Nº 561

 

PORQUE CHORAS?

Desde o século II que alguns cristãos rezavam pelos falecidos, visitando os túmulos dos mártires para rezar pelos que morreram. No século V a igreja dedicava um dia do ano para rezar por todos os mortos, pelos quais ninguém rezava e dos quais ninguém se lembrava. Foi no século XIII que se estabeleceu que no dia 2 de novembro se celebraria o dia dos Fiéis Defuntos.
Porque choras? Porque é natural chorar quando alguém parte, quando sentimos a sua ausência, quando sabemos que não a voltamos a tocar, não sentiremos o seu perfume… Porque é natural chorar!
 
Porque choras?
A morte é portadora de uma grande esperança: que a vida do Homem não termina aqui. Partimos para a casa do Pai. Choras de alegria? (é fácil escrever, difícil é viver. Mas mais difícil é ser testemunha e portador desta esperança, desta certeza).
 
Como dizia a minha mãe: não chores, filho, a avô partiu, mas estará sempre a olhar para nós, foi para junto do Jesus. E tudo parecia que ganhava uma nova vida.
 
Ninguém vive só. Ninguém peca sozinho. Ninguém se salva sozinho. Continuamente entra na minha existência a vida dos outros: naquilo que penso, digo, faço e realizo. E, vice-versa, a minha vida entra na dos outros: tanto para o mal como para o bem. Deste modo, a minha intercessão pelo outro não é de forma alguma uma coisa que lhe é estranha, uma coisa exterior, nem mesmo após a morte. Na trama do ser, o meu agradecimento a ele, a minha oração por ele pode significar uma pequena etapa da sua purificação. E, para isso, não é preciso converter o tempo terreno no tempo de Deus: na comunhão das almas fica superado o simples tempo terreno.
 
Nunca é tarde demais para tocar o coração do outro, nem é jamais inútil. Assim se esclarece melhor um elemento importante do conceito cristão de esperança. A nossa esperança é sempre essencialmente também esperança para os outros; só assim é verdadeiramente esperança também para mim. Como cristãos, não basta perguntarmo-nos: como posso salvar- me a mim mesmo? Deveremos antes perguntar-nos: o que posso fazer a fim de que os outros sejam salvos e nasça também para eles a estrela da esperança? Então terei feito também o máximo pela minha salvação pessoal.
 
Texto elaborado para o DNPJ (Adaptado)
 

XXXI DOMINGO DO TEMPO COMUM

Tema

A liturgia do 31° Domingo do Tempo Comum diz-nos que o amor está no centro da experiência cristã. O caminho da fé que, dia a dia, somos convidados a percorrer, resume-se no amor Deus e no amor aos irmãos - duas vertentes que não se excluem, antes se complementam mutuamente.
A primeira leitura apresenta-nos o início do "Shema' Israel" - a solene proclamação de fé que todo o israelita devia fazer diariamente. É uma afirmação da unicidade de Deus e um convite a amar a Deus com todo o coração, com toda a alma e com todas as forças.
O Evangelho diz-nos, de forma clara e inquestionável, que toda a experiência de fé do discípulo de Jesus se resume no amor - amor a Deus e amor aos irmãos. Os dois mandamentos não podem separar-se: "amar a Deus" é cumprir a sua vontade e estabelecer com os irmãos relações de amor, de solidariedade, de partilha, de serviço, até ao dom total da vida. Tudo o resto é explicação, desenvolvimento, aplicação à vida prática dessas duas coordenadas fundamentais da vida cristã.
A segunda leitura apresenta-nos Jesus Cristo como o sumo-sacerdote que veio ao mundo para cumprir o projecto salvador do Pai e para oferecer a sua vida em doação de amor aos homens. Cristo, com a sua obediência ao Pai e com a sua entrega em favor dos homens, diz-nos qual a melhor forma de expressarmos o nosso amor a Deus
Dehonianos
 

MEDITAR

 

SOU EU, NÃO TEMAS

 
Sou eu, não temas. Não me ouves quebrar
em ti todos os meus sentidos?
O meu sentir que asas veio a encontrar,
voa, branco, à volta da tua face sem ruídos.
Não vês a minha alma de silêncio vestida
mesmo frente a ti aparecida?
Não amadurece minha oração em flor
no teu olhar como numa árvore de suave odor?
 
Eu sou o teu sonho, se sonhador fores.
Sou a tua vontade, se velar quiseres
e apodero-me da magnificência sem par
e arredondo-me como um silêncio estelar
sobre a estranha cidade do tempo a passar.
 
Rainer Maria Rilke, in O Livro de Horas

 CONTO (425)

 

O CORAÇÃO

Miguel era um adolescente algo melancólico, tímido e calado, que conservava em segredo os seus sentimentos para com uma companheira de escola. A rapariga não lhe ligava importância, até porque não sabia dessa paixão. Além disso, estava sempre rodeada de rapazes que a admiravam.
Miguel era inteligente e muito bom nos estudos. Mas renunciava a sobressair de entre os outros e também para se manifestar acessível a Maria, com quem gostaria de estabelecer namoro.
Isso permitia-lhe passar como qualquer outro estudante que tinha dificuldades e, com esse pretexto, aproximava-se de Maria para aclarar dúvidas. Era esta a maneira de se aproximar dela e da a contemplar, enquanto ela lhe explicava o que ele já sabia. Depois guardava esses apontamentos que ela lhe dava e conservava-os como verdadeiras cartas de amor.
Maria padecia de uma doença cardíaca que repentinamente se agravou, precisando de imediato transplante de coração. Era questão de meses.
Por essa altura aconteceu que Miguel foi atropelado por um automóvel. O acidente foi mortal. E antes de morrer teve apenas força para dizer:
- Quero doar o meu coração a Maria.
Ninguém, nem sequer Maria, percebeu porque fez isto.
 In Alegre Manhã de Pedrosa Ferreira

 

Deus vem buscar o Homem.
A beleza não é mais do que Deus que vem buscar o Homem.
Tudo aquilo que é beleza no mundo é como uma encarnação.
Em tudo aquilo que nos dá o puro sentimento do belo,
há presença real de Deus.
A beleza é esta presença de Deus entre nós.
 Simone Weil

 

INFORMAÇÕES

 

AGRADECIMENTO

Jorgina Maria Faustino agradece a todas as pessoas que a ajudaram com bens e de muitas outras formas, pela perda que teve no temporal desta semana.
Após ter perdido praticamente tudo o que tinha, o auxílio das pessoas foi essencial para recuperar a esperança e adquirir vontade para continuar a sua vida e dar ânimo também à sua própria família.
Um obrigado sincero a todos.

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Pensamento da Semana

 

Um anjo nunca se faz conhecer, nós só sabemos que ele esteve connosco quando ele parte. Porque deixa-nos na vida um perfume, deixa-nos na vida um desassossego.

 

Erri de Luca, in Em nome da mãe

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