Nº 962

 

A ARTE DE EDUCAR

"Há quem afirme que a tragédia mais grave da sociedade contemporânea é a crise da relação educativa. Os pais cuidam dos seus filhos e os professores ensinam os seus alunos, mas em muitos lares e escolas perdeu-se o “espírito da educação”.

Uma sociedade que não sabe educar as novas gerações não conseguirá ser mais humana, por maiores que sejam os seus avanços tecnológicos e resultados económicos. Para o crescimento humano, os educadores são mais importantes e decisivos do que os políticos, os técnicos ou os economistas.

Educar não é instruir, doutrinar, mandar, obrigar, impor ou manipular. Educar é a arte de aproximar-se da criança, com respeito e amor, para ajudá-la para que desabroche nela uma vida verdadeiramente humana.

A educação está sempre ao serviço da vida. O verdadeiro educador é o que sabe despertar toda a riqueza e possibilidades existentes na criança. O que sabe estimular e fazer crescer nela, não só as suas aptidões físicas e mentais, mas também o melhor do seu mundo interior e o sentido gozoso e responsável da vida. A célebre educadora M. Danielou dizia que “a criança mais humilde tem direito a uma certa iniciação à vida interior e à reflexão pessoal”.

Quando as instituições educativas afogam o “gosto pela vida”, e quem ensina se limita a transmitir de modo disciplinado o conjunto das matérias que lhe foram atribuídas, ali perde-se “o espírito da educação”.

A relação educativa exige verdade. O que as crianças necessitam é encontrarem-se com pessoas reais, simples, próximas e profundamente bondosas.

O verdadeiro educador respeita a criança, não a humilha, não destrói a sua autoestima. Uma das maneiras mais simples e nefastas de bloquear o seu crescimento é dizer-lhe constantemente: “não há quem te aguente”, “és um desastre”, “serás um desgraçado no dia de amanhã”.

Na relação educativa há além disso um clima de alegria, pois a alegria é sempre um “sinal de criação” e, por isso, um dos principais estímulos do ato educativo. Escrevia Simone Weil: “A inteligência não pode ser estimulada senão através da alegria. Para que exista desejo tem de haver prazer e alegria. A alegria de aprender é tão necessária para os estudos como a respiração para os atletas”

Dentro de dias abrirão escolas, colégios e centros de ensino. Milhares de crianças voltarão novamente para os seus professores e orientadores. Quem terá a sorte de encontrar-se com um verdadeiro educador ou educadora? Quem as acolherá com o respeito e a solicitude daquele que um dia abraçou uma delas e disse: “Quem acolhe uma criança como esta em meu nome acolhe-me a mim”? (Mc 9, 30-37)

José Antonio Pagola (adaptado)

 

MEDITAR

DE QUE SERVE O TALENTO SE NÃO HOUVER CONFIANÇA?

Não nascemos confiantes. Tornamo-nos confiantes, à medida que vamos arriscando mais, e nos dispomos a aceitar, com a mesma naturalidade, tanto o sucesso como o ridículo.

 Posso ter competência, inteligência, força, vontade de aprender e experiência, mas se me faltar a confiança, não consigo por a render nenhuma das virtudes anteriores.

 O medo da opinião dos outros é algo que cresce à medida que lhe vamos dando espaço. A verdade é que não há uma só pessoa à face da terra que não cometa erros, que não faça coisas ridículas, que não tenha ideias idiotas. No entanto, como todos nos esforçamos por não fazer transparecer essa face de nós, há muitos que acreditam que são os únicos ridículos no mundo! Cheios de vergonha do julgamento dos outros, escondem os seus talentos até de si mesmos.

 A verdade é que ninguém é normal! E isso é algo fantástico.

 É difícil imaginar aqueles que admiro no dia a dia a terem os mesmos problemas que eu. Dos mais comuns aos mais complicados.  Como se fossem perfeitos, e eu não.

 Tendemos a desconsiderar aqueles com quem convivemos… uma vez que conhecemos os seus defeitos e vícios, temos certeza de que não são dignos de ser apreciados como aqueles outros que nos maravilham, quando estes, na verdade, talvez deixassem de ter esse efeito se os conhecemos um pouco melhor.

 A maturidade que devemos alcançar é um nível de compreensão em que não consideramos ninguém como perfeito nem como miserável.

 Cada um de nós é chamado lançar-se na construção da história. Da sua história e da história de todos. Isso faz-se com os talentos que já temos e com a confiança que decidirmos construir.

 Exige de ti a paz de confiares nos teus talentos.

José luís Nunes Martins

 

A PÉROLA PRECIOSA

Se encontrares um tesouro no teu coração
ninguém te roubará nada,
e o teu olho será a porta
onde irei penetrar e adormecer descansado;
E a tua boca produzirá
palavras que não serão apenas palavras,
serão mãos estendidas aos pobres,
serão fome e sede curadas.

Irei penetrar nos teus olhos
a caminho do teu coração.
Quando eu chegar lá,
serei curado pela batida pura,
pela bondade e compreensão.

Se encontrares uma fonte,
dá de beber ao pobre.
Se encontrares uma árvore, 
dá de comer ao pobre.
Se encontrares o tesouro no teu coração,
dá amor ao pobre.

Paulo Morgado

 

A ORAÇÃO SALVOU-ME A VIDA!

A oração salvou-me a vida. Sem a oração teria ficado muito tempo sem fé.
Ela salvou-me do desespero. Com o tempo a minha fé aumentou e a necessidade de orar tornou-se mais irresistível…
A minha paz muitas vezes causa inveja. Ela vem-me da oração.
Eu sou um homem de oração.
Como o corpo se não for lavado fica sujo, assim a alma sem oração se torna impura.

M. Gandhi

 

PENSAMENTO DA SEMANA

 UMA QUESTÃO DE OLHAR...

Olha bem...

O caminho não é fácil, é verdade, mas às vezes nós acrescentamos-lhe dificuldades que ele não tem.

Às vezes, os obstáculos não estão no caminho, mas no caminhante.

Olha bem...

Vê se as pedras que te atrapalham estão à tua frente ou dentro de ti.

Não dês guarida aos medos.

Vê se há realmente buracos na estrada ou se é a falta de confiança que te faz tropeçar.

Vê se realmente tens à frente alguma parede a vedar-te o caminho ou se és tu muro de ti mesmo.

Não atravanques o caminho com coisas que o caminho não tem.

Olha bem...

 

Elisabete Bárbara


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Pensamento da Semana

 

PENSAMENTO DA SEMANA

 

Educar é produzir um homem feliz e sábio. Educar é produzir um homem que ama o espetáculo da vida. Desse amor, emana a fonte da inteligência. Educar é produzir uma sinfonia em que rimam dois mundos: o das ideias e o das emoções.

 

Há dois tipos de educação: a que informa e a que forma. A educação que informa ensina o homem a conhecer o mundo em que habita; a educação que forma vai além, ensina-o também a conhecer o mundo que ele é.

Augusto Cury

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