Nº 623

NÃO SABES DE ONDE VEM NEM PARA ONDE VAI

Quem és tu, doce luz que me cumula
E ilumina as trevas do meu coração?
Tu me guias como a mão de uma mãe
E, se me largasses,
Eu não poderia dar nem mais um passo.
Tu és o espaço
Que envolve o meu ser e o abriga em ti.
Se o abandonasses, afundar-se-ia no abismo do nada,
De onde o tiraste para o elevares até à luz.
Tu, mais próximo de mim
Do que eu mesma estou,
Mais íntimo do que as profundezas da minha alma
E, contudo, intocável e inefável,
Para além de todo o nome,
Espírito Santo, Amor eterno!
Não és tu o doce maná
Que, do coração do Filho,
Transborda para o meu,
Alimento dos anjos e dos bem-aventurados?
Aquele que se ergueu da morte à vida
Acordou-me também a mim
Do sono da morte para uma vida nova.
E, dia após dia,
Continua a dar-me uma nova vida,
Cuja plenitude um dia me inundará,
Vida saída da tua vida,
Sim, Tu mesmo,
Espírito Santo, Vida eterna!

Edith Stein, a carmelita judeo-alemã, filósofa,

morreu no dia 9 de Agosto de 1942, em Auschwitz

 

FESTA DO BATISMO DO SENHOR

A liturgia deste domingo tem como cenário de fundo o projeto salvador de Deus. No batismo de Jesus nas margens do Jordão, revela-se o Filho amado de Deus, que veio ao mundo enviado pelo Pai, com a missão de salvar e libertar os homens. Cumprindo o projeto do Pai, Ele fez-Se um de nós, partilhou a nossa fragilidade e humanidade, libertou-nos do egoísmo e do pecado e empenhou-Se em promover-nos, para que pudéssemos chegar à vida em plenitude.

A primeira leitura anuncia um misterioso “Servo”, escolhido por Deus e enviado aos homens para instaurar um mundo de justiça e de paz sem fim… Investido do Espírito de Deus, Ele concretizará essa missão com humildade e simplicidade, sem recorrer ao poder, à imposição, à prepotência, pois esses esquemas não são os de Deus.

No Evangelho, aparece-nos a concretização da promessa profética: Jesus é o Filho/“Servo” enviado pelo Pai, sobre quem repousa o Espírito e cuja missão é realizar a libertação dos homens. Obedecendo ao Pai, Ele tornou-Se pessoa, identificou-Se com as fragilidades dos homens, caminhou ao lado deles, a fim de os promover e de os levar à reconciliação com Deus, à vida em plenitude.

A segunda leitura reafirma que Jesus é o Filho amado que o Pai enviou ao mundo para concretizar um projeto de salvação; por isso, Ele “passou pelo mundo fazendo o bem” e libertando todos os que eram oprimidos. É este o testemunho que os discípulos devem dar, para que a salvação que Deus oferece chegue a todos os povos da terra.

Dehonianos

 

MEDITAR

 

Nas margens do Jordão, junto ao deserto,

Bradou João e os homens se agitaram:

«Arrependei-vos, porque Se aproxima

Aquele que os Profetas anunciaram!».

 

Vinham de toda a parte da Judeia

E nas águas João os batizava:

«Já no meio de vós está presente

Quem no fogo do Espírito vos lava!».

 

Vendo Jesus pedir o seu Batismo,

Exclamou aos discípulos amados:

«Deus cumpriu a promessa: Eis o Cordeiro,

Que o mundo salvará dos seus pecados!».

 

«Eis o Meu Filho, a minha complacência!».

Esta voz fez-se ouvir, vinda do Céu,

E sobre Cristo, como unção sagrada,

Visivelmente o Espírito desceu.

 

Louvemos a Santíssima Trindade,

Que junto do Jordão Se manifesta:

Batiza-Se Jesus e a terra exulta,

A sua redenção cantando em festa.

Da Liturgia das Horas

 

CONTO (484)

 

O ÚNICO JESUS QUE EU CONHECI

Há alguns anos atrás um prisioneiro branco morreu de ataque cardíaco em Montgomery, no Alabama.

Na prisão tivera uma profunda experiência de conversão e construído um relacionamento autêntico com Jesus.

O presidiário da cela ao lado, um negro enorme, era cínico. Todas as noites o prisioneiro branco falava por entre as barras da prisão e falava ao seu companheiro sobre o amor de Jesus.

O negro troçava dele; dizia que ele estava doente da cabeça, que a religião era o último refúgio dos insanos.

 Apesar disso, o prisioneiro branco passava-lhe passagens das Escrituras e repartia com ele os doces que recebia de algum parente.

 Durante o funeral do homem branco, quando o padre falou a respeito da vitória de Jesus na Páscoa, o robusto prisioneiro negro ergueu-se a meio do sermão, apontou para o caixão e disse:

- Esse é o único Jesus que eu conheci.

Brennan Manning, in A assinatura de Jesus

A bondade é um caminho extremamente severo e, porque é severa, tem necessidade de ser discreta. E de ser forte, porque a bondade, tal como o amor, exige força, a grande, a imensa força do Espírito.

Susanna Tamaro, em Querida Mathilda

 


 

EVANGELII GAUDIUM

"Convido todo o cristão, em qualquer lugar e situação que se encontre, a renovar hoje mesmo o seu encontro pessoal com Jesus Cristo ou, pelo menos, a tomar a decisão de se deixar encontrar por Ele, de O procurar dia a dia sem cessar. Não há motivo para alguém poder pensar que este convite não lhe diz respeito, já que «da alegria trazida pelo Senhor ninguém é excluído». Quem arrisca, o Senhor não o desilude; e, quando alguém dá um pequeno passo em direção a Jesus, descobre que Ele já aguardava de braços abertos a sua chegada. Este é o momento para dizer a Jesus Cristo: «Senhor, deixei-me enganar, de mil maneiras fugi do vosso amor, mas aqui estou novamente para renovar a minha aliança convosco. Preciso de Vós. Resgatai-me de novo, Senhor; aceitai-me mais uma vez nos vossos braços redentores». Como nos faz bem voltar para Ele, quando nos perdemos! Insisto uma vez mais: Deus nunca Se cansa de perdoar, somos nós que nos cansamos de pedir a sua misericórdia. Aquele que nos convidou a perdoar «setenta vezes sete» (Mt 18, 22) dá-nos o exemplo: Ele perdoa setenta vezes sete. Volta uma vez e outra a carregar-nos aos seus ombros. Ninguém nos pode tirar a dignidade que este amor infinito e inabalável nos confere. Ele permite-nos levantar a cabeça e recomeçar, com uma ternura que nunca nos defrauda e sempre nos pode restituir a alegria. Não fujamos da ressurreição de Jesus; nunca nos demos por mortos, suceda o que suceder. Que nada possa mais do que a sua vida que nos impele para diante!" (nº 3)

da Primeira Exortação Apostólica do Papa Francisco

 


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Pensamento da Semana

 

Um anjo nunca se faz conhecer, nós só sabemos que ele esteve connosco quando ele parte. Porque deixa-nos na vida um perfume, deixa-nos na vida um desassossego.

 

Erri de Luca, in Em nome da mãe

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