Nº 696

DAR O QUE TEMOS É POUCO

   Quem apenas dá o que tem dá sempre pouco. Cada um de nós é muito mais do que aquilo que possui. Assim, mais do que dar o que temos, devemos dar o que somos.

Quem dá o que é irradia o bem da sua existência, semeia-se enquanto bondade… faz-se mais e melhor.

Há quem tenha tudo e não seja nada. Julgando que o seu valor está no que possui, exibe os seus bens como se fossem condecorações... desprezando não só o que é, mas, e ainda mais importante, o que poderia ser.

Quanto às coisas materiais, será melhor merecer o que não se tem do que ter o que não se merece… tal como é preferível ser credor do que devedor.

Nunca é bom depender do que não depende de nós.

Hoje confundem-se desejos com necessidades. Na verdade, não são sequer comparáveis, na medida em que os desejos buscam uma satisfação inalcançável. Pois assim que se sacia um desejo, logo outro, maior, toma o seu lugar.

Vivendo com o essencial, sobrará o suficiente para atender às privações dos outros.

Só quem confia se dá, dando tudo, porque a sua esperança é maior do que os seus medos. Só quem acredita constrói o amanhã como um tempo melhor. Fazendo do seu presente um presente na vida dos outros.

Alguns dão pouco do muito que têm e, ainda assim, esperam que tudo lhes seja retribuído, de uma forma qualquer... um sorriso, um obrigado, ou até uma lembrança para muito tempo. Mas quem espera algo da esmola que dá, está a trocar, não a dar. Tem uma necessidade que não se esgotará nunca através do dinheiro ou de algo que seja material… só a atenção que se consegue de forma gratuita pode superar a fome de quem precisa de atenção.

Os verdadeiros sentimentos não se compram nem se trocam. Dão-se e… aceitam-se.

Outros dão o pouco que têm. Confiam… neles próprios e nos outros, acreditam mesmo que somos bons e que os ajudaremos quando precisarem. Por isso dão, por isso se dão… por isso são bons.

É preciso uma coragem enorme para pedir, para receber, para aceitar e… para viver assim… confiando na vida.

Não é fácil dar-se. Por vezes, dói. Muito

É sempre bom dar, melhor ainda se for antes que alguém o peça. Afinal, queiramos ou não, chegará o dia em que tudo quanto temos terá de ser dado.

O que sou e posso ser depende apenas das minhas ações.

Afinal, o melhor de mim não é para mim.

 

XI DOMINGO DO TEMPO COMUM

A liturgia do 11º Domingo do Tempo Comum convida-nos a olhar para a vida e para o mundo com confiança e esperança. Deus, fiel ao seu plano de salvação, continua, hoje como sempre, a conduzir a história humana para uma meta de vida plena e de felicidade sem fim.

Na primeira leitura, o profeta Ezequiel assegura ao Povo de Deus, exilado na Babilónia, que Deus não esqueceu a Aliança, nem as promessas que fez no passado. Apesar das vicissitudes, dos desastres e das crises que as voltas da história comportam, Israel deve continuar a confiar nesse Deus que é fiel e que não desistirá nunca de oferecer ao seu Povo um futuro de tranquilidade, de justiça e de paz sem fim.

O Evangelho apresenta uma catequese sobre o Reino de Deus – essa realidade nova que Jesus veio anunciar e propor. Trata-se de um projeto que, avaliado à luz da lógica humana, pode parecer condenado ao fracasso; mas ele encerra em si o dinamismo de Deus e acabará por chegar a todo o mundo e a todos os corações. Sem alarde, sem pressa, sem publicidade, a semente lançada por Jesus fará com que esta realidade velha que conhecemos vá, aos poucos, dando lugar ao novo céu e à nova terra que Deus quer oferecer a todos.

A segunda leitura recorda-nos que a vida nesta terra, marcada pela finitude e pela transitoriedade, deve ser vivida como uma peregrinação ao encontro de Deus, da vida definitiva. O cristão deve estar consciente de que o Reino de Deus (de que fala o Evangelho de hoje), embora já presente na nossa atual caminhada pela história, só atingirá a sua plena maturação no final dos tempos, quando todos os homens e mulheres se sentarem à mesa de Deus e receberem de Deus a vida que não acaba. É para aí que devemos tender, é essa a visão que deve animar a nossa caminhada.

Dehonianos

 

MEDITAR

Santidade com calças de ganga e sapatilhas

Terminado o mês de Maria, iniciamos o mês dos santos populares: António, João, Pedro!

