Nº 947

 

A Igreja, Pentecostes contínuo.

 

A Bíblia é um livro repleto de vento e de caminhos. Assim são as narrativas do Pentecostes (cf. João 15,26-27; 16,12-15), repletas de caminhos que partem de Jerusalém e plenos de vento, leve como uma brisa e impetuoso como um furacão. Um vento que sacode a casa, que a enche e segue adiante; que traz pólenes de primavera e dispersa a poeira; que traz fecundidade e dinamismo para o interior das coisas imóveis, «esse vento que faz nascer os garimpeiros de ouro» (G. Vannucci).

Enche a casa onde os discípulos estavam juntos. O Espírito não se deixa sequestrar em certos lugares que dizemos sagrados. Agora sagrada torna-se a casa. A minha, a tua e todas as casas são o céu de Deus. Vem de imprevisto, e são apanhados de surpresa, não estavam preparados, não tinha sido programado. O Espírito não suporta esquemas, é um vento de liberdade, fonte de vida livre.

Aparecem línguas de fogo que pousavam em cada um. Em cada um, ninguém excluído, nenhuma distinção a fazer. O Espírito toca cada vida, a todas diversifica, faz nascer criadores. As línguas de fogo dividem-se e cada qual ilumina uma pessoa diferente, uma interioridade irredutível. Cada uma deles desposa uma liberdade, afirma uma vocação, renova uma existência única.

Precisamos do Espírito, dele precisa o nosso pequeno mundo estagnado, sem ímpeto. Para uma Igreja que seja guardiã de liberdade e de esperança. O Espírito com os seus dons dá a cada cristão uma genialidade que lhe é própria. E temos extrema necessidade de discípulos de génio. Ou seja, precisamos que cada um acredite no seu próprio dom, na própria unicidade, e que coloque a sua própria criatividade e coragem ao serviço da vida. A Igreja como Pentecostes continuo quer o risco, a invenção, a poesia criativa, a batalha da consciência.

Depois de ter criado cada ser humano, Deus parte o seu molde e lança-o fora. O Espírito faz-te único na tua maneira de amar, na tua maneira de dar esperança. Único na maneira de consolar e encontrar; único na maneira de desfrutar a doçura das coisas e a beleza das pessoas.

Ninguém sabe cuidar como tu sabes; ninguém tem essa alegria de viver que tu tens; e ninguém tem o dom de compreender os factos como tu os compreendes. Esta é precisamente a obra do Espírito: quando o Espírito vier, guiar-vos-á para toda a verdade.

Eis, então, a alegria de ouvir que os discípulos do Espírito pertencem a um projeto aberto, não a um sistema fechado, onde já está tudo pré-estabelecido e definido. Que em Deus quanto mais se navega, mais se descobrem novos mares. E que nunca faltará o vento ao meu veleiro.

Ermes Ronchi

 

MEDITAR

Espírito Santo

Vinde Espírito Santo… a cada manhã peço um raio da sua luz.

Ao Espírito que sopra como o vente leve e imprevisível dos anoiteceres de primavera, peço que não me deixe que eu me engane ao viver o passado ou o futuro sem viver o hoje.

Peço ao Espírito para ser como o fogo que me aquece nos dias de inverno, esse fogo que me impele a ser forte comigo e com a vida, de me fazer violência quando o desejo não se torna vontade, e quando não forço o sonho a tornar-se realidade.

Peço ao Espírito que me faça falar com amor, com aquela única linguagem que todos compreendem, amigos e não amigos, crianças e idosos, crentes e não.

Peço ao Espírito Santo a unidade nas nossas diversidades, porque só se estivermos unidos o mundo se desarmará; um Espírito que desça sobre todos e seja para todos, que congregue as pequenas labaredas espalhadas neste mundo.

Peço ao Espírito a coragem de romper as nossas atitudes de defesa, o nosso estar atrás dos muros, o nosso medo que escondemos por trás das leis e das normas.

Peço aquele espírito nascido do último respiro de Jesus na cruz, que beija o mundo e nos recorda quanto é difícil permitir a Deus que nos ame.

O eco do “Vinde Santo Espírito” nas pedras da igreja, a cada manhã, diz-me que Ele entra se o deixo entrar, se vivo uma vida autêntica e se, como um verdadeiro profeta, me recordo do futuro. Diz-me para olhar para trás para recordar, mas sobretudo para ter a coragem de olhar em frente para inventar; sem a fantasia, a memória torna-se uma prisão.

