Nº 470

 

RECORDAR

Hoje, está a ser difícil iniciar esta primeira página. Há dias em que é assim... Não há tema para se escrever.
Veio-me à ideia partilhar outros tempos, lá para o início da minha vida e andanças nestas coisas do Reino. Não me parece que tenha algo de extraordinário, mas a vida não é feita só de coisas fora de série e, às vezes, as que são simples ficam mais caladas dentro de nós.
Num lugar onde havia a Partilha do Pão Eucarístico, que não era paróquia e nem reconhecido nos mapas de alguma relevância. Não havia centro de culto de arquitectura que fosse procurada por turistas e gente habituada a obras de arte. Um lugar que era apenas para a celebração festiva. Alegre pelas muitas crianças que ali vinham ouvir a Novidade do Evangelho. Vinham fazer rodas cheias de alegria, cantigas cheias de vida e entusiasmo. Crianças que pareciam colher cada palavra e cada gesto dos catequistas como uma novidade sempre nova.
Adultos que pareciam não ter pressa porque viam naquele momento o encontro da partilha de vida de uma semana de trabalho. Altura de se recordar tempos já passados com o mesmo entusiasmo e alegria da gente nova que por ali enchia de vida toda aquela terra.
Via a simplicidade das coisas. As flores do jardim e do campo que alegravam o altar e a cruz simples de madeira, sem Cristo. Convite a colocar tantas necessidades daquela gente que esperava palavras consoladoras e amigas.
Era assim um lugar aberto, acolhedor, à espera de um encontro que era mais do que isso, porque era festa alegre, não só pelos que ali estavam mas pela partilha da Palavra e do Pão da Eucaristia.
Ainda recordo que aquele momento era especial para todos, pela atenção, pelos cânticos, pelo silêncio…
Hoje partilhava com gente daquela terra e daquele tempo que, num momento de celebração festiva da Eucaristia, passou um carro que, na sua forma de chamar, anunciava a venda de chicharros e logo saiu uma senhora que queria aproveitar o sustento da casa e da família e logo outros ficaram inquietos para o proveito de suas casas. Então disse: «os que quiserem podem sair que espero até que estejam de novo na Igreja». Na Ermida houve grande movimentação e lá recomecei a Eucaristia como se se tivesse tratado de coisa normal. E sim, acho que o era por ser a vida daquele gente.
À distância do tempo, vejo que hoje há outras formas de partilha e de vida que não são menos belas que aquelas daquele tempo. O olhar de cada um tem de descobrir a beleza em cada gesto de amor e de partilha. O nosso Deus também faz festa nestas ocasiões.
Pe. Manuel António

V DOMINGO DO TEMPO COMUM

Tema:

A Palavra de Deus deste 5º Domingo do Tempo Comum convida-nos a reflectir sobre o compromisso cristão. Aqueles que foram interpelados pelo desafio do “Reino” não podem remeter-se a uma vida cómoda e instalada, nem refugiar-se numa religião ritual e feita de gestos vazios; mas têm de viver de tal forma comprometidos com a transformação do mundo que se tornem uma luz que brilha na noite do mundo e que aponta no sentido desse mundo de plenitude que Deus prometeu aos homens – o mundo do “Reino”.
No Evangelho, Jesus exorta os seus discípulos a não se instalarem na mediocridade, no comodismo, no “deixa andar”; e pede-lhes que sejam o sal que dá sabor ao mundo e que testemunha a perenidade e a eternidade do projecto salvador de Deus; também os exorta a serem uma luz que aponta no sentido das realidades eternas, que vence a escuridão do sofrimento, do egoísmo, do medo e que conduz ao encontro de um “Reino” de liberdade e de esperança.
A primeira leitura apresenta as condições necessárias para “ser luz”: é uma “luz” que ilumina o mundo, não quem cumpre ritos religiosos estéreis e vazios, mas quem se compromete verdadeiramente com a justiça, com a paz, com a partilha, com a fraternidade. A verdadeira religião não se fundamenta numa relação “platónica” com Deus, mas num compromisso concreto que leva o homem a ser um sinal vivo do amor de Deus no meio dos seus irmãos.
A segunda leitura avisa que ser “luz” não é colocar a sua esperança de salvação em esquemas humanos de sabedoria, mas é identificar-se com Cristo e interiorizar a “loucura da cruz” que é dom da vida. Pode-se esperar uma revelação da salvação no escândalo de um Deus que morre na cruz? Sim. É na fragilidade e na debilidade que Deus se manifesta: o exemplo de Paulo – um homem frágil e pouco brilhante – demonstra-o.
(Dehonianos)
 