O mês de junho é o mês da santidade, o mês em que os portugueses estão mais disponíveis para se associarem, fazerem festa, celebrarem, visitarem, acolherem, serem alegres. Todos os cristãos, pelo batismo, estão chamados à santidade. Mas que santidade? A dos altares? Sem dúvida. A dos santos populares? Talvez.

Mas precisamos acima de tudo de santos sem véu ou batina.

Precisamos de santos de calças de ganga e sapatilhas.

Precisamos de santos que vão ao cinema, ouvem música e passeiam com os amigos.

Precisamos de santos que colocam Deus em primeiro lugar, mas que também se 'esforcem' na faculdade.

Precisamos de santos que tenham tempo para rezar e que saibam namorar na pureza e castidade, ou que se consagrem na sua castidade.

Precisamos de santos modernos, Santos do século XXI, com uma espiritualidade inserida no nosso tempo.

Precisamos de santos comprometidos com os pobres e as necessárias mudanças sociais.

Precisamos de santos que vivam no mundo, se santifiquem no mundo, que não tenham medo de viver no mundo.

Precisamos de santos que bebam coca-cola e comam hot-dogs, que usem jeans, que sejam internautas, que usem walkman [mp3's].

Precisamos de santos que gostem de cinema, de teatro, de música, de dança, de desporto.

Precisamos de santos que amem apaixonadamente a Eucaristia e que não tenham vergonha de tomar um 'copo' ou comer uma pizza no fim-de-semana com os amigos.

Precisamos de santos sociáveis, abertos, normais, amigos, alegres e companheiros.

Precisamos de Santos que estejam no mundo; e saibam saborear as coisas puras e boas do mundo, mas que não sejam mundanos.

 

CONTO (557)

A ESPONJA

No tempo em que até as coisas mais simples falavam, uma esponja e um seixo duro encontraram-se precisamente dentro de um balde de água.

A esponja, porque é esponja, começou a beber, a beber cada vez mais água até ficar toda ensopada e cheia de água. Estava mesmo satisfeita.

O seixo, que alguém colocara no fundo do balde, não se sabe bem porquê, mantinha-se assim mesmo como uma pedra dura e roliça.

A esponja iniciou o diálogo com o seixo. Disse:

- Gosto de estar embebida em água fresca. Conservo esta água em mim e posso assim refrescar as pessoa que me utilizam para lavar o que está sujo.

O seixo, que continuava duro sem que a humidade nele pudesse entrar, respondeu:

- Eu sou cioso da minha intimidade. Ninguém, nem sequer esta água que nos inunda, conseguirá penetrar em mim. Se me abrirem, estarei totalmente seco.

A esponja respondeu:

- E não sentes tristeza por seres assim tão duro de coração, incapaz de dar sequer como eu um pouco de água fresca?

In Tutti Frutti  de Pedrosa Ferreira

 

Texto atribuído ao Papa dos jovens: João Paulo II

 

José Luís Nunes Martins (Adaptado)

O mínimo que nos é exigível é o máximo que somos capazes de fazer. Nas coisas simples do dia-a-dia.

 

 Manuel António Pina

 

Não preciso de amigos que mudem quando eu mudo e concordem quando eu concordo. A minha sombra faz isso muito melhor.

 Plutarco

 

O valor das coisas não vem do que custam na praça mas tem mais que ver com a maneira como estão ligadas ao nosso coração.

 António Alçada Baptista


 

INFORMAÇÕES

 

FESTAS DE FIM DA CATEQUESE NA CALHETA

As festas de Primeira Comunhão, Comunhão Solene de Profissão de Fé e Crisma, na paróquia da Calheta, serão no dia 28 de junho na missa das 12 horas. Na próxima carta Familiar será divulgada as preparações e encontros para o que se pede disponibilidade das crianças, dos pais e demais familiares.

MUSEU FRANCISCO LACERDA

No âmbito da reconstituição da história conserveira da ilha de São Jorge, o museu Francisco de Lacerda (Museu de São Jorge), faz um apelo de colaboração aos antigos trabalhadores das fabricas da Industria Conserveira, de 1940 a 1970, através do empréstimo de fotografias ou outros documentos, bem como do seu testemunho. Contato: 295 416 323.

 

CLÍNICA DOS BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS DA CALHETA

A Direção da Associação de Bombeiros Voluntários da Calheta informa que estará na clínica da Instituição o Dr. Brasil Toste, Otorrinolaringologista no dia 15 de junho de 2015. Os interessados podem fazer as suas marcações para os números 295 460 110/ 295460111.

 


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Pensamento da Semana

Dá-nos um coração claro que veja o céu aberto
e o mundo como os olhos de uma criança,
olhos de confiança e de descoberta
que nos salvem dos hábitos.

 

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