O Espírito cria cada dia, é novo cada dia. Não devemos temer o novo que vem ao nosso encontro; aquilo que verdadeiramente devemos temer é uma vida sem um sentido e que não dá mal-estar a ninguém, uma vida tranquilizante que deixou de ter vontade de lutar.

Os apóstolos estavam fechados no cenáculo onde o único apoio era a feminilidade de Maria e o seu olhar de esperança. Esperava-se que o medo passasse e o calor do fogo da lareira se tornasse o fogo do coração. Uma manhã cedo, acompanhado pela estrela da manhã, o Espírito abre as portes para tirar o medo.

Por vezes pode chegar-se a abrir as portas, mas depois permanecer enjaulados num espírito de timidez que não testemunha, que não tem força, que não tem amor, que não tem atenção. Ao passo que o Espírito é força e liberdade e não se pode deter.

As portas do cenáculo, abertas para o mundo, continuam a dizer-nos que o Espírito sopra onde quer e quando quer, e que é preciso muita atenção, para lhe colher a sua leve presença.

Aquela porta aberta diz-nos também que não podemos contê-lo, mas só segui-lo e dar-lhe espaço.

Luigi Verdi

 

A GRAÇA DE SER...

O que Te peço, Senhor, é a graça de ser.

Não Te peço mapas, peço-Te caminhos.

O gosto dos caminhos recomeçados,

com as suas surpresas, as suas mudanças, a sua beleza.

Não Te peço coisas para segurar,

mas que as minhas mãos vazias se entusiasmem na construção da vida.

Não Te peço que pares o tempo na minha imagem predileta,

mas que ensines os meus olhos a encarar cada tempo como uma nova oportunidade.

Afasta de mim palavras,

que servem apenas para evocar cansaços, desânimos, distâncias.

Que eu não pense saber já tudo acerca de mim e dos outros.

Mesmo quando eu não posso ou quando não tenho,

sei que posso ser, ser simplesmente.

É isso que Te peço, Senhor:

A graça de ser de novo.

D. José Tolentino de Mendonça

PARA TI (e para mim também)...

Peço-te uma coisa, a ti que lês isto...

não trates mal as pessoas só porque podes.

não fales torto.

não exerças a tua autoridade de forma abusiva, de forma desumana.

não lideres pelo medo.

lembra-te que a forma como falas, as atitudes que tens para com os outros provocam reações neles.

lembra-te que não só as tuas palavras mas também o teu tom de voz e a tua postura são determinantes na forma como as pessoas se relacionam contigo.

não penses que só consegues o que queres se fores autoritário, se mostrares que mandas.

digo-te que normalmente serás mais bem sucedido se pedires, em vez de ordenares, se fores humilde em vez de orgulhoso.

peço-te que te lembres disto, quando estiveres a ser impaciente, autoritário, lembra-te disto.

lembra-te que as tuas atitudes se refletem na vida de outras pessoas, na tua própria vida.

não trates mal as pessoas só porque podes, e não penses que tratar mal é só bater, e chamar nomes, e gritar. Tu sabes bem o que é tratar mal, basta pensares naquilo que tu não gostas que façam contigo.

Margarida Ferreira

 

 

PENSAMENTO DA SEMANA

 

Ó Divino Espírito, que tantas vezes iluminaste a minha alma com a luz dos teus raios, agradeço-te de todo o coração.

Ó Espírito Divino, que me enviaste tantas inspirações santas e bons desejos, agradeço-Te de todo o coração.

Ó Espírito Divino, que sustentas a minha fraqueza pela Tua soberana virtude, agradeço-Te de todo o coração.

Pelos atos de virtude que o Senhor me fez realizar e que são devidos à Sua salutar assistência, agradeço-Lhe de todo o coração.

Pelo pouco bem que pude fazer com a Tua ajuda, agradeço-Te de todo o coração.


 

INFORMAÇÕES

 

FESTAS DO DIVINO ESPÍRITO SANTO

PORTAL - 1 de junho - Eucaristia às 11h00 horas

LOURAL - 1 de junho - Eucaristia às 19h00


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Agenda Pastoral

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Nº 1033

Pensamento da Semana

 

PENSAMENTO DA SEMANA

 «Deus espera por nós em tudo o que encontramos. 

Não se trata de reentrar na esfera íntima e esquecer tudo o resto. 

O desafio é estar em si e experimentar com todos os sentidos a realidade daquilo e daquele que vem.

O desafio é atirar-se para os braços da vida e ouvir aí o bater do coração de Deus. 

Sem fugas. Sem idealizações. Os braços da vida como ela é.»

D. José Tolentino Mendonça

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