Nº 612

Estrato da homília do  encontro dos ex-combatentes

Este ano, a equipa organizadora do encontro dos ex-combatentes quis homenagear as mães que, às vezes, contra toda a esperança mantinham viva no seio da família o reencontro com seus filhos que, lá longe, em terras estranhas e misteriosas cumpriam o seu dever pátrio.

Mulheres de lenço escondido no avental que, as escondidas, iam limpando as lágrimas choradas pelos filhos que lhes tinham sido levados para uma terra e uma guerra que elas não percebiam e nem conheciam.

Lembro-me bem da minha mãe que chegou a ter três filhos ao mesmo tempo na chamada “tropa". Quando nós, os mais novos, lhe perguntávamos:

- Porque é que a mãe chora?

Ela, escondendo as lágrimas, dizia:

- Eles estão na “tropa” e lá há pessoas más que os podem matar. E nós sem o percebermos, miúdos como éramos íamos lá saber o que era isso. Eles eram grandes, cheios de força e trabalhavam muito. Eram homens feitos para se defender e não se deixar cair por qualquer coisa.

Eu tinha 7 anos de idade quando o meu irmão mais velho lá partiu para a tropa. Víamos a minha mãe agarrada a ele e a chorar, o meu pai à espera que esta simbiose de coração de mãe e filho tivesse o seu termo.

Lembro-me dos dias em que chegava uma carta ou um aerograma.

Lá corríamos todos para o quarto dos meus pais e minha mãe em silêncio lá puxava do seu lenço que trazia sempre no avental e abria a carta. Penso que este abrir da carta já lhe trazia o mistério, a interrogação da notícia, o estado em que ele estava. A vida, os perigos… Abrir a carta era compassado, não pela carta mas pelo que ela continha. Será que vale a pena abrir? Não será melhor continuar no mistério?!

E num novo suspiro lá arranjava forças para abrir a carta e começar a leitura…

Sei que todas tinham o mesmo início: “Queridos pais e irmãos…” e as lágrimas lá surgiam novamente… Sei que me interrogava: Porque será que ela chora? E os outros irmãos mais novos, também, se interrogavam com o mesmo.

Hoje, percebo a saudade, a distância, o mistério acompanhados dos perigos

Hoje, percebo que para um coração de mãe pode haver sempre esta lágrima que teima em aparecer, mesmo com os filhos ali ao lado. Quantos cantos de nossas casas não guardam lágrimas de nossas mães. Lembro-me bem da minha mãe que, sendo ainda nova, trazia no rosto as marcas de uma vida experimentada pelo sofrimento, pela tristeza, pela saudade.

Vejo nela uma mulher forte de braços erguidos, como ensina a liturgia de hoje, mulher que não virava o rosto e nem desanimava. Sabia que a vida era de se levar erguida, de pé.

Vejo assim as mães de todos os que aqui se encontram. Eram e são mulheres fortes. Mulheres de coragem. Mulheres de saber feito e amassado pelo sofrimento e pela saudade.

Vejo nelas a santidade de quem recorre a Deus. Não perdiam a esperança. Confiavam que com a ajuda de Deus e da Virgem Maria iam ter de novo a alegria do encontro.

Hoje muitas destas mães estão no céu, na felicidade plena. Hoje elas fazem a festa com Deus. Eu gosto de dizer: fazem a dança com Deus.

A TODAS AS MÃES FICA A MINHA HOMENAGEM, O MEU PROFUNDO RESPEITO E ADIMIRAÇÃO.

Pe. Manuel António 

XXX DOMINGO DO TEMPO COMUM

A liturgia deste domingo ensina-nos que Deus tem um “fraco” pelos humildes e pelos pobres, pelos marginalizados; e que são estes, no seu despojamento, na sua humildade, na sua finitude (e até no seu pecado), que estão mais perto da salvação, pois são os mais disponíveis para acolher o dom de Deus.

A primeira leitura define Deus como um “juiz justo”, que não se deixa subornar pelas ofertas desses poderosos que praticam injustiças na comunidade; em contrapartida, esse Deus justo ama os humildes e escuta as suas súplicas.

O Evangelho define a atitude correta que o crente deve assumir diante de Deus. Recusa a atitude dos orgulhosos e autossuficientes, convencidos de que a salvação é o resultado natural dos seus méritos; e propõe a atitude humilde de um pecador, que se apresenta diante de Deus de mãos vazias, mas disposto a acolher o dom de Deus. É essa atitude de “pobre” que Lucas propõe aos crentes do seu tempo e de todos os tempos.

