Nº 991

 

VOTOS SANTA PÁSCOA

O Ressuscitado pede-nos para renascer, todos os dias,
para nos distanciarmos do nosso pequeno e prepotente eu,
para fazermos viver em nós um Tu maior,
para morrermos para os nossos apegos, as nossas certezas,
para darmos lugar ao deserto e esperarmos pela chuva.
Pela água que desce do céu e faz florescer até a areia.

Susanna Tamaro

 

MEDITAR

Páscoa: Festa dos túmulos que se abrem, dos corações que se libertam, do amor sem fim

Três mulheres, pela manhãzinha, quase clandestinamente, naquela hora em que se passa da escuridão à luz, vão cuidar do corpo de Jesus, como sabem, com o pouco que têm. Amam o seu mestre mesmo estando morto, e descobrem que o tempo do amor é maior que o tempo da vida, à medida que passam de surpresa em surpresa: «Olhando, viram que a pedra já fora revolvida; e era muito grande» (cf. Marcos 16, 1-7, Evangelho da Vigília Pascal).

A Páscoa é a festa dos rochedos rolados para fora, das pedras reviradas da entrada do coração. Espanto, desorientação, medo, ainda assim entram, frágeis e indómitas, de encontro a uma surpresa ainda maior: um mensageiro jovem (todo o mundo é novo, fresco, juvenil, naquela manhã) com um anúncio que parece ser a bela notícia tão esperada: «Jesus, que vistes crucificado, ressuscitou».

Deviam ter rejubilado, em vez disso emudecem. O jovem insta, «não está aqui». Que bela esta palavra, «não está aqui», Ele está, vive, mas não aqui. Ele é o vivente, um Deus que surpreende na vida. Está, mas deve ser procurado fora do território dos túmulos, antes pelas estradas, pelas casas, em todo o lado, exceto entre as coisas mortas. «Ele está em cada opção por um amor maior, está na fome de paz, nos abraços dos amantes, no grito vitorioso do bebe que nasce, no último respiro de quem morre» (G. Vannucci).

E depois, ainda, nova surpresa: a confiança imensa do Senhor, que confia precisamente a elas, tão desorientadas, o grande anúncio: «Ide e dizei», com os dois imperativos próprios da missão. De discípulas sem palavras a missionárias dos discípulos sem coragem. «Preceder-vos-ei na Galileia».

E surge um Deus migrante, que ama os espaços abertos, que abre caminhos, atravessa muros e escancara portas: uma semente de fogo que abre caminhos na História. Precede-vos: avança à cabeça da longa caravana da humanidade encaminhada rumo à vida; caminha à frente, a abrir a imensa migração rumo à terra prometida. À frente, a receber o vento no rosto, a morte, e depois o sol da primeira manhã, sem nunca se deter.

O Evangelho da Páscoa narra-nos que na vida está oculto um segredo que Cristo veio sussurrar-nos amorosamente ao ouvido. O segredo é este: há um movimento de amor dentro da vida que não permite que ela fique parada, que a remete em movimento após cada morte, que a relança depois de cada xeque, que por cada ser humano que mata há centenas que cuidam das feridas, e mil cerejeiras que continuam obstinadamente a florir.

Um movimento de amor que nunca tem fim, que nenhuma violência poderá alguma vez deter, um fluxo vital dentro do qual está cada coisa que vive, e que revela o nome último de Deus: Ressurreição.

Ermes Ronchi

 

 MINHA FÉ, MINHA ESPERANÇA

Acredito que a Vida está cheia de Sentido.

Acredito que não há nenhuma experiência que seja capaz de apagar aquilo que foi construído com Amor.

Acredito que de cada vez que uma Pessoa Humana diz a outra “Amo-te”, está a fazer-lhe uma Declaração de Eternidade, está a dizer-lhe: “Nunca morrerás! Viverás para sempre!”

Acredito na Esperança e na grandeza do Coração Humano sobre o medo e na vitória do Amor Humano sobre a morte.

Acredito num Deus-Connosco, um Deus Pessoal que a cada um de nós conhece pelo próprio Nome, que a cada um beija as feridas e as dores de ser gente, que com cada um se compromete na medida inesgotável da Sua Ternura e Fidelidade.

Acredito num Deus Vivo e Deus de Vivos em quem todos estão Vivos e Transfigurados por um Amor maior do que seriam capazes de dar e por uma Vida maior do que seriam capazes de construir.

Acredito num Deus que ama como um Pai Bom, cuida como uma Mãe Fiel e Se revelou a nós na Vida espantosa de Jesus de Nazaré

Acredito que a experiência decisiva da Vida é sentir-se Agraciado, sentir-se envolvido e renascido por Alguém em quem tudo é Exagero e Bondade.

Acredito que é bom para o Ser Humano nunca estar acabado, terminado, pronto; porque isso seria a negação da Esperança, do Futuro e da Felicidade.

Acredito que há incontáveis gestos e maneiras de Viver que vencem a morte e as suas leis, e todos se podem resumir na palavra “Amor”.

Acredito que a morte é a transfiguração máxima da nossa maneira de Viver e da nossa maneira de nos relacionarmos uns com os outros.

Acredito que a morte é a “soleira da porta lá de Casa”, a casa de Deus Pai que é a nossa Casa também porque, por aqui, não somos mais que peregrinos. Todos estamos de passagem, a nossa Vida é uma viagem até Casa.

Acredito que Jesus de Nazaré, o Re-Suscitado por Deus, é o anfitrião da Festa da Ressurreição para todos, é quem, num abraço infinito, nos Re-Suscita também porque enche a nossa Vida com a própria Vida que recebe de Deus.

Acredito que a Vida está cheia de Sentido porque nós e Deus não queremos senão uma só e a mesma coisa: que sejamos Felizes.

E acredito, como se não houvesse nada de melhor em que acreditar, que, mesmo quando eu me esqueço disso, mesmo quando eu me engano, mesmo quando eu falho, Deus não Se esquece, Deus não Se engana e Deus não me falha. E é neste Amor que supera toda a minha capacidade de o merecer que eu enraízo a minha Fé e a minha Esperança.

Acredito que, enquanto limpamos do rosto as nossas lágrimas, a Festa da Vida Cheia para a qual todos estamos chamados, já começou!

Ámen

Rui Santiago cssr

 

PENSAMENTO DA SEMANA

 

Creio em Deus, força da vida e madrugada de todas as coisas

creio na reconciliação no amor como poder universal

creio na ressurreição subtraída ao poder da morte

creio na liberdade do Espírito que desampara os que só na letra se arrimam

creio na Páscoa do mundo que a Sarça transfigura

creio no trabalho do amor que borda a paz e a justiça

creio em Deus como a festa maior que há de vir

e das encruzilhadas em que os pedintes nos surpreendem"

 

José Augusto Mourão (adaptado)


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Pensamento da Semana

 

PENSAMENTO DA SEMANA

 

Educar é produzir um homem feliz e sábio. Educar é produzir um homem que ama o espetáculo da vida. Desse amor, emana a fonte da inteligência. Educar é produzir uma sinfonia em que rimam dois mundos: o das ideias e o das emoções.

 

Há dois tipos de educação: a que informa e a que forma. A educação que informa ensina o homem a conhecer o mundo em que habita; a educação que forma vai além, ensina-o também a conhecer o mundo que ele é.

Augusto Cury

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