Nº 423

 

TIRA AS PANTUFAS

 

Preocupava-me deveras a voz que diz a Moisés: “Tira as sandálias”. Nunca tinha estado tanto tempo ocupado a pensar neste ‘tira as sandálias’.

Transportei o pensamento para a realidade deste tempo e, notei que se hoje ouvisse semelhante voz, em vez de ‘tira as sandálias’, ouviria: “tira as pantufas” ou talvez: “tira os chinelos”.

Quem não gosta de chegar a casa, após um dia de trabalho, e pôr-se à vontade, de preferência com um bom duche, umas pantufas, um robe e ficar a repousar vendo o que mais gosta na televisão ou na internet. Até somos capazes de justificar com o dia de trabalho que tivemos o sermos merecedores de um repousante descanso alheios ao que se passa lá fora com os outros e, muitas vezes, até com os da própria casa: esposa, marido e filhos. Se se trata de idosos a coisa ainda se torna pior.

E vamos justificando a nossa indiferença, alheamento da realidade e inacção com o tempo em que vivemos, com o que todos fazem,  e se os outros fazem porque não hei-de eu fazer, etc. etc.

Pois bem. As palavras da voz dirigidas a Moisés na leitura de Domingo passado ocuparam bastante o meu pensamento.

Não sei bem se o que ponho nos pés quando estou mais despreocupado se chama pantufas ou chinelos, talvez seja uma mistura das duas coisas, mas que gosto de sentir o seu conforto, lá isso gosto. Sei que não vou ouvir nenhuma voz que exija que ponha os meus pés  no chão que piso porque ele é sagrado. Talvez seja de lamentar.

Pisar com os pés o chão da  libertação é exigente e requer ousadia.

Pisar com os pés indo ao encontro das necessidades dos irmãos que me pedem dedicação e ajuda é ter coragem de se pôr a caminho.

A sarça que ardia sem se consumir é o amor de Deus que nos impele para os outros. Durante esta semana vamos viver o Dia do Pai e seria bom que também se fizesse meditação sobre o que se anda por ai a fazer como pai gerador de vida e portador de amor. Se há pés assentes no chão porque se sabe o que se faz e se procura ser bom pai e boa mãe.

Já agora, convido a meditar no Pai que surge no Evangelho deste Domingo. É aquele Pai que dá a herança ao filho mais novo que O considera já morto e, por isso, sai de casa  e gasta todo o trabalho daquele Pai. E o filho cumpridor do seu dever mas que esquece o mais importante que é o amor do Pai.

Bem. O Pai vai ao encontro dos dois filhos, dialoga com eles. É um Pai que não pára, não descansa, anda de um lado para o outro sempre ao encontro de cada um dos filhos.

Diria que tirar as pantufas é amar como este Pai da Parábola do Filho Pródigo.

                                                                                Pe. Manuel António

 

IV Domingo da Quaresma

Tema:

A liturgia de hoje convida-nos à descoberta do Deus do amor, empenhado em conduzir-nos a uma vida de comunhão com Ele.

O Evangelho apresenta-nos o Deus/Pai que ama de forma gratuita, com um amor fiel e eterno, apesar das escolhas erradas e da irresponsabilidade do filho rebelde. E esse amor lá está, sempre à espera, sem condições, para acolher e abraçar o filho que decide voltar. É um amor entendido na linha da misericórdia e não na linha da justiça dos homens.

A segunda leitura convida-nos a acolher a oferta de amor que Deus nos faz através de Jesus. Só reconciliados com Deus e com os irmãos podemos ser criaturas novas, em quem se manifesta o homem Novo.

A primeira leitura, a propósito da circuncisão dos israelitas, convida-nos à conversão, princípio de vida nova na terra da felicidade, da liberdade e da paz. Essa vida nova do homem renovado é um dom do Deus que nos ama e que nos convoca para a felicidade.

(Dehonianos)

 

MEDITAR

 

Basta o essencial

O valioso tempo dos maduros

Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente do que já vivi até agora.

Tenho muito mais passado do que futuro.

Sinto-me como aquele menino que recebeu uma bacia de cerejas.

As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.

Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.

Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados.

Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram,

cobiçando seus lugares, talentos e sorte.

Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir

assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.

Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar

da idade cronológica, são imaturos.

Detesto fazer acareação de desafectos que brigaram pelo majestoso cargo

de secretário geral do coral.

 

'As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos'.

Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência,

minha alma tem pressa...

Sem muitas cerejas na bacia, quero viver ao lado de gente humana,

muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com

triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade,

Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade,

O essencial faz a vida valer a pena.

E para mim, basta o essencial!

 

Poesia de Mário de Andrade

 

CONTO (294)

 

A MACIEIRA

Era uma vez uma macieira carregada de frutos. Uma criança gostava de ir brincar para junto dela. Depois cresceu e a macieira nunca mais o viu.

Apareceu mais tarde, já adolescente. A macieira disse-lhe:

- Vem brincar comigo.

O adolescente respondeu:

- Já não sou uma criança para brincar. Preciso é de dinheiro.

A macieira disse-lhe:

- Colhe as minhas maçãs e vende-as. Terás dinheiro para tuas despesas.

Ele assim fez. Colheu as maçãs e desapareceu.

Quando regressou de novo, já era um jovem adulto.

A macieira disse-lhe:

- Vem brincar comigo.

O adulto respondeu:

- Já não sou nenhuma criança. Ando à procura de madeira para construir um barco e viajar para longe à procura de um bom emprego.

A macieira disse-lhe:

- Então corta o meu tronco e com ele faz um barco.

O homem, já idoso, voltou a passar por ali. A macieira disse-lhe:

- Lamento muito, mas já não tenho nada para te dar. A única coisa que tenho são as raízes mortas.

- É disso que necessito: um lugar para descansar.

- Se te posso ser útil com as minhas raízes, senta-te e descansa.

O idoso sentou-se junto da macieira e, com lágrimas nos olhos, sorriu.

In TOMA E LÊ  de Pedrosa Ferreira

 

 

O amor não se rouba nem se compra. Não há amor verdadeiro, e portanto feliz, senão entre pessoas que dispõem livremente de si próprias para se darem à outra.


(Jacques Philippe)

 

Do ponto de vista artístico, a moda não passa, em geral, de uma forma de felicidade tão insuportável que nos vemos obrigados a substituí-la a cada seis meses.
                                                                                                                              
(Oscar Wilde)

 


 

INFORMAÇÕES

 

VENDE-SE CASA

Encontra-se à venda uma casa com 3 quartos, escritório, 2  salas, garagem para 4 carros 2 casas de banho, ginásio e 4 alqueires de terra, no sitio do Vale Frio, Ribeira Seca, pertencente a Isabel Alves. Contactar a própria através do nº 965881630 ou a redacção deste Boletim através dos números da última página.

 

 

CONFISSÕES

Beira, dia 21 de Março às 15 horas.

Urzelina dia 21de Março às 17 horas.

 


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