Nº 677

 

PREGUIÇA, A PERDIÇÃO DOS TALENTOS E VIRTUDES

A preguiça é um mal tremendo. Vai-se apoderando do tempo que é nosso e impede-nos de construirmos uma obra-prima: sermos quem somos. Cada um de nós tem a obrigação de se tornar no maior protagonista da sua vida, no herói, lutando e vencendo as monotonias da vulgaridade, todas as apatias de quem prefere ser escravo do mundo do que senhor de si mesmo.

 

 A apatia seduz através de uma aparência de paz, apresenta-se como um mero descanso que criará melhores condições para o sucesso posterior. A preguiça aparece sempre mascarada de virtude. Mas é, na verdade, uma anulação, algo que destrói as paixões mais belas através de uma lenta conquista e eliminação dos esforços… e assim se vai perdendo tudo, mas muito devagar…

 

É sempre mais cómodo não fazer nada. Mas é, sempre, pior. A preguiça é uma não-vontade que petrifica, afunda e afoga (em água morna) todos quantos se entregam aos encantos do descuido e do desleixo.

 

Se há vários trabalhos, há várias preguiças. Muitos são os que se entregam a imensas tarefas quotidianas e exteriores, por forma a garantir que não têm tempo nem vontade de tratar das interiores. Mais do que contribuirmos para a construção do mundo em torno de nós, importa edificarmo-nos. Cuidar e tratar do que existe no fundo de nós, porque a nossa identidade não é estática nem definida, resulta das nossas decisões e ações. Exteriores e interiores.

 

Temos a obrigação de sermos diferentes, de nos aperfeiçoarmos, de lutarmos contra o que pretende anular-nos, a cada dia, a cada passo. O ser é uma luta contra o nada.

 

A raiz comum a todos os males é o egoísmo. Trata-se de um excesso de quem se centra em si mesmo e nada vê para além disso. Perde-se… quem se julga ganho. O mundo está cheio de belezas que escapam àqueles que apenas se admiram a si. Os talentos perdem-se quando não lhes dedicamos o cuidado e o trabalho que exigem para se tornarem reais. Para se realizarem.

 

A preguiça pode disfarçar-se de paciência, prudência, moderação ou domínio de si… mas é sempre má. Sempre. Porque não tem nem a verdade nem a generosidade própria do bem. O bem age.

 

A vida deve ser vivida com profundidade. Sofrendo o que for preciso, para se fazer o melhor dos caminhos possíveis. Aquele que nos purifica e dá valor.

 

A maior de todas as virtudes é sermos capazes de não ceder aos maus hábitos, realizando todo o bem ao nosso alcance.

 

Não devemos descuidar-nos da obrigação de sermos mais e melhores. Não podemos permitir que um qualquer sono nos impeça de viver ao nível mais alto que podemos alcançar.

 

Todas as virtudes exigem atenção e trabalho. A diligência é a prontidão própria de quem ama, a persistência honesta que permite alcançar a excelência. Mas resulta da vontade, não é um dom. Aliás, nenhuma virtude é um dom, porque resulta sempre de escolhas que se fazem em ordem ao que se julga ser o bem. Assim, também nenhum vício é um defeito existente à partida. Deriva de uma escolha mais ou menos consciente do que se julga ser o bem, numa visão preguiçosa e distorcida da realidade e dos valores.

 

Poucos se dão conta do mal que é não fazer nada de bom.

 

José Luís Nunes Martins  (texto adaptado

III DOMINGO DO TEMPO COMUM

Salva-vidas

Uma catequista, para fazer rir as colegas, contou o episódio, que transcrevo:

 

" Estava a dar uma lição de catequese sobre aquele que foi o maior 'Pescador de Homens' de sempre. Percebendo que as crianças não compreendiam o porquê deste título, dediquei a aula a esse esclarecimento. Depois de ter esgotado todos os meus argumentos, perguntei se alguém me sabia dizer, afinal, quem era esse 'Pescador de Homens'. Uma menina levantou o braço e respondeu bem alto:

 

- É um salva-vidas! "

 

Aquelas senhoras riram-se, não sei se pelas limitações da catequista ou se pela própria incapacidade de apreender a profundidade da declaração.

