Nº 679

Orgulho, o outro lado da ignorância

O orgulho, a vaidade e a soberba andam quase sempre juntos. São os superiores aliados da ignorância! O orgulhoso coloca-se a si mesmo acima da realidade. Mas, não só se julga superior aos outros como ainda deseja que eles partilhem dessa mesma opinião, ou seja, que todos pensem que ele é o melhor! Mais ainda, por se julgar assim o suprassumo, considera poder tratar os outros como seus inferiores!
O orgulhoso é uma realidade fantasiada... de si mesmo! Não se conhece! É um ignorante de si próprio, o que é a pior ignorância.

O orgulho vê a humildade como uma humilhação.

A vaidade serve-se muitas vezes da caridade, da generosidade e da bondade. Estraga-as. Porque as faz esgotarem-se em si mesmas, na medida em que os destinatários das boas ações são meros meios e não fins. Não se procura o bem do outro, mas apenas a servir-se dele para conseguir algo para si mesmo. Egoísmo simples, com uma volta a mais. Mas, claro, os próprios, nunca se dão conta disto!

Na verdade, não há pessoas altivas e pessoas humildes. Todos somos arrogantes. Os humildes são os que sabem que o são e querem deixar de sê-lo, enquanto os arrogantes são os que acham que são humildes e por isso não fazem nada!!

Raiz de todos os vícios, o orgulho, é uma maldade tremenda na medida em que impede quem lhe dá vida de contemplar a beleza e a bondade do mundo e dos outros. A vaidade enraíza-se na ideia de que a aparência é o mais importante. Deseja-se viver no pensamento dos outros, como uma entidade divina.
A fome de aplausos leva muita gente a esconder (até de si mesmo) a sua autenticidade, remetem a uma treva inquietante a verdade sobre si. Quando buscam o agrado a todo o custo, mentem até a si mesmos. Constroem torres altas, e lá vivem, no alto, acima de tudo, sozinhos com o seu egoísmo. Por vezes caem lá do topo... e magoam-se. Muito.
Cuidado. Os orgulhos feridos são perigosos. A soberba é sempre triste e desassossegada, uma ansiedade em relação ao que os outros sentem, pensam e imaginam, o que dizem e o que podem dizer sobre nós…
Todos temos uma origem humilde e mais vale ser estimado por aquilo que se é, do que ser admirado pelo que se parece...
Há também a falsa humildade, que é a de quem se finge menos do que é para assim se desculpar para não cumprir o seu dever. A verdadeira humildade é audaciosa e não encolhida, é generosa e não cobarde. Os humildes não são os tímidos, mas os artífices das grandes obras, precisamente porque se sabem pouca coisa e, por isso, são capazes de aprender e de arriscar, sem receio da opinião alheia ou do fracasso.

É essencial estar atento ao que nos rodeia. O mundo é cheio de alegria, beleza e bondade! É preciso esvaziarmo-nos nós mesmos, darmos o que temos e somos, abrirmo-nos ao mundo, aos outros e ao que de melhor, assim, nasce em nós!

José Luís Nunes Martins  (Texto adaptado)

 

V DOMINGO DO TEMPO COMUM

Alargar horizontes

Depois das férias, um aluno veio dizer-me, cheio de orgulho:

- Senhor padre, eu já estou mais crescido.

- É verdade. E com certeza ainda vais crescer mais. Mas porque é que queres ser grande?

- É para poder ver mais longe.

Surpreendeu-me esta resposta. Eu pensava que era para se sentir importante, para fazer o mesmo que os adultos ou outras coisas do género. Para aquela criança, ser grande é olhar mais longe, é alargar horizontes.

É esta a mensagem do Evangelho deste V Domingo: Jesus subiu ao monte para orar. Na tradição bíblica o monte é lugar e símbolo do encontro de céu e terra, da ascensão humana e da teofania, de vastos horizontes.

Quem reza vê mais além, alarga os seus horizontes, faz uma escalada, ultrapassa-se, une a terra ao céu. Há muitas maneiras de rezar: Jesus rezava na sinagoga, no convívio com os amigos, fazendo o bem, anunciando o amor e a sós com o Pai.

Também nós rezamos assim, cada um segundo a sua circunstância. Uns rezam por dentro, com o espírito elevado.

Outros por fora, de uma maneira prática, em movimento cristão, em ação eficaz sobre a terra. Não importa a forma, mas sim chegar a Deus. Não importa como foi o esforço para construir a ponte, o que importa é poder passar e chegar mais longe.

Pe. José David Quintal Vieira, scj

 

MEDITAR

 

SALMO

Acolhes-me com todo o respeito!

Ris-te com toda a ternura,

como quem desdramatiza cada acontecimento da minha Vida

a partir de dentro.

