Nº 992

 

Espírito Santo

Vinde Espírito Santo… a cada manhã peço um raio da sua luz.

Ao Espírito que sopra como o vente leve e imprevisível dos anoiteceres de primavera, peço que não me deixe que eu me engane ao viver o passado ou o futuro sem viver o hoje.

Peço ao Espírito para ser como o fogo que me aquece nos dias de inverno, esse fogo que me impele a ser forte comigo e com a vida, de me fazer violência quando o desejo não se torna vontade, e quando não forço o sonho a tornar-se realidade.

Peço ao Espírito que me faça falar com amor, com aquela única linguagem que todos compreendem, amigos e não amigos, crianças e idosos, crentes e não.

Peço ao Espírito Santo a unidade nas nossas diversidades, porque só se estivermos unidos o mundo se desarmará; um Espírito que desça sobre todos e seja para todos, que congregue as pequenas labaredas espalhadas neste mundo.

Peço ao Espírito a coragem de romper as nossas atitudes de defesa, o nosso estar atrás dos muros, o nosso medo que escondemos por trás das leis e das normas.

Peço aquele espírito nascido do último respiro de Jesus na cruz, que beija o mundo e nos recorda quanto é difícil permitir a Deus que nos ame.

O eco do “Vinde Santo Espírito” nas pedras da igreja, a cada manhã, diz-me que Ele entra se o deixo entrar, se vivo uma vida autêntica e se, como um verdadeiro profeta, me recordo do futuro. Diz-me para olhar para trás para recordar, mas sobretudo para ter a coragem de olhar em frente para inventar; sem a fantasia, a memória torna-se uma prisão.

O Espírito cria cada dia, é novo cada dia. Não devemos temer o novo que vem ao nosso encontro; aquilo que verdadeiramente devemos temer é uma vida sem um sentido e que não dá mal-estar a ninguém, uma vida tranquilizante que deixou de ter vontade de lutar.

Os apóstolos estavam fechados no cenáculo onde o único apoio era a feminilidade de Maria e o seu olhar de esperança. Esperava-se que o medo passasse e o calor do fogo da lareira se tornasse o fogo do coração. Uma manhã cedo, acompanhado pela estrela da manhã, o Espírito abre as portes para tirar o medo.

Por vezes pode chegar-se a abrir as portas, mas depois permanecer enjaulados num espírito de timidez que não testemunha, que não tem força, que não tem amor, que não tem atenção. Ao passo que o Espírito é força e liberdade e não se pode deter.

As portas do cenáculo, abertas para o mundo, continuam a dizer-nos que o Espírito sopra onde quer e quando quer, e que é preciso muita atenção, para lhe colher a sua leve presença.

Aquela porta aberta diz-nos também que não podemos contê-lo, mas só segui-lo e dar-lhe espaço.

 Luigi Verdi

 

MEDITAR

II Domingo da Páscoa

«Oito dias depois… Veio Jesus, estando as portas fechadas…» Há um clima de medo naquela casa, medo dos Judeus, certamente, mas também e sobretudo de si mesmos, de como o tenham traído, abandonado, de como tenham fugido.

Consola-me pensar que, embora encontre as portas fechadas, Jesus não se vá embora. Oito dias depois continua a estar presente: o abandonado regressa àqueles que só sabem abandonar, o traído coloca-se de novo nas mãos daqueles que o traíram.

«Apresentou-se no meio deles e disse: “A paz esteja convosco!”» Jesus, enquanto vivo, preocupava-se em curar, sarar, restituir a vida; na cruz ou já ressuscitado, tem sempre a mesma preocupação; transmitir o seu shalom, que é paz, que significa vida boa, forte, plena.

Não exige vénias, não pede para ser celebrado; as suas aparições não são uma manifestação de poder, uma teofania espetacular, como que a suscitar a subjugação dos discípulos.

Jesus não se preocupa consigo, mas com o homem: com o pranto de Madalena e com a solidão, com os discípulos abatidos, com a incredulidade que inquieta Tomé, preocupa-se com as redes vazias dos amigos e com a sua fome. Tem sempre o avental posto! Talvez ainda não tenhamos pensado o suficiente no que significa ter Deus como nosso servo.

Aquele corpo crucificado ressuscita, não por si, mas pelo homem, para lhe comunicar todo o seu ser. «Soprou sobre eles e disse-lhes: “Recebei o Espírito Santo”»; sobre aquele grupinho de gente amedrontada e insegura, de homens e mulheres com todos os seus muitos defeitos e feridas, dores e canseiras.

