nº 655

 PARA ALÉM DO HOJE

Cada vez mais se vive o momento. Fugimos do passado e temos medo do futuro, o que implica que sejamos forçados a viver um presente demasiado pequeno.

Os tempos de descanso devem ser ocasião de trabalho interior. Mas, vai sendo cada vez mais raro encontrar gente com memória, assim como também é raro encontrar pessoas com discernimento suficiente para se comprometer em projetos a longo prazo.

Navega-se à vista... sem riscos, sem sucessos nem fracassos... sem sentido. Vamos dando as respostas mínimas ao mundo e aos outros, em vez de sermos protagonistas dos nossos sonhos e heróis apesar das nossas derrotas.

O passado e o futuro não são mentira. São partes da verdade. Sou o que fui e o que serei. Uma identidade que vive no tempo, uma coerência que se constrói através de diferentes espaços e tempos, amando o que há de eterno em cada momento. Elevando o espírito acima da realidade concreta do mundo.

Uma existência autêntica – uma vida com valor – constrói-se com uma estrutura sólida, equilibrada e aberta a horizontes mais longínquos em termos temporais. Um presente maior, com mais passado e mais futuro. Sermos quem somos, de olhos abertos.

Não devemos viver dia a dia, mas sim semana a semana, mês a mês, ano a ano... precisamos de assumir que a nossa vida é tão bela quanto enorme, fugindo à triste lógica de tentar aproveitar cada dia como se fosse o último... não será a nossa vida muito maior e mais profunda que isso?

Sem as referências do passado e sem as responsabilidades do futuro, o momento não é presença, é ausência.

José Luís Nunes Martins

 

XXI DOMINGO DO TEMPO COMUM

No centro da reflexão que a liturgia do 21º Domingo do Tempo Comum nos propõe, estão dois temas à volta dos quais se constrói e se estrutura toda a existência cristã: Cristo e a Igreja.

O Evangelho convida os discípulos a aderirem a Jesus e a acolherem-n’O como “o Messias, Filho de Deus”. Dessa adesão, nasce a Igreja – a comunidade dos discípulos de Jesus, convocada e organizada à volta de Pedro. A missão da Igreja é dar testemunho da proposta de salvação que Jesus veio trazer. À Igreja e a Pedro é confiado o poder das chaves – isto é, de interpretar as palavras de Jesus, de adaptar os ensinamentos de Jesus aos desafios do mundo e de acolher na comunidade todos aqueles que aderem à proposta de salvação que Jesus oferece.

A primeira leitura mostra como se deve concretizar o poder “das chaves”. Aquele que detém “as chaves” não pode usar a sua autoridade para concretizar interesses pessoais e para impedir aos seus irmãos o acesso aos bens eternos;

mas deve exercer o seu serviço como um pai que procura o bem dos seus filhos, com solicitude, com amor e com justiça.

A segunda leitura é um convite a contemplar a riqueza, a sabedoria e a ciência de Deus que, de forma misteriosa e às vezes desconcertante, realiza os seus projetos de salvação do homem. Ao homem resta entregar-se confiadamente nas mãos de Deus e deixar que o seu espanto, reconhecimento e adoração se transformem num hino de amor e de louvor ao Deus salvador e libertador.

Dehonianos

 

MEDITAR

 

ORAÇÃO DE PRESENÇA

Que jamais, em tempo algum, o teu coração acalente o ódio.

Que o canto da maturidade jamais asfixie a tua criança interior.

Que o teu sorriso seja sempre verdadeiro.

Que as perdas do teu caminho sejam sempre encaradas como lições de vida.

Que a música seja tua companheira de momentos secretos contigo mesmo.

Que os teus momentos de amor contenham a magia de tua alma eterna em cada beijo.

Que os teus olhos sejam dois sóis olhando a luz da vida em cada amanhecer.

Que cada dia seja um novo recomeço, onde tua alma dance na luz.

Que em cada passo teu fiquem marcas luminosas de tua passagem em cada coração.

Que em cada amigo o teu coração faça festa e celebre o encanto da amizade profunda que liga as almas boas.

Que em teus momentos de solidão e cansaço esteja sempre presente em teu coração a lembrança de que tudo passa e se transforma, quando a alma é grande e generosa.

Que o teu coração voe contente nas asas da espiritualidade consciente, para que você perceba a ternura invisível tocando o centro do teu ser eterno.

Que um suave acalanto te acompanhe, na Terra ou no Espaço e por onde quer que o seu espírito lindo leve o teu viver.

