Nº 1009

 

CAMINHO

 

Tu és o Caminho, Jesus,

não daqueles que se fazem com os pés, mas com a Vida inteira.

És o Caminho para a Casa do Pai, que é a nossa Casa para sempre.

A verdade, Jesus, é que nos esquecemos vezes demais

de que vivemos sempre a Caminho…

 

Dá-nos a sabedoria de não paralisarmos a nossa Vida em muitas coisas,

ocupações urgentes e compromissos inadiáveis

que nos roubam todo o embalo de que precisamos quando andamos a Caminho…

Dá-nos um Coração livre e corajoso.

 

Tu és a Verdade, Jesus,

não daquelas que se compram e vendem

e que cada um defende com unhas e dentes para provar que tem razão,

ainda que para isso tenha que violentar ou agredir.

 

Tu és a Verdade que se vive, não uma dessas verdades que se sabem…

A Verdade do Evangelho não é uma coisa nova para acreditar,

mas uma Boa Notícia que muda a nossa maneira de viver

e nos faz cada vez mais parecidos contigo.

Isso é que é a Verdade, não é?...

 

Tu és a Vida, Jesus,

não aquela que enchemos de afazeres e complicações todos os dias,

mas o mais íntimo daquilo que o nosso Coração deseja e necessita para ser Feliz.

 

Tu és a própria Vida de Deus, plena de Amor e Bondade,

a comungar continuamente connosco e a derramar em nós o Espírito Santo,

que é como que o Sangue de Deus a circular em nós

e a fazer-nos viver como teus discípulos e como filhos de Deus-Pai.

 

Tu és a Vida, Jesus, porque desde a Tua ressurreição,

aquilo a que chamamos “morte” tornou-se o definitivo chegar a Casa,

àquela que, no fundo, sabendo-o ou não, todos procuramos a Vida inteira:

o “lugar” de ser amado sem limites,

ser perdoado sem condições

e poder amar sem enganos.

Rui Santiago Cssr, in Derrotar Montanhas

 

MEDITAR

Aprendei de mim, estancai a hemorragia de humanidade da História

«Eu sou o pão que desceu do Céu» (cf. João 6, 41-51). Numa só frase Jesus recolhe e entrelaça três imagens: pão, Céu, descer. Poder da escrita criativa dos Evangelhos e, ainda antes, da linguagem repleta de imaginação e rompimento própria do poeta de Nazaré.

Eu sou pão, mas não como o é um punhado de farinha e água que passou pelo fogo: pão porque o meu trabalho é alimentar o fundo da vida. Eu sou Céu que desce à Terra. Terra com Céu é jardim. Sem, é pó sem respiração. Na sinagoga levanta-se a contestação: mas que pão e que céu! Sabemos tudo de ti e da tua família…

E aqui está a chave da narrativa. Jesus tem em si algo que está para além. Algo que vale por toda a realidade: há uma parte de Céu que compõe a Terra; um além que habita as coisas; o nosso segredo não está em nós, está para além de nós.

Como o pão, que tem em si o pó do solo e ouro do Sol, as mãos do semeador e as do ceifeiro; sofreu a dureza da mó e do fogo; germinou ao chamamento da espiga que haveria de ser; alimentou-se de luz e agora pode alimentar.

Como o pão, Jesus é filho da Terra e filho do Céu. E acrescenta uma frase belíssima: ninguém pode vir a mim se não o atrai o Pai que me enviou. Eis uma nova imagem de Deus: não o juiz, mas a força de atração do cosmo, a força de gravidade celeste, a força de coesão dos átomos e dos planetas, a força de toda a comunhão.

Dentro de cada um de nós age uma força imparável de atração divina, que chama a abraçar beleza e ternura. E nunca nos tornaremos verdadeiros, nunca seremos nós mesmos, nunca ficaremos satisfeitos, se não fazemos caminho pelas estradas do encantamento por tudo aquilo que chama ao abraço.

Jesus diz: deixai que o Pai atraia, que seja a comunhão a falar na profundidade, e não o mal ou o medo. Então todos serão ensinados por Deus, ensinados com gestos e palavras e sonhos que nos atraíam e transmitam bem-estar, porque são límpidos e sãos, são de pão e de vida.

