembro em data ainda por determinar.
Os interessados podem fazer a sua marcação para os números 295 460 110/ 295 460 111.

A Associação de Bombeiros Voluntários da Calheta informa que estará na Clínica da Instituição a Dr.

 


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Dá-nos um coração claro que veja o céu aberto
e o mundo como os olhos de uma criança,
olhos de confiança e de descoberta
que nos salvem dos hábitos.

 

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