Nº 689

 

TER OU NÃO TER

Nunca somos o que temos.

Neste mundo há a essência e a aparência. A primeira é profunda, sólida e é onde reside o ser; a outra, será superficial, efémera, funcionando como uma capa que se encontra no meio do caminho entre essências.

 

O ter é do domínio da aparência. Atingido um limiar de sobrevivência, que pode mais um homem esperar que os seus bens lhe tragam? Poderá acreditar que a felicidade lhe chega através da sua acumulação, mas, claro, nunca nada lhe chegará, porque sempre haverá algo mais que ainda não tem... razão pela qual essa diferença marca mais um sofrimento (desnecessário): o do desejo de obter o que se não tem... poucos percebem que os bens atrapalham mais que ajudam. Poucos homens visam ser mais e melhores.

 

A superficialidade de tanta gente é marca da sua maior miséria: a inautenticidade. Há quem venda a identidade ao ter, quem abdique do que é (ou podia ser) para o trocar por umas quantas moedas de prata que, cedo e mal, gasta, perdendo assim o ter e, mais importante, o ser - a sua essência. A vida não é, afinal, uma fome de coisas, mas um tempo para ser feliz.

 

O dinheiro nunca é nosso, somos apenas gestores das sempre pequenas partes que, em determinadas alturas da história, nos vão chegando às mãos. Só isso. Nada mais. A forma como administramos o dinheiro que chamamos nosso marca-nos o ser. Faz-nos. A uns servos, a outros... senhores... de si mesmos e dos seus bens.

 

Temos esta vida, e podemos ter muitas coisas, mas somos mais do que tudo isto. A nossa verdadeira riqueza não é deste mundo.

 

As máscaras nunca são belas. A beleza autêntica vem de dentro, do ser, a nossa face ao mundo é um espelho do nosso coração. As nossas lágrimas vêm dos sonhos e das esperanças que somos, a luz e o sorriso dos nossos olhos, também.

 

José Luís Nunes Martins

 

III DOMINGO DA PÁSCOA

Falar de Deus

Certo dia, ao regressar da escola, eu e os meus colegas de escola, avistámos ao longe um homem a quem costumávamos provocar com o nome de Zé Feio, por não ser muito dotado a nível da aparência. Uma chuva de nomes, tão bonitos quanto ele, encheu o ar. Mas nesse dia ele não reagiu, não correu atrás de nós, nem nos ameaçou. Vinha diferente. De vez em quando parava, falava com as plantas, tocava nas pedras dos muros, bailava no meio da estrada e dizia:

- Eu gosto da Maria e a Maria gosta de mim.

Nós ríamos com aquela atitude e concluíamos que para além de Zé limitado na beleza também era no juízo. E lá continuava ele com a mesma ladainha, dizendo a torto e a direito que gostava da Maria e esta gostava dele. Não se importava com a nossa presença nem com o nosso gozo. Só pensava na pessoa amada e repetia vezes sem conta.

Quando o coração está cheio, tem de transbordar. Só falamos daquilo que enche o nosso coração. Recordo isto, ao ouvir os Apóstolos a falar de Cristo. Eles não paravam de falar, sendo por toda a parte Suas testemunhas.

É preciso transformar-se para O ver transformado.

És tu, sou eu que pomos em causa Jesus, dizendo ao mundo se ressuscitou ou não. A nossa pregação só é longa se a devoção for curta.

Pe. José David Quintal Vieira, scj

 

 

 

 

MEDITAR

 

NÃO TE QUEIXES.

 

Tens razões para chorar de alegria? Não te queixes. (Há quem só saiba chorar de dor)

Tens braços para onde correr se as tempestades do mundo te desfizerem? Não te queixes. (Há quem não tenha para onde correr)

Tens quem te aconchegue a roupa da alma caso faça frio? Não te queixes. (Há quem tenha a solidão como aconchego)

Tens em ti um livro de caminhos que foste escrevendo com todos os passos que deste? Não te queixes. (Há quem não consiga andar sozinho)

Podes escolher se comes em tua casa, na casa de um amigo ou num restaurante? Não te queixes. (Há quem poupe uma laranja para durar o dia inteiro)