O pão que Eu der é a minha carne dada para a vida do mundo. Sempre a palavra “vida”, insistente certeza de Jesus de ter algo de único a dar para que possamos viver melhor.

Mas não diz o meu “corpo”, mas a minha “carne”. No Evangelho de João “carne” indica a humanidade originária e frágil que é a nossa: o Verbo fez-se carne. Dou-vos esta minha humanidade, tomai-a como medida alta e luminosa do viver.

Aprendei de mim, estancai a hemorragia de humanidade da História. Sede humanos, porque quanto mais se é humano, mais se manifesta o Verbo, o gérmen divino que está nas pessoas. Se nos alimentarmos assim de Evangelho e de humanidade, tornar-nos-emos uma bela notícia para o mundo.

Ermes Ronchi

 

E tu, quando é que descansas?

O descanso continua a ser um elefante no meio das nossas salas. Acena-nos. Tenta que lhe prestemos atenção. Derruba a nossa concentração, a nossa memória a curto prazo e nós, astutos, continuamos a ignorá-lo. Aliás, continuamos a ignorar ambos: o descanso e o elefante que ele representa.

Não descansamos para ter a certeza que ninguém duvidará da nossa competência e do nosso valor. Não descansamos para poder usar essa bandeira tatuada no peito e para hasteá-la diante dos olhos dos outros, que dominam (arrogantemente) a arte da preguiça e do lazer.

Não descansamos porque não conseguimos. Porque estamos mergulhados numa engrenagem que nos obriga a não parar. A não pensar. A não discernir sobre o que estamos a conseguir com as nossas atitudes e com o nosso estilo de vida.

Estamos reféns de um modo de vida que ninguém nos ensinou, mas que vimos ser repetido dentro de nós ao longo dos últimos dias, meses, anos, gerações. Estudamos para conseguir trabalhar. Trabalhamos para conseguir dinheiro. Trabalhamos mais para conseguir mais dinheiro. Quando deixamos de trabalhar das duas uma: ou somos demasiado velhos para usufruir da vida ou já não estamos cá para usufruir dela.

É só isto que queremos para nós? Resumir a vida a uma quantidade interminável de tarefas e de lutas diárias que rimam com produtividade e capacidade de (demasiado) trabalho? Não pode ser.

Ainda vamos a tempo de travar a fundo. De nos retirarmos dos contextos onde estamos reféns. Ainda vamos a tempo de legitimar o tempo de descanso. Ainda vamos a tempo de fazer as malas e encontrar espaço para aquilo que nos comove o coração. Seja isso o que for. Ainda vamos a tempo de começar a nossa história outra vez ou de a retomar a partir daquela última página dobrada num dos cantinhos do livro que somos.

Ainda vamos a tempo de fazer melhor. De cuidar do que somos e do que viemos, realmente, cá fazer: encontrar um sentido bonito para a nossa existência de cada dia.

Marta Arrais

 

PENSAMENTO DA SEMANA

 

Sábio conselho para as férias:

"As férias deveriam começar com um encontro pessoal, connosco próprios. Mais do que turistas, deveríamos ser peregrinos, para dar valor e espaço ao tempo. Só assim se alcança o verdadeiro repouso, cultivando relações e não fotografias".

Pe. Vasco Pinto Magalhães, s.j.


 

INFORMAÇÕES

MISSA NO SANTUÁRIO DA CALDEIRA

No próximo domingo, 15 de agosto, às 15h30 horas.

 

FESTA DE NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO

NORTE PEQUENO

 

Tríduo: dias 11, 12 e 13 de agosto às 20h00.

FESTA: dia 15 de agosto - Missa às 12h30 seguida de Procissão.

 


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nº 1015

Pensamento da Semana

 

PENSAMENTO DA SEMANA

 

Educar é produzir um homem feliz e sábio. Educar é produzir um homem que ama o espetáculo da vida. Desse amor, emana a fonte da inteligência. Educar é produzir uma sinfonia em que rimam dois mundos: o das ideias e o das emoções.

 

Há dois tipos de educação: a que informa e a que forma. A educação que informa ensina o homem a conhecer o mundo em que habita; a educação que forma vai além, ensina-o também a conhecer o mundo que ele é.

Augusto Cury

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