Nº 1022

 

Jesus, “Homem-de-cuidado”

"O amor é a expressão mais alta do cuidado, porque tudo o que amamos também cuidamos. E tudo o que cuidamos é um sinal de que também amamos..."

“Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida pelas suas ovelhas” (Jo 10,11).

«Jesus foi um "homem-de-cuidado" e deixou aos seus seguidores um estilo de vida fundado no cuidado.

A imagem do “Bom Pastor” revela esse modo de ser e proceder de Jesus.

A Sua presença e Sua intervenção  revelam-nos o compromisso com a vida, a afirmação da dignidade e da sacralidade de cada pessoa, bem como a reintegração dos excluídos na comunidade humana. Jesus é um bió-filo (amigo da vida), pois revela uma especial atenção e zelo pela vida, seja da natureza, seja do ser humano. Cada vida é um cenário de manifestação do Pai. Tudo lhe causava admiração e encantamento.

O cuidado é algo mais que um ato ou uma virtude entre outras; ele  encontra-se na raiz primeira do ser humano, é um “modo-de-ser essencial” do ser humano.

É o cuidado que nos faz sensíveis e nos compromete com quem está à nossa volta.

É o cuidado que nos une às criaturas e nos envolve com as pessoas.

É o cuidado que desperta encantamento face à grandeza do firmamento, suscita veneração diante da complexidade da Mãe-Terra e alimenta enternecimento face à fragilidade de um recém-nascido.

Pelo cuidado, o ser humano religa-se  ao mundo afetivamente, responsabilizando-se por ele.

Jesus de Nazaré foi aquele que mais encarnou o “modo-de-ser-cuidado”.

Revelou à humanidade o “Deus-Cuidado”, experimentando-o como Pai/Mãe que cuida de cada um(a) de seus(suas) filhos(as), do alimento dos pássaros, do sol e da chuva para todos.

Jesus resgatou a centralidade do cuidado e da ternura para com todas as manifestações da vida. Ele mostrou cuidado especial com os pobres, os famintos, os discriminados e os doentes.

Pelo cuidado, Jesus maravilhou-se diante do milagre da vida e solidarizou-se com os humanos fragilizados e excluídos. As parábolas do bom samaritano, que mostra a compaixão pelo caído na estrada, a do filho pródigo acolhido e perdoado pelo pai, e, sobretudo, a do Bom Pastor, são expressões exemplares de cuidado e de plena humanidade.

Cuidar é dar atenção com ternura, isto é, descentrar-nos de nós mesmos e sair em direção ao outro, sentir o outro como outro, participando da sua existência...

O amor é a expressão mais alta do cuidado, porque tudo o que amamos também cuidamos. E tudo o que cuidamos é um sinal de que também amamos.»

P. Adroaldo Palaoro, s.j., adaptado

 

MEDITAR

Má consciência

Em teoria, os pobres são para a Igreja o que foram para Jesus: os preferidos, os primeiros que hão de atrair a nossa atenção e interesse. Mas é apenas em teoria, pois na verdade não acontece assim. E não é questão de ideias, mas de sensibilidade ante o sofrimento dos débeis. Em teoria, todo o cristão dirá que está do lado dos pobres. A questão é saber que lugar ocupam realmente na vida da Igreja e dos cristãos.

É verdade – e é preciso dizê-lo em voz alta – que na Igreja há muitas, muitíssimas pessoas, grupos, organismos, congregações, missionários, voluntários leigos que não só se preocupam com os pobres, mas que, impulsionados pelo mesmo espírito de Jesus, dedicam toda sua vida e até a arriscam para defender a dignidade e os direitos dos mais desfavorecidos, mas qual é nossa atitude generalizada nas comunidades cristãs dos países ricos?

Enquanto se trata apenas de prestar alguma ajuda ou de dar um donativo, não há nenhum problema especial. As esmolas tranquilizam-nos para continuar a viver com boa consciência. Os pobres começam a incomodar-nos quando nos obrigam a considerar que nível de vida nos podemos permitir, sabendo que todos os dias morrem de fome no mundo não menos de setenta mil pessoas.