MEDITAR

 

TEMPO E DINHEIRO
Um homem reza a Deus:
- Senhor, gostaria de Te fazer uma pergunta.
- Podes perguntar o que quiseres, responde Deus.
- Senhor, é verdade que para Ti um milhão de anos é apenas um segundo?
- Sim, é verdade. Até vem nos Salmos. Mil anos são como o dia de ontem que passou.

Bem, nesse caso também podemos dizer que um milhão de euros, para Ti, são uns meros trocos, não é?
- Sim, um milhão de euros não passa de um cêntimo.
- Então, nesse caso, Senhor, podes dar-me uns cêntimos?
- Claro - responde Deus - espera uns segundos.
In CV
 

CONTO (338)

 

O BANQUETE DOS FORTES

Os animais mais fortes da floresta decidiram organizar um banquete só para eles. Encarregaram o elefante de preparar os alimentos e de fazer os convites.
Quando chegou o dia, o primeiro a apresentar-se foi o leão, o rei da floresta. Sem grandes cerimónias, sentou-se no lugar de honra e, pousando as patas na mesa, deu um rugido para recordar a todos que ele era o rei.
Junto do leão, sentaram-se o tigre, a pantera, o leopardo, o urso, o rinoceronte, o crocodilo e, por fim, o elefante.
A notícia do banquete para alguns escolhidos, apesar dos esforços feitos para se guardar segredo, espalhou-se por toda a floresta. Por isso, apareceram também outros animais famintos. Entre eles estava o macaco, que saltava de ramo em ramo a observar tudo, e a zebra a queixar-se por ter sido marginalizada. O que fazia mais barulho era o javali que, com toda a sua numerosa família, incitava os outros a gritar: «Todos os animais nascem livres e iguais em dignidade e direitos!»
O leão, inicialmente, não fez caso. Mas depois começou a irritar-se com tanta confusão e disse ao elefante:
- Quem te autorizou a convidar todos os animais da floresta?
O paquiderme explicou que convidara apenas os animais mais fortes e poderosos, mas que tinha havido certamente uma fuga de informação.
O leão perguntou:
- E agora que havemos de fazer?
O elefante, apesar de ser grande, era sensível ao sofrimento e à miséria dos outros. Por isso, propôs que se aumentasse a mesa e se arranjasse lugar para todos. Mas o leão, prepotente e egoísta, não concordou. Decidiu usar a força e, rugindo, começou a afugentar os animais, agredindo os mais débeis. Todos fugiram aterrorizados.
No final, disse ao elefante:
- Viste como eu resolvi a questão? Esses animais têm ideias estranhas: não sabem que o bem-estar é só para poucos privilegiados? Agora podemos comer tranquilamente.
Mas o macaco decidiu dar-lhes uma lição. Tendo reparado que numa árvore próxima havia um ninho de vespas, subiu, arrancou o ninho e atirou-o para cima dos comensais. As vespas, furiosas, atacavam todo o animal que encontrassem e foi assim que os ricos comensais tiveram de fugir a grande velocidade.
A mesa ficou sem ninguém. Os pequenos regressaram e fizeram eles a festa.
in, Bom dia, alegria de Pedrosa Ferreira

 

O sábio não escarnece do ignorante, esclarece-o com amor.
Autor desconhecido
 
“A vida é uma ponte, atravesse-a, mas não fixe nela sua morada.”
Santa Catarina de Siena
 
“Cada um que passa em nossa vida, passa sozinho, pois cada pessoa é única e nenhuma substitui a outra.”
 
Saint-Exupéry

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