Nº 665

AMOR INFINITO

O filósofo Jean Guitton, na sua obra As minhas razões de crer, coloca uma questão pertinente: "Que se passaria em mim se a minha fé diminuísse e se desvanecesse; se, como dizem as pessoas, «perdesse a fé»? (...)

Jean Guitton afirma que o famoso padre jesuíta Teilhard Chardin colocou a si mesmo esta questão, e respondeu, «que se deixasse de crer em Deus, no Deus cristão, e mesmo em Deus pura e simplesmente, continuaria a crer no Mundo.»

Também me revejo nas palavras do padre Valensin citado na referida obra de J. Guitton:

«Se na hora da minha morte visse claramente que me espera o nada e que todas as crenças estão repletas de ilusão, não lamentaria absolutamente nada ter-me enganado toda a vida e ter crido na verdade do cristianismo, pois era o amor infinito que estaria errado por não existir, e não eu por ter acreditado nele.»

Jean Guitton, in As minhas razões de crer

 

COMEMORAÇÃO DE TODOS OS FIÉIS DEFUNTOS

A liturgia da Comemoração dos Fiéis Defuntos convida-nos a descobrir que o projeto de Deus para o homem é um projeto de vida. No horizonte final do homem não está a morte, o fracasso, o nada, mas está a comunhão com Deus, a realização plena do homem, a felicidade definitiva, a vida eterna.

No Evangelho, Jesus deixa claro que o objetivo final da sua missão é dar aos homens o “pão” que conduz à vida eterna. Para aceder a essa vida, os discípulos são convidados a “comer a carne” e a “beber o sangue” de Jesus – isto é, a aderir à Sua pessoa, a assimilar o Seu projeto, a interiorizar a Sua proposta. A Eucaristia cristã (o “comer a carne” e beber o sangue” de Jesus) é, ao longo da nossa caminhada pela Terra, um momento privilegiado de encontro e de compromisso com essa vida nova e definitiva que Jesus veio oferecer.

Na segunda leitura, Paulo garante aos cristãos de Tessalónica que Cristo virá de novo, um dia, para concluir a história humana e para inaugurar a realidade do mundo definitivo; todo aquele que tiver aderido a Jesus e se tiver identificado com Ele irá ao encontro do Senhor e permanecerá com Ele para sempre.

Na primeira leitura, Isaías anuncia e descreve o “banquete” que Deus, um dia, vai oferecer a todos os Povos. Com imagens muito sugestivas, o profeta sugere que o fim último da caminhada do homem é o “sentar-se à mesa” de Deus, o partilhar a vida de Deus, o fazer parte da família de Deus. Dessa comunhão com Deus resultará, para o homem, a felicidade total, a vida definitiva

MEDITAR

A BOA ETERNIDADE

Na nossa vida,
que é uma caminhada para a morte,
nós pressentimos, ó Senhor,
a Tua calma eternidade.
As coisas começam, têm o seu tempo e acabam.
Ao princípio do dia,
sentimos já que ele mergulhará na noite.
E toda a felicidade
já nos previne acerca do sofrimento futuro.
Edificamos a nossa casa
e fazemos a nossa obra
e sabemos que ela se arruinará.
Mas Tu, Senhor,
vives e nada de transitório Te toca.
Tu és o novo por essência
e não conheces saciedade.

De nada precisas.
Nada Te falta. És tudo.
Tua é a essência de toda a glória.
O centro da Tua eternidade
está onde Tu, ó Pai, e Tu, ó Filho,
estais juntos um do outro
na intimidade do Espírito Santo.
Nessa calma está o Teu amor e a Tua paz.
Nela está a tua pátria, ó Deus Bendito!
Quando o tempo se cumprir,
também lá será a minha pátria.

Dá-me a certeza disso.
Faz com que o desejo
nunca morra no meu coração,
a fim de que, quando a vida mudar,
eu permaneça unido àquilo que dá

medida e sentido a todas as coisas.
Toca o meu espírito
com o sopro da Tua eternidade,
para que eu realize bem a minha obra
no tempo e possa, um dia,
levá-la para o Teu Reino eterno. Ámen.

Romano Guardini

 

CONTO (524)

 

Cortar Lenha

Para grande surpresa do jovem, o mestre encontrava-se muitas vezes sentado, tendo isto acontecido durante toda a competição. E isto fortaleceu ainda mais a determinação do jovem, que continuou a cortar a lenha e a pensar:

- Coitado, o mestre realmente está muito velho…

No fim da competição foram medir os resultados, e o mestre tinha cortado mais lenha que o discípulo. O jovem indignado disse:

- Não consigo entender, não parei de cortar lenha o dia todo, com toda minha energia, e cada vez que eu olhava o senhor estava a descansar!