Contudo, Jesus ama-os tal como são, tem confiança neles e diz: «Recebei a força, recebei a minha vida, o Espírito Santo. Agora podeis fazer coisas grandes, coisas de Deus. Também vós, como Eu, passai a vida a curar, a fazer bem; assim como Eu fiz, fazei-o vós também, dou-vos a capacidade e a força para isso, dando-me a mim mesmo.»

De novo, vem Jesus, dirige-se a Tomé. Àquele que duvida: «Mete aqui o teu dedo no buraco dos cravos, estende a tua mão, toca na ferida do lado.»

Eis que Jesus não se escandaliza com todas as dúvidas de fé, não se impressiona com a minha dificuldade em crer, não pretende homens íntegros, mas estende as suas mãos. A Tomé basta aquele gesto. Quem se faz próximo, quem te estende a mão e não te julga, mas te encoraja, é Jesus. Ele não te pode negar!

Jesus ressuscitado não leva consigo mais nada além das feridas do crucificado, leva o ouro das suas feridas. Por aquelas chagas somos curados.

Penso nas feridas de tanta gente, por debilidade, por violência sofrida, por desgraça. Há ouro nessas feridas. As feridas são sagradas, Deus está nas feridas como uma gota de ouro.

Penso em quantos conheci, naqueles que passaram, por exemplo, pela prova do cancro e que agora ajudam os outros a levar essa mesma cruz; em jovens que sofreram as chagas da droga e que agora ajudam outros a sair dela: tornaram-se curadores de outros, depois de eles próprios terem sido feridos.

Ermes Ronchi e Marina Marcolini

 

Um Abraço de Páscoa

 

Um abraço de Páscoa tem o calor do amor
O poder do fogo, o fogo novo da passagem
A morte não matou a esperança.

 

Um abraço de Páscoa tem o coração humano
A alegria da libertação, o segredo da transformação
A morte é uma etapa da vida.

 

Um abraço de Páscoa tem a travessia do mar e do deserto
Tem o rochedo aberto em água e luz
O sepulcro explode num riacho feliz.

 

Um abraço de Páscoa tem o silêncio do mistério
Tem a partilha do pão, a proximidade de pessoas,
A derrota do desânimo, o renascimento da coragem.

 

Um abraço de Páscoa tem a ternura do nascimento
A simplicidade da luz, a expansão da liberdade
A luz da noite de Jesus faz nossa vida de luz.

 

Um abraço de Páscoa tem chão, lama e escuridão,
Tem sufoco e superação, o silêncio da solidão
Tem mendigos, peregrinos, famintos de comunhão.

 

Um abraço de Páscoa tem a transcendência do existir
Tem o ser da beleza, da bondade e da verdade de Deus
Tem a árvore da vida, integração da terra e do céu.

 

Um abraço de Páscoa tem a paz do Cristo ressuscitado.

 

P. José Luís Coelho, CSh

 

PENSAMENTO DA SEMANA

 

Não esqueçamos, o Espírito está presente, está presente em nós. Escutemos o Espírito, chamemos o Espírito – é o dom, o presente que Deus nos deu – e digamos-lhe: «Espírito Santo, eu não sei como é o teu rosto – não o conhecemos –, mas sei que Tu és a força, que Tu és a luz, que Tu és capaz de fazer-me andar para a frente e ensinar-me como orar. Vem, Espírito Santo». Uma bela oração, esta: «Vem, Espírito Santo».

Papa Francisco

 


 

INFORMAÇÕES

MISSA NO SANTUÁRIO DA CALDEIRA

No próximo domingo, 18 de abril, às 15:30 horas.


Faça download desta Carta Familiar em formato PDF: Nº 992

Agenda Pastoral

Destaque

Mais Recente Carta Familiar em PDF!

nº 1015

Pensamento da Semana

 

PENSAMENTO DA SEMANA

 

Educar é produzir um homem feliz e sábio. Educar é produzir um homem que ama o espetáculo da vida. Desse amor, emana a fonte da inteligência. Educar é produzir uma sinfonia em que rimam dois mundos: o das ideias e o das emoções.

 

Há dois tipos de educação: a que informa e a que forma. A educação que informa ensina o homem a conhecer o mundo em que habita; a educação que forma vai além, ensina-o também a conhecer o mundo que ele é.

Augusto Cury

Os nossos Links

Ouvidoria de São Jorge
FAJÃS Grupo de Jovens
Cartas Familiares Anteriores

Visitas


Ver Estatísticas