Nº 702

 

QUAL É O TEU MAIOR SONHO?

Estão em vias de extinção, os sonhos. As pessoas perderam aquele berlinde de luz que costuma viver nos olhos de quem é feliz.

Lamentam-se com a crise, com as dificuldades. Estão mais enfadonhas, as pessoas.

Vão como peixes transparentes num cardume de gente que há muito perdeu a cor.

Até aqui não há grandes novidades. Aquilo que, na realidade, me anda a tirar o sono é a falta de sonhos.

O sonho não tem nada a ver com um projeto para o qual se trabalha.

Um sonho é um motor. Uma hélice. Uma âncora. Uma raiz morna que nos dá banho às entranhas. Isso é que é um sonho!

Sonhar é ser feliz por antecipação. Um sonho é um convite que faz arder os dias e que, ao mesmo tempo, os embala. É o que nos tira o sono para sempre. É o meu sonho, este.

E a alma teima em trepar para o infinito. É o meu sonho, este. Dependo do meu sonho e ele depende de mim porque somos um do outro.

Um sonho é uma vontade que nos implode e nos embarga o caminho. Faz tremer o queixo. Faz ir buscar consolo a um abraço que sonhe tanto como o nosso.

As pessoas já não falam de sonhos porque deixaram de os ter. Estamos mais órfãos de sonhos e isso devia entristecer-nos a todos. Porque é um sonho que é capaz de olhar para este mundo e perceber que é preciso semear um tremendamente melhor.

Um sonho que não te faça querer esse mesmo sonho quando já não te sobrar nada, não é um sonho.

Se o sonho está em vias de extinção, não estaremos todos? Precisamos tanto de sonhar como de comer. E de beber água fresca quando o calor nos atordoa por dentro.

Se não tiveres nenhum sonho, faz-te um. Sê o sonho de alguém ou sê um sonho de pessoa. Há poucas pessoas de sonho, agora. Também são capazes de estar em vias de extinção.

Atira-te de cabeça, não tapes o nariz e mergulha de uma vez num qualquer sonho que te faça viver para sonhar. Arranca um de dentro de ti se for preciso. Mas divorcia-te dessa vida morna que levas e trazes todos os dias. Não te convenças de ti próprio.

Basta de não sonhar.

Qual é o teu maior sonho?

Marta Arrais (Adaptado)

 

 

 XVI DOMINGO DO TEMPO COMUM

Descansai um pouco

Ao despedir-me de alguns jovens que partiam para férias, recomendei:

- Boas férias para todos e... lembrem-se que Deus não tem férias...

- Isso quer dizer que também nós não devíamos ter férias?

- Nada disso. Deus não tem férias... as nossas férias é que devem ter Deus.

É precisamente o que se passa no Evangelho deste domingo. Ao regressarem da sua missão, os discípulos foram obrigados por Jesus a descansar:

- Vinde, retiremo-nos para um lugar deserto e descansai um pouco.

De facto, Jesus não disse 'retirai-vos' mas 'retiremo-nos' porque ele está sempre presente, quer na atividade quer no descanso. Aliás, enquanto descansavam, veio uma multidão e Jesus, compadecido, começou a ensinar-lhes muitas coisas. Sempre que alguém descansa, parece que Jesus fica com mais trabalho.

E a propósito de trabalho, perguntaram, não há muito tempo, ao Papa João Paulo II, quando é que pensava ir descansar. A idade, as doenças, a debilidade física, as consequências dos atentados, a agenda sobrecarregada, tudo isto deve cansá-lo muito. Porque é que trabalha tanto? O Papa, sorrindo, respondeu:

- Eu tenho toda a eternidade para descansar. Enquanto estou aqui, tenho de trabalhar sem descanso...

Quem trabalha com Deus, descansará eternamente.

Pe. José David Quintal Vieira, scj

 

MEDITAR

 

SALMO 169

Chamo por Ti, meu Deus…
capaz de fazer da Esperança uma coisa de pessoas concretas
e escolhas com futuro,
audazes, mais fortes que o medo ou o desencanto.
Chamo por Ti, meu Senhor…
capaz de fazer da Fé um compromisso com o futuro
que está mesmo encostado à biqueira dos nossos pés
e de nos dar olhos cravados na Tua Lealdade salvadora e não-desistente.
Chamo por Ti, meu Dono…
capaz de fazer do Amor a força mais poderosa do Universo
e a energia salvadora que é dom para todos os povos.