O mestre respondeu:

- Não meu jovem, eu não descansava apenas. Eu amolava o meu machado. Tu, por estares tão preocupado em cortar mais lenha, esqueceste-te desse pequeno pormenor. Amolar  o teu próprio machado! E por isso, a tua produtividade caiu e tu perdeste!

Um jovem com grande habilidade e rapidez no corte de lenha, procurou um mestre, o melhor cortador de lenha da região e pediu para ser aceite como seu discípulo a fim de aperfeiçoar os seus conhecimentos. O mestre concordou e passou a ensina-lo. Não se passou muito tempo e o discípulo julgou ser muito melhor que o mestre, desafiando-o para uma competição em público. Tendo o mestre aceite o desafio, tudo foi marcado, preparado e teve início a competição. O jovem trabalhava no corte da lenha sem parar, e, de vez em quando, olhava para ver como estava o trabalho do mestre.

Por fim, para melhor exprimir tudo o que tentou dizer sobre esta questão, Jean Guitton recorre às palavras de São João Maria Vianney, que dizia: «Se na hora da morte me aperceber de que Deus não existe, terei sido bem enganado, mas não lamentarei o facto de ter passado a vida inteira a crer no amor.»

Quanto a mim, se eu «perdesse a fé», estaria em plena sintonia com Jean Guitton, pois «seria no amor ou, para ser mais exato, no que existe de absoluto no amor, que eu creria.»

Faço minhas as suas palavras: «Se eu tivesse vergado sob o peso do desespero e privado de toda a esperança encontraria, nesta loucura possível do amor, força suficiente para dar ainda alguns passos na estrada da dor. Dito de outra forma, a ideia que me daria forças face à perda de tudo, seria a ideia de que existe talvez, algures, um ser capaz de amar com um amor infinito. E então, mesmo que esse ser fosse único, parece-me que valeria a pena o mundo ser aceite, e que teria uma razão de ser, e que o homem teria uma razão para viver e também para morrer.(...)

 

A única Fé decente e digna é a que humaniza as pessoas, as liberta dos medos e as cura dos egoísmos. Uma Fé à Jesus é capaz destes  milagres.

 

Quando a força de um reino é o amor, todos reinam, pois o amor é comunhão e nunca imposição.

Rui Santiago

 


INFORMAÇÕES

 

MÊS DAS ALMAS NA RIBEIRA SECA

Durante o mês de novembro, também chamado “Mês das Almas”, haverá missa na Ribeira Seca, de segunda-feira a sexta-feira, às 8 horas.

O peditório para as “Missas das Almas” será feito nos moldes dos  anos anteriores.

 

PASTORAL JUVENIL

A Pastoral Juvenil de São Jorge informa que haverá o Retiro pós-Crisma, Esquema Um, para todos os jovens que tenham feito o Retiro de preparação para o Crisma e que tenham recebido o Sacramento do Crisma.

O retiro será nos dias 21, 22 e 23 de novembro, na Pousada da Juventude de São Jorge.

As inscrições podem ser feitas junto dos párocos ou acedendo ao Facebook na página do Grupo Juvenil de São Jorge, onde encontrarão as informações necessárias para a inscrição.

 

DIA DO ACÓLITO

No dia 29 de novembro iremos celebrar o Dia do Acólito destinado aos acólitos de toda a Ilha de São Jorge. O encontro acontecerá em Rosais e terá início às 10 horas, com o encerramento previsto para as 16 horas com a celebração da Eucaristia. Contará com a presença de um Seminarista e será integrado na celebração da Semana dos Seminários que decorre na nossa Diocese. Todos os pais que queiram acompanhar os seus filhos na missa de encerramento estão convidados.

REUNIOES DA CATEQUISTAS

Ribeira Seca: 4 de novembro 20h.

Manadas: 6 de novembro 20h.

Biscoitos: 7 de novembro 20h.

O MUSEU FRANCISCO LACERDA convida as famílias (avós, pais, filhos, netos…) a participar na atividade “Voar no tear”, no próximo sábado, dia 8 de novembro de 2014, das 14 às 17horas, com o objetivo de promover a arte da tecelagem.


Faça download desta Carta Familiar em formato PDF: Nº 665

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Pensamento da Semana

 

Um anjo nunca se faz conhecer, nós só sabemos que ele esteve connosco quando ele parte. Porque deixa-nos na vida um perfume, deixa-nos na vida um desassossego.

 

Erri de Luca, in Em nome da mãe

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