Não moralizas…

Não fazes festinhas com ar combalido e dizes:

“Pronto, não é nada… não é nada…”

Porque sabes que, às vezes, é mesmo! E é muito!!!

Não moralizas…

 

 

Não…

revelas-te a mim como DEUS FORTE E FIEL,

que está comigo e por mim,

sem precisar de estar contra ninguém por causa disso!

Coisas lá que o Teu Amor é capaz, e acho que só o Teu…

Essa Tua Força e Fidelidade  fazem-me sentir seguro e audaz…

 

E depois, chega sempre a hora do Riso…

Quando em plena luta da Vida cravas os Teus olhos

e Te ris à gargalhada…

Esse Teu Riso faz-me sentir tranquilo…

Porque me revela a verdadeira pequenez das coisas

e me abre à Esperança…"

 

http://livrosporcorreio.blogspot.pt/…/salmos-para-o-terceiro milénio…

 

 CONTO (539)

 Amor sem ilusão

Um jovem caminhava pelas montanhas nevadas da velha Índia, absorvido em profundos pensamentos sobre o amor, sem poder solucionar as suas ansiedades.

Ao longo do caminho, à sua frente, percebeu que vinha na sua direção um velho sábio. E, como não encontrava resposta para os seus pensamentos, resolveu pedir ao sábio que o ajudasse.

Aproximou-se dele e perguntou-lhe:

- Senhor, desejo encontrar a minha amada e construir com ela uma família com bases no verdadeiro amor. No entanto, sempre que me vem à mente uma jovem bela e graciosa e eu a olho com atenção, nos meus pensamentos ela vai-se transformando rapidamente. Os seus cabelos tornam-se alvos como a neve, a sua pele rósea e firme fica pálida e enche-se de profundas rugas. O seu olhar vivo perde o brilho e parece perder-se no infinito. O sua corpo modifica-se acentuadamente e eu fico cheio de medo.

- Desejo saber, meu sábio, como é que o amor poderá ser eterno, como dizem os poetas?

Nesse mesmo instante aproxima-se de ambos uma jovem envolta em luto, trazendo no rosto expressões de profunda dor. Dirige-se ao sábio e diz-lhe com voz triste:

- Acabo de enterrar o meu pai que morreu antes de fazer 50 anos. Sofro porque nunca poderei ver a sua cabeça branca aureolada de conhecimentos. Seu rosto marcado pelas rugas da experiência, nem o seu olhar amadurecido pelas lições da vida. Sofro porque não poderei  ouvir mais as suas histórias sábias nem contemplar o seu sorriso de ternura. Não verei as suas mãos enrugadas a pegar as minhas com profundo afeto.

Nesse momento o sábio dirigiu-se ao jovem e disse-lhe serenamente:

- Percebes agora as mudanças do amor sem ilusões? O amor verdadeiro é eterno porque não se apega ao corpo físico, mas afeiçoa-se ao ser imortal que o habita temporariamente. É nesses sentimentos sem ilusões nem fantasias que reside o verdadeiro e eterno amor.

A lição do velho sábio é de grande valia para todos nós que buscamos as belezas da forma física sem observar as grandezas da alma imortal. O sentimento que valoriza somente as aparências exteriores não é amor, é paixão ilusória. O amor verdadeiro observa, além da roupagem física que se desgasta e morre, a alma que se aperfeiçoa e a deixa quando chega a hora, para continuar a viver e a amar, tanto quanto o permita o seu coração imortal.

 

 

 

O nosso coração é como as raízes de uma árvore: é ele que procura o terreno onde se alimentar, as razões de existir, o seu tesouro… Por onde conduzo eu o meu coração?

Grão de Mostarda

 

Deveríamos chorar estrelas, em vez de simples lágrimas, para mostrar como tudo o resto é pequenino comparado com tudo o que nos dói.

 A. Cruz

 


INFORMAÇÕES

 

CLÍNICA DOS BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS DA CALHETA

A Direção da Associação de Bombeiros Voluntários da Calheta, informa que estará na sua Clínica  os seguintes médicos: Dr.ª Renata Gomes,  Cardiologista, na última semana de fevereiro (dia ainda por estabelecer); Dr.ª Maria Graça Almeida, Ginecologista-Obstetra, na primeira semana de março de 2015 (dia ainda por estabelecer); Dr.ª Lourdes Sousa, Dermatologista, nos dias 11 e 12 março de 2015; Dr.ª Alexandra Dias, Pediatra; nos dias 13 e 14 de março de 2015; Dr.ª Paula Pires, Neurologista, na segunda semana de abril (dia ainda por estabelecer).

Os interessados podem fazer as suas marcações para os números 295 460 110 / 295460111.

 

 

 


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Dá-nos um coração claro que veja o céu aberto
e o mundo como os olhos de uma criança,
olhos de confiança e de descoberta
que nos salvem dos hábitos.

 

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