Nº 627

PARÁBOLA DO PESCADOR

Era um homem rude no falar.
Mas tinha um coração de oiro.
Fazer o bem é, para aquele pescador, a coisa mais natural.
Desconversar era o seu jeito de estar com os outros.
Era a sua forma de exprimir a amizade.
Quando oferecia um "estalo" aos companheiros, todos entendiam um gesto de fraternidade.
Era conhecido por todas as crianças que frequentam o porto.
Ameaçava deitá-las ao mar.
Mas elas entendem que as está a convidar para entrar no barco.
Era frequente, num gesto desajeitado, deixar cair sardinhas ao chão.
Os pobres percebiam que era para eles apanharem.
Os que tinham fome chegavam-se a ele.
Frequentemente, repartia a merenda com marginais que convidava a tomar parte na faina.
No linguajar era rude.
Mas o seu coração era de oiro.
Partilhar era, para ele, um gesto natural.
Nunca passou por aquela cabeça a ideia de fazer o bem para ser notado.
Sentia-se irmão dos pobres de modo espontâneo.
Não tinha argúcia de raciocínio. Mas sabia amar.
Não sabia ter só para si.
Todos estimavam aquele pescador.
Os frequentadores do cais consideravam-no família sua.
Felizes os homens que são capazes de construir família para lá dos laços de sangue.
É a família de Deus que estão a edificar.
Esta sabedoria habitava o coração daquele pescador.
Não leu livros, nem frequentou a escola.
Não percebia de etiquetas nem de regras de civilidade.
Mas o amor é de tal maneira belo que supera as regras de cortesia.
A espontaneidade com que acolhia os pobres e marginais fazia crer que eram família.
A sua compreensão de Deus era mais rica que a de muitos dos que ensinam teologia nas cátedras.
Muitos destes não têm experiência de Deus nem dos Homens.
Acolhia a Deus com a mesma simplicidade com que acolhia os pobres e marginais.
Transmitia ternura no seu sorriso.
Um dia, o barco do pescador fez-se ao mar de manhã cedo.
Partiu, mas não voltou...
O cais ficou mais pobre.
Mas o Reino de Deus foi profundamente enriquecido.
Ninguém lhe fez uma estátua.
Mas o pescador habita no coração e na boca dos que continuam a ir ao cais.

Calmeiro Matias (Adaptado)

 

V DOMINGO DO TEMPO COMUM

A Palavra de Deus deste 5º Domingo do Tempo Comum convida-nos a refletir sobre o compromisso cristão. Aqueles que foram interpelados pelo desafio do “Reino” não podem remeter-se a uma vida cómoda e instalada, nem refugiar-se numa religião ritual e feita de gestos vazios; mas têm de viver de tal forma comprometidos com a transformação do mundo que se tornem uma luz que brilha na noite do mundo e que aponta no sentido desse mundo de plenitude que Deus prometeu aos homens – o mundo do “Reino”.

No Evangelho, Jesus exorta os seus discípulos a não se instalarem na mediocridade, no comodismo, no “deixa andar”; e pede-lhes que sejam o sal que dá sabor ao mundo e que testemunha a perenidade e a eternidade do projeto salvador de Deus; também os exorta a serem uma luz que aponta no sentido das realidades eternas, que vence a escuridão do sofrimento, do egoísmo, do medo e que conduz ao encontro de um “Reino” de liberdade e de esperança.

A primeira leitura apresenta as condições necessárias para “ser luz”: é uma “luz” que ilumina o mundo, não quem cumpre ritos religiosos estéreis e vazios, mas quem se compromete verdadeiramente com a justiça, com a paz, com a partilha, com a fraternidade. A verdadeira religião não se fundamenta numa relação “platónica” com Deus, mas num compromisso concreto que leva o homem a ser um sinal vivo do amor de Deus no meio dos seus irmãos.

A segunda leitura avisa que ser “luz” não é colocar a sua esperança de salvação em esquemas humanos de sabedoria, mas é identificar-se com Cristo e interiorizar a “loucura da cruz” que é dom da vida. Pode-se esperar uma revelação da salvação no escândalo de um Deus que morre na cruz? Sim. É na fragilidade e na debilidade que Deus Se manifesta: o exemplo de Paulo – um homem frágil e pouco brilhante – demonstra-o.

Dehonianos

 

MEDITAR

 

AMAR OS INIMIGOS

«Senhor, quando vieres na Tua glória,

 não Te lembres somente dos Homens de boa vontade;

 lembra-te, também, dos Homens de má vontade.