Podes adormecer sem medo do dia de amanhã? Não te queixes. (Há quem adormeça com medo do segundo seguinte)

Podes optar entre dormir no sofá ou no conforto da tua cama? Não te queixes. (Há quem durma encostado ao chão da rua)

Podes ler estas palavras? Não te queixes. (Há quem nunca tenha aprendido a ler)

Podes dar a tua opinião sobre estas palavras? Não te queixes. (Há quem não possa dizer o que pensa)

Podes falar do Deus que é teu sem sentir que a tua voz pode ter consequências? Não te queixes. (Há quem morra pela cruz que traz ao peito)

És livre? Não te queixes. (Há quem esteja preso desde que nasceu)

Tens, pelo menos, cinco razões para sorrir? Não te queixes. (Há quem não tenha nenhuma)

Podes rezar por ti ou por alguém? Não te queixes. (Há quem não saiba rezar)

Mesmo apesar de todos os tudos não és feliz? Não te queixes. (Há quem não saiba que não é feliz)

Marta Arrais

 

CONTO (549)

 

O DESERTO

Uma vez, os guardas levaram um prisioneiro para o deserto e disseram-lhe:

- Agora és livre– Podes caminhar para onde quiseres.

O homem pôs-se a caminho pelas areias do deserto. Começou a sentir as primeiras dificuldades. Felizmente, encontrou um misterioso Sábio. O prisioneiro perguntou-lhe:

- Quem és tu?

O Sábio respondeu:

- Eu fui enviado para aqui para ajudar os caminhantes, pois a travessia do deserto é difícil. Tens aqui um mapa e uma bússola. Com isto saberás onde estão os oásis e qual a rota a seguir para não te perderes.

Mas o prisioneiro respondeu:

- Eu sou agora um homem livre. Com esses instrumentos, queres impor-me um caminho. Não quero nada disso.

O caminhante atirou com a bússola e o mapa para longe e continuou a sua marcha. Porém, acabou por se perder no deserto. Morreu antes de chegar à cidade mais próxima.

In Tutti Frutti  de Pedrosa Ferreira

 

Quando alguém pretende viver exclusivamente por si e para si, converte-se numa pequena ‘ilha’ de ódio, mesquinhez, suspeita e ambição. (…) Para que se recupere a verdadeira perspetiva, que é a do amor e da compaixão, temos que aprender de novo, com simplicidade, confiança e paz, que ‘os homens não são ilhas”.

 

Los hombres no son islas, Thomas Merton


 

INFORMAÇÕES

 

CLÍNICA DOS BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS DA CALHETA

Os Bombeiros Voluntários da Calheta informam que estarão na Clínica da Instituição os seguintes médicos: Dr.ª Maria Graça Almeida, Ginecologista e Obstetra, no dia 7 de maio; Dr. José Abreu Freire, especialista em Mamografia e Ecografia, em junho (dias ainda por estabelecer); Dr.ª Rute Couto, Cardiologista, em junho (dias ainda por estabelecer); Dr.ª Alexandra Dias, Pediatra, em junho (dias ainda por estabelecer); Dr. Brasil Toste, Otorrinolaringologista, em junho (dia ainda por estabelecer). Os eventuais interessados podem fazer as suas marcações para os números 295 460 110 / 295460111.

 

 

 

Semana da vida

 

Desde 1994 a Conferência Episcopal Portuguesa, através da Comissão Episcopal competente para a área da Família, organiza a Semana da Vida.

 

Esta iniciativa vem na sequência do apelo lançado em 1991 pelo Papa João Paulo II, na Encíclica O Evangelho da Vida sobre o valor e a inviolabilidade da vida humana, ao propor uma celebração que tenha por objetivo «suscitar nas consciências, nas famílias, na Igreja e na sociedade, o reconhecimento do sentido e valor da vida humana em todos os seus momentos e condições, concentrando a atenção de modo especial na gravidade do aborto e da eutanásia, sem contudo menosprezar os outros momentos e aspetos da vida…» (EV 85).

 

Decorre habitualmente na semana em que se celebra o Dia Mundial da Família (15 de maio).


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