Em geral, entre nós, não são tão visíveis a fome e a miséria. O mais patente é a vida injustamente marginalizada e pouco digna dos pobres. Na prática, os pobres da nossa sociedade carecem dos direitos que têm os demais; não merecem o respeito que merece toda a pessoas normal; não representam nada de importante para quase ninguém. Encontrar-nos com eles perturba-nos. Os pobres desmascaram os nossos grandes discursos sobre o progresso e põem a descoberto a mesquinhez da nossa caridade. Não nos deixam viver com uma consciência tranquila.

O episódio evangélico em que Jesus elogia a viúva pobre deixa envergonhados aqueles de nós que vivemos satisfeitos com o nosso bem-estar. Nós talvez damos algo do que nos sobra, mas esta mulher que «passa necessidade» sabe dar «tudo o que tem para viver». Quantas vezes são os pobres os que melhor nos ensinam a viver de forma digna e com coração grande e generoso.

 

José António Pagola

 

Sopro de Vida

 Quanto aos discípulos,

estavam cheios de alegria e do Espírito Santo.

(Act 14, 52)

 

Neste versículo que hoje me dás, apercebo-me que continuas a contar comigo. Não sei ainda para quê, pois não sou capaz de discernir sozinha a Tua vontade para mim, mas confio que também a Teu tempo a revelar-me-ás.

 Ainda nesta minha indefinição consagras-me na Tua alegria através do teu Santo Espírito, dom com o qual me agracias apesar das minhas resistências, hesitações, desconfianças e receios.  

 Das trevas arrancas-me com a Tua luz, da noite das minhas angústias fazes despontar a esperança do dia que fizeste e da morte do meu pecado ressuscitas-me à graça da tua infinita misericórdia.

 Estabeleces hoje também a mim como luz para levar a salvação, que pelo teu sacrifício de amor recebemos, até aos confins da terra (Cf. Act 14, 47).

 Pagã que fui e que muitas vezes ainda sou, também eu glorifico a Tua palavra e te bendigo porque “quando ainda estava no ventre materno, chamaste-me, quando ainda estava no seio da minha mãe pronunciaste o meu nome” (Is 49, 6). Bendigo-Te porque, ainda sem tudo perceber, consigo hoje ver todas as maravilhas que vais fazendo em mim. 

 Nas marés tumultuosas da vida, escondes-me na concha da tua mão  e guardas-me na Tua aljava (Cf. Is 49, 2). Escreves o meu nome no céu (Cf. Lc 10, 20), Tu que me formaste desde o ventre materno para ser Tua serva (Cf. Is 49, 5). Em Ti está o meu direito e a minha recompensa (Cf. Is 49, 4), Tu que és a minha força (Cf. Is 49, 5).

 Só em Ti encontro repouso para os cansaços da vida e só Tu tornas leve o meu fardo, dando-me a experimentar a mansidão e humildade do Teu coração, lugar onde albergas a inesgotável fonte do Teu amor (Cf. Mt 11, 28-30).

 Que toda a minha vida seja, pois, um salmo de ação de graças e de louvor em nome do Pai que a todos criou, em nome do Filho que a todos salvou e em nome do Espírito Santo que, no amor do Pai e do Filho, nos consagrou!  

 Raquel Dias

 

PENSAMENTO DA SEMANA

 

Senhor,
que eu guarde a Tua lei no meu coração,
para que faça luz no peito do meu irmão!
Jesus, que és O Cristo,
toma a minha vida e salva-me deste temor
de viver a fraquejar e sem sentir o Teu amor!
Espírito Santo,
que o Mestre nos ofereceu por Amor
ajuda-me a encontrar-Te como refúgio e libertador.

Liliana Dinis


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Pensamento da Semana

 

PENSAMENTO DA SEMANA

 

Senhor, dá-nos a alegria de viver a nossa vida, não como um jogo de xadrez; onde tudo é calculado;
não como uma competição onde tudo é difícil;
não como um teorema que nos quebra a cabeça,
mas como uma festa sem fim onde o nosso encontro se renova,
como um baile, uma dança, entre os braços da tua graça, na música universal do teu amor.
Senhor, vem tirar-nos para a dança.

Madeleine Delbrê

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