 E, no dia do Julgamento,

 não Te lembres apenas

 das crueldades e violências que eles praticaram:

 lembra-Te também dos frutos que produzimos

 por causa daquilo que nos fizeram.

 Lembra-Te da paciência, da coragem, da confraternização,

 da humildade, da grandeza de alma e da fidelidade

 que os nossos carrascos

 acabaram por despertar em cada um de nós.

 Permite então, Senhor,

 que os frutos em nós despertados

 possam servir também

 para salvar esses homens.»

José Tolentino Mendonça

 

CONTO (487)

 

QUANDO O ORGULHO CALA O AMOR

Conta-se que, num lugar da China, havia um velho sábio que decidia as questões conjugais. Era ele quem abençoava os casais que queriam unir-se e orientava os que estavam a desentender-se, dizendo-lhes se deveriam ou não separar-se.

Uma vez, o ancião foi procurado por dois jovens a quem havia abençoado havia alguns anos e que agora falavam em separação. O sábio, percebendo que os dois se amavam, não viu motivo para que desfizessem a união, mas não conseguia convencê-los disso. Então, ofereceu-lhes uma planta e disse:

— Esta planta é muito sensível. Vocês devem colocá-la na sala e, quando ela morrer, então poderão separar-se.

Assim foi. O casal colocou a planta no centro da sala e ficou aguardando “ansiosamente” a sua morte.

Certa madrugada, ambos encontraram-se com regadores em punho, cuidando da planta. Naquele dia, amaram-se como nunca.

A planta sensível era, na verdade, a relação dos dois. O amor era forte suficiente a ponto de acordá-los em plena madrugada. Mas então o que estaria ameaçando aquela união? O orgulho.

O orgulho impede-nos de pedir perdão. O orgulho não nos deixa perdoar. O orgulho não nos deixa dizer que ainda amamos…

 

 

“Há cristãos que parecem ter escolhido viver uma Quaresma sem Páscoa. Reconheço, porém, que a alegria não se vive da mesma maneira em todas as etapas e circunstâncias da vida, por vezes muito duras. Adapta-se e transforma-se, mas sempre permanece pelo menos como um feixe de luz que nasce da certeza pessoal de, não obstante o contrário, sermos infinitamente amados. Compreendo as pessoas que se vergam à tristeza por causa das graves dificuldades que têm de suportar, mas aos poucos é preciso permitir que a alegria da fé comece a despertar, como uma secreta mas firme confiança, mesmo no meio das piores angústias: «A paz foi desterrada da minha alma, já nem sei o que é a felicidade (…). Isto, porém, guardo no meu coração; por isso, mantenho a esperança. É que a misericórdia do Senhor não acaba, não se esgota a sua compaixão. Cada manhã ela se renova; é grande a tua fidelidade. (...) Bom é esperar em silêncio a salvação do Senhor» (Lm 3,17.21-23.26). E.G. nº 5

 

A solidão não é viver só, a solidão é não sermos 
capazes de fazer companhia a alguém ou a alguma
coisa que está dentro de nós, a solidão não é uma
árvore no meio duma planície onde só ela esteja,
é a distância entre a seiva profunda e a casca,
entre a folha e a raiz.

José Saramago

 


INFORMAÇÕES

 

RECEITAS

Recolha do Culto na paróquia da Ribeira Seca - 3.510,00€

 

VENDE-SE

Encontra-se à venda um pasto no sitio do Urzal e uma relva no sitio da Calçada da freguesia da Ribeira Seca.

Os interessados podem contatar os seguintes nºs 295416822 e 927892822

 

NÚCLEO DE ATEMDIMENTO E APOIO À VÍTIMA DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

Contactos: 295412347; polosjorge@hotmail.com

 


Faça download desta Carta Familiar em formato PDF: Nº 627

Agenda Pastoral

Destaque

Mais Recente Carta Familiar em PDF!

Nº 819

Pensamento da Semana

 

Um anjo nunca se faz conhecer, nós só sabemos que ele esteve connosco quando ele parte. Porque deixa-nos na vida um perfume, deixa-nos na vida um desassossego.

 

Erri de Luca, in Em nome da mãe

Os nossos Links

Ouvidoria de São Jorge
FAJÃS Grupo de Jovens
Cartas Familiares Anteriores

H2ONews

Visitas


Ver Estatísticas