 

De facto todos nós somos náufragos: às vezes sentimo-nos perdidos no alto mar desta vida, açoitados por tempestades, navegando na escuridão. Precisamos de ajuda, de um autêntico salva-vidas. Se Deus chama alguém é para enviá-lo a salvar, para acender uma luz, dar a mão, trazer a um bom porto. À minha volta cada irmão é para mim um salva-vidas, enviado por Deus. E o mesmo Deus também me chama a ser um salva-vidas para o meu irmão.

 

Se quem caminha a meu lado cair uma vez, a culpa será sua. Mas se cair uma segunda vez, a culpa será minha porque não lhe dei a mão.

 

Pe. José David Quintal Vieira, scj

 

MEDITAR

 

AMIZADE

Perguntei a um sábio,
a diferença que havia
entre amor e amizade,
ele  disse-me essa verdade...
O Amor é mais sensível,
a Amizade mais segura.
O Amor  dá-nos asas,
a Amizade o chão.
No Amor há mais carinho,
na Amizade compreensão.
O Amor é plantado
e com carinho cultivado,
a Amizade vem faceira,
e com troca de alegria e tristeza,
torna-se uma grande e querida
companheira.
Mas quando o Amor é sincero
ele vem com um grande amigo,
e quando a Amizade é concreta,
ela é cheia de amor e carinho.
Quando se tem um amigo
ou uma grande paixão,
ambos os sentimentos coexistem
dentro do seu coração.

 

Autor desconhecido

 

CONTO (536)

 

O GALO E A PÉROLA

Um certo dia, um nobre perdeu uma pedra preciosa: uma pérola! Ordenou aos seus criados que procurassem por toda a quinta, mas a busca foi infrutífera. Mandou então alargar as buscas a toda a aldeia, mas nada… nem sinal da pérola! Assim, com o passar do tempo, o nobre, desolado, foi-se habituando à ideia de ter pedido aquela pedra preciosa que tanto dinheiro valia e que mais valor sentimental tinha ainda!

 

Uns tempos depois, um galo que andava a procurar comida pelo chão das zonas mais remotas da quinta, vislumbrou algo que brilhava ao sol. Atraído pela luminosidade, correu a ver de que se tratava. Mas ficou desiludido ao ver que era uma pérola…

 

- Oh! Uma pedra… É dura demais para comer e de nada me serve! De bom grado a trocaria por um pedaço de cereais! – e, desolado, afastou-se procurando afincadamente um pedaço de alimento no chão que ia percorrendo.

 

A amizade não é uma dádiva, é uma espécie de tesouro escondido (...) só se alcança depois de ter vencido longamente caminhos e tempestades, e passado portas, e enfrentado monstros e dragões, e voltado muitas vezes atrás e recomeçado de novo a partir da solidão e do exílio.

Manuel António Pina

 


INFORMAÇÕES

 

COMISSÃO DA CASA DOS BOLOS

Comissão para a Casa dos Bolos para a Festa da Santíssima Trindade 2015 da Ribeira Seca: Victor Manuel Nunes Manso; João Gomes Rosa; José Idalmiro Brasil Ávila; José Nunes Ávila; António Fernando Matos de Sousa.

 

RECEITAS

Cortejo de Oferendas -  Matriz da Calheta - 440,00€

 

 

 

 


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Pensamento da Semana

 

Um anjo nunca se faz conhecer, nós só sabemos que ele esteve connosco quando ele parte. Porque deixa-nos na vida um perfume, deixa-nos na vida um desassossego.

 

Erri de Luca, in Em nome da mãe

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