Que o teu coração sinta a presença secreta de tudo aquilo que é impossível exprimir por palavras.

Que os teus pensamentos, os teus amores, o teu viver e a tua passagem pela vida sejam sempre abençoados por aquele amor que ama sem nome, aquele amor que não se explica, só se sente.

Que esse amor seja o teu acalanto secreto, viajando eternamente no centro do teu ser.

Que jamais, em tempo algum, você esqueça da presença que está em você e em todos os Seres.

 

Wagner Borges

 

CONTO (515)

 

LIÇÕES DO QUOTIDIANO

Michel trabalhava num hotel como instrutor de pesca. Seguro de si, por vezes ria intimamente dos erros cometidos pelos pescadores principiantes. Eles pareciam tão tolos.

Com certeza, o tipo mais extravagante que ele já conhecera era aquele que estava à sua frente. Parecia um modelo de catálogo de roupas desportivas.

O colete de pesca era novo. Estava tão duro que parecia engomado. Todo o equipamento de pesca reluzia. Era especialmente novo. O feltro das botas era branco como a neve. A cana de pescar nunca tinha sido usada e o carrete estava montado ao contrário.

Rico e exigente, pensou o instrutor. No entanto, quando estendeu a mão recebeu um aperto forte e sincero.

A mulher do principiante tirou uma foto como lembrança e depois deixou-os a sós.

O instrutor acertou a posição do carrete. O aprendiz deu os ombros e riu de si mesmo. A lição de arremesso da linha foi ali mesmo na relva. Depois foram para o rio.

Quando o principiante apanhou o primeiro peixe, soltou gritos de alegria. E, a cada peixe que pescava, fazia novos comentários.

“Não é lindo? Fantástico? Maravilhoso?” Enfim, todos os peixes, não importava o tamanho, eram louvados como pedras preciosas.

Quando, no fim da tarde, a pesca acabou, ele voltou-se sorridente e agradecido para o instrutor e confessou:

- Quero dizer-lhe uma coisa. Este foi um dos melhores dias da minha vida. Não era para eu estar aqui agora. Estive muito doente e os médicos acreditaram que eu não sobreviveria. Mas eu acreditei que sobreviveria. Melhorei muito e a minha mulher deu-me de presente todo este equipamento porque sempre desejei pescar com isca artificial. Esta viagem é uma espécie de comemoração para nossa família.

O instrutor ficou sem fala. Ele pensara tantas coisas a respeito daquele homem, que parecia quase um tolo, a gritar de alegria por cada peixe retirado da água.

E, contudo, ele estava comemorando a vida. A sua saúde. A possibilidade de ficar com os seus, na Terra, por mais um tempo.

Quando o instrutor o deixou na cabana, onde a esposa e os filhos o esperavam, pôde perceber que a nuvem escura que pairava sobre eles havia passado. Que eles podiam divertir-se com algo tão simples como férias em família.

Enquanto retornava ao seu próprio lar, o instrutor pensou que, no dia seguinte, partiria ao encontro de um novo pescador.

Mas, com certeza, nunca mais permitiria que roupas engomadas e caras ou um carrete ao contrário o levassem a acreditar que o aprendiz não teria alguma coisa para lhe ensinar.

 

 

Que esse amor transforme os teus dramas em luz, as tuas tristezas em celebração e os teus passos cansados em alegres passos de dança renovadora.

 

A bondade é um cego a segurar uma lâmpada. Não lhe serve de nada, mas ilumina o caminho aos outros.

Afonso Cruz

 

O maior problema das Teologias do Inferno é que são sempre elaboradas por pessoas que estão convencidas de não irem para lá!

 

 Rui Santiago

 


FESTA DE NOSSA SENHORA DA ENCARNAÇÃO

RIBEIRA DO NABO

 

Missa de Festa dia 31 de agosto às 18h00 seguindo-se a procissão.

 

FESTA DE SANTA FILOMENA - PENEDIA

 

Missa de Festa: 31 de agosto às 11h00.

 

FESTA DE NOSSA SENHORA DO LIVRAMENTO - LOURAL

 

Tríduos: 27, 28 e 29 de agosto às 20h00.

Missa de Festa: 31 de agosto às 13h00 seguindo-se a  procissão.

 


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Nº 819

Pensamento da Semana

 

Um anjo nunca se faz conhecer, nós só sabemos que ele esteve connosco quando ele parte. Porque deixa-nos na vida um perfume, deixa-nos na vida um desassossego.

 

Erri de Luca, in Em nome da mãe

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