Na segunda leitura, temos um convite a viver o caminho cristão com entusiasmo, com entrega, com ânimo – a exemplo de Paulo. A leitura foge, um pouco, ao tema geral deste domingo; contudo, podemos dizer que Paulo foi um bom exemplo dessa atitude que o Evangelho propõe: ele confiou, não nos seus méritos, mas na misericórdia de Deus, que justifica e salva todos os homens que a acolhem.

Dehonianos

 

MEDITAR

 

EU VI

 

Eu vi
a cumplicidade entre pessoas que caminham lado a lado,
que é capaz de deitar por terra preconceitos e certezas.


Eu vi
o amor que não desiste
que é capaz de restaurar a vontade de viver e de ser mais.


Eu vi
olhares que dizem tudo,
sorrisos que beijam a alma,
abraços que ressuscitam.


Eu vi
o tempo parar,
durante duas horas cheias,
tão plenas que darão frutos de eternidade.


Eu vi
o amor sem explicação,
fruto da Tua graça,
a abrir os corações
e a calar-nos.


Eu vi-Te.

 Eneida Costa 

 

CONTO (472)

O PESO DA ORAÇÃO

Uma mulher pobre entrou numa loja de produtos alimentares. Aproximou-se do dono e pediu-lhe em voz baixa:

- Pode vender-me alguns alimentos a crédito? Neste momento não tenho dinheiro e os meus filhos passam fome.

- Não vendo fiado a ninguém. Vá a outra loja do bairro.

Um cliente que estava presente viu toda a cena e pediu ao dono da loja que fizesse a vontade à pobre mulher. Foi então que ele perguntou à mulher:

- Tem a lista daquilo que quer comprar? Então ponha-a na balança. Dar-lhe-ei tanta mercadoria quanto o peso da sua lista.

A mulher tirou da bolsa uma folha de papel, escreveu apressadamente alguma coisa a mais e, de cabeça baixa, colocou-a no prato da balança.

O dono da loja e o cliente ficaram espantados ao ver que o parto da balança baixou de repente e assim permaneceu. Depois, o homem começou a colocar os produtos da lista, um por um, no prato da balança, mas ela não se movia. Havia latas, embalagens, pacotes a abarrotar. Mas acontecia o inexplicável: o peso do papel parecia incrível.

No final, pegou no papel, desdobrou-o e leu. Não era uma lista de despesas. Era uma oração: «Meu Deus, conheces a minha situação e sabes como é grande a minha necessidade. Ponho tudo nas Tuas mãos».

 In  Bom dia, alegria de Pedrosa Ferreira

 

 

Uma das tarefas mais alegres de um educador é provocar, nos seus alunos, a experiência do espanto. Um aluno espantado é um aluno pensante…

A primeira tarefa da educação é ensinar as crianças a serem elas mesmas. (...) ensinem as crianças a tomar consciência dos seus sonhos!

A segunda tarefa da educação é ensinar a conviver.

 

Rubem Alves

 


INFORMAÇÕES

CLÍNICA DENTÁRIA DA RIBEIRA SECA

Informa que a D a Cátia Reis, médica dentista, estará nesta Clínica a prestar consultas de medicina dentária de 2 a 12 de novembro 2013.

As marcações podem ser feitas através do nº 962577473

 

CLÍNICA DOS BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS DA CALHETA

A Direção da Associação de Bombeiros Voluntários da Calheta informa que estarão na Clínica da Instituição os seguintes médicos:

Dr. Carlos Aguilar, Oftalmologista, no dia 11 de novembro de 2013;

Dr. ª Paula Pires, Neurologista, no dia 22 de novembro de 2013.

 Os interessados podem fazer as suas marcações para os números 295 460 110 / 295460111.

 

MOVIMENTO DE SOLIDARIEDADE

O André Brasil Melo é um jovem, residente nos Biscoitos, Calheta, a quem foi diagnosticado Leucemia. Todos sabemos o que é exigido nestas alturas ao André e a toda a sua família.

Pela ilha, surgiu uma onda de solidariedade que é de louvar. Para quem quiser ajudar aqui fica o NIB da conta do André: 003800004053190277187.

Desde já agradecemos a partilha que vier a ser dada.

 


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Dá-nos um coração claro que veja o céu aberto
e o mundo como os olhos de uma criança,
olhos de confiança e de descoberta
que nos salvem dos hábitos.

 

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