Chamo por Ti sempre novo, sempre mais,
até que eu mesmo me dilate à medida do Homem Novo,
Jesus o Re-Suscitado,
num ato gratuito e livre da Tua parte pelo qual,
na plenitude dos meus dias, serei transfigurado na totalidade da condição filial.


Agora caminho… Caminho…
E tento dar aos meus pés o vigor de gente salva,
aos passos a direção que toma um Filho que vai para a Casa do Pai,
às palavras a cor de quem vive apaixonado por um Projeto maior que tudo,
ao gestos a verdade de quem acredita que vivemos para sempre
e ao Coração a firmeza da Esperança…
…e, tudo em mim, meu Deus, meu Senhor e meu Dono,
esteja mergulhado na surpresa permanente de Ti.

Rui Santiago (Adaptado)CONTO (562)

 

 

VIDA PARA LÁ DESTA VIDA

No ventre de uma mulher grávida, encontravam-se dois bebés.

- Acreditas na vida depois do parto? - pergunta um.

- Deve haver algo depois do parto. Talvez estejamos aqui porque precisamos de nos preparar para o que seremos mais tarde.

- Que tolice. Não há vida depois do parto! Como seria essa vida?

- Não sei. Seguramente haverá mais luz do que aqui. Talvez caminhemos, com os nossos próprios pés, e nos alimentemos, pela boca.

- Isso é absurdo. Caminhar é impossível. E comer pela boca? Isso é ridículo. Só pelo cordão umbilical. Eu digo-te uma coisa: a vida depois do parto está fora de questão. O cordão umbilical é demasiado curto.

- Pois eu creio que deve haver algo mais. E talvez seja apenas um pouco diferente do que estamos acostumados a ter aqui.

- Mas nunca voltou ninguém depois do parto para nos dizer como é! Não. O parto é o fim da vida. E, no fim de contas a vida não é mais que uma angustiosa existência na obscuridade que não leva a nada.

- Bem, eu não sei exatamente como será depois do parto, mas certamente que veremos a mamã e ela cuidará de nós.

- Tu acreditas na mamã? Onde pensas tu que ela está?

- Onde? Em tudo, à nossa volta. Nela e através dela é que vivemos. Sem ela, este mundo não existiria.

- Pois eu não creio. Nunca vi a mamã.

- Bem. Às vezes, quando estamos em silêncio, tu podes ouvi-la a cantar ou sentir como acaricia o nosso mundo. Sabes? Eu penso que há uma vida real que nos espera e que agora apenas nos estamos a preparar para ela...

In  Revista Audácia  do mês de julho de 2015

 

 

 

Não se caminha quando não se acredita.

Não se estende a mão quando não se ama.

Não se muda quando nada se espera.

theosfera.blogs.

 

 

 

Um engano tantas vezes repetido: querer ser livre fora do território do Amor e querer ser Feliz sem pertencer a ninguém.

Rui Santiago cssr

 

 

 


INFORMAÇÕES

 

CLÍNICA DOS BOMBEIROS VOLUNT´RIOS DA CALHETA

A Associação de Bombeiros Voluntários da Calheta informa que estará na Clínica da Instituição o Dr. Carlos Aguilar, Oftalmologista, no dia 23 de julho de 2015.

Os interessados podem fazer a sua marcação para os números 295 460 110/ 295 460 111.

 

FESTA DE SANTA ANA - BEIRA

 

Tríduo: Dias 23 e 24 de julho às 20h00.

 

Dia 26 de julho - Missa de festa às 13h00 e  Procissão às 19h00.

 


Faça download desta Carta Familiar em formato PDF: Nº 702

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Pensamento da Semana

 

Um anjo nunca se faz conhecer, nós só sabemos que ele esteve connosco quando ele parte. Porque deixa-nos na vida um perfume, deixa-nos na vida um desassossego.

 

Erri de Luca, in Em nome da mãe

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