Nº 693

O QUE É DAR A VIDA?

Dar a vida é amar. Abdicar de si… em favor de um outro. Vencer egoísmos e medos com a convicção de que dar-se nunca é um excesso nem uma cobardia.

Dar a vida é perder-se para se encontrar. Entregar-se para se receber… É aparecer, sair de si até ao ponto de se poder ver bem diante dos próprios olhos.

Dar a vida é vivê-la tal como ela é na essência: generosa! Ser mais vida na vida de outro alguém. Cuidar da existência do outro com a sua… dar a vida é ser outro. Melhor. Muito.

Dar a vida é ser um sorriso apenas com um olhar. É oferecer lágrimas a quem já perdeu as suas. Ser um silêncio onde há paz… e uma melodia que revela que o melhor do mundo repousa em nós… à espera de nós.

Dar a vida é reconhecer a beleza que há neste mundo. No outro e no mundo do outro. É contribuir para o equilíbrio e ficar em harmonia… com tudo e com cada coisa, compreendendo que a verdadeira alegria é a coisa mais séria da vida.

Dar a vida é guardar-se para o momento oportuno, sabendo que pode tardar, muito. Dar a vida é não contar lutas, sofrimentos e perdas quando chega o tempo de se dar.

Dar a vida é reconhecer que ela não é nossa. Que nos foi oferecida, e que se nada fizemos para a merecer antes, podemos sempre fazê-lo, agora.

Dar a vida é ser silêncio e ser simples. Não é estar presente. É ser presente.

Dar a vida é entregar umas mãos puras, ainda que vazias.

Dar a vida é não querer as pessoas e as coisas para as usar e deitar fora, mas para cuidar delas, apesar de tudo o que lhes possa suceder. Mas é dar-se ao uso, ser instrumento e meio do outro, confiando que a vida nunca nos deita fora… mesmo quando mais ninguém a acompanha.

Dar a vida é criar alegria noutro coração, desprezando sempre as injúrias de quem nada faz senão tentar desfazer os outros.

Dar a vida é saber que é maior o contentamento de ter para dar… do que o desassossego de esperar pelo que os outros possam trazer.

Dar a vida é duro. Os sacrifícios são sempre mais amargos do que a memória que deles fica… mas passam as horas e apenas ficam as ações…

Dar a vida é criar. Ser livre e ser causa da liberdade do outro. Obedecer. Cumprir o mais difícil de todos os planos: fazer alguém feliz neste mundo.

Dar a vida é abrir os braços e deixar o espírito sair… ser um vento que envolve, protege e eleva o outro… até ao céu.

Dar a vida é ser a origem do que não tem fim.

Dar a vida é ficar sem nada… senão com esta vontade de ser Amor.  .

José Luís Nunes Martins

 

DOMINGO DA ASCENSÃO

Corações ao alto

 

Há alguns anos atrás, ao participar em Roma, na instalação do Secretariado Mundial da Evangelização 2000, a Madre Teresa de Calcutá foi entrevistada.

- Madre Teresa, o que é para si evangelizar?

Com uma simplicidade e profundidade impressionantes, ela respondeu:

- Evangelizar é ter Jesus no Coração e levar Jesus ao coração dos irmãos.

Só moram no nosso coração os que são amados. Para Jesus morar no coração é preciso que se tenham criado laços de amor entre a pessoa e Jesus vivo. Que Jesus nos ama, é verdade! Que Ele nos amou primeiro, está comprovado! Que Ele ama a todos porque os quer salvar, é certo! Mas é preciso que nos sintamos amados por Ele, nos deixemos amar e sintamos que O estamos amando. Não basta ter Jesus na cabeça... É preciso tê-lo no coração. Só depois podemos levá-lo ao coração do irmão porque ninguém dá o que não tem. É preciso estar evangelizado para evangelizar e fazer Jesus acontecer no coração das pessoas.

Na Ascensão, Jesus eleva-se ao Céu. Deixou de estar connosco para estar em nós. Ele continua a evangelizar através de nós. Sursum corda, isto é, Corações ao alto! Que saibamos responder efetivamente que o nosso coração está em Deus porque Ele está no nosso coração.

Pe. José David Quintal Vieira, scj

 

MEDITAR

 

A PARTIR DESTE INSTANTE...

A partir deste instante,

cada ser humano

confiará nos outros seres humanos,

como a palmeira confia no vento…

A partir deste instante,

os nossos corações só pronunciarão a verdade

e não invocaremos a justiça

 ara dar à luz a maldade…

A partir deste instante,

só um jejum será consentido:

abrir as prisões dos injustiçados,

libertar os oprimidos

e hospedar os deserdados…

A partir deste instante,

o pão da nossa mesa será partilhado com olhar limpo

e saciará todas as indigências…

A partir deste instante,

a palavra liberdade será suprimida dos dicionários,

porque nenhum povo se levantará contra outro…

E as espadas serão transformadas em arados.

A partir deste instante,

tudo será permitido: cada ser humano

poderá andar com uma flor na mão;

o lobo e o cordeiro pastarão juntos

e as crianças brincarão, sem receio,

no esconderijo da serpente…

 

o dinheiro não poderá comprar o sol de cada manhã

nem servirá para encobrir as teias criminosas…

A partir deste instante,

haverá girassóis em todas as janelas;

e nas janelas devem permanecer,

suscitando esperança em cada coração…

Grão de mostarda

 

 

A partir deste instante,

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

CONTO (553)

 

O DESCONHECIDO

Uma vez, um criminoso acabado de sair da prisão, vagueava pelas ruas à procura de abrigo.

Foi bater à porta de um albergue mas não lhe abriram a porta, dizendo que já não havia lugar.

Cheio de fome e de frio, foi deitar-se na soleira da porta de uma casa. Mas veio o dono e atiçou-lhe o cão.

Entretanto, fez-se noite. Vendo uma grande casa iluminada, atreveu-se a bater pela última vez. Se nada conseguisse, poria fim à vida.

O dono da casa veio abrir a porta. Era o bispo da cidade. Cumprimentou o desconhecido e mandou-o entrar.

O homem contou a sua história dramática e perguntou-lhe se aquela casa era um hotel. Disse que precisava de comer e dormir mas não podia pagar.

O bispo mandou colocar mais um prato na mesa. O homem disse que comeria mesmo à porta. O bispo fingiu não entender e mandou preparar também uma cama. Depois disse:

- O senhor não precisa de dizer quem é. Basta-me saber que tem fome e não tem casa. Aliás, eu já sei o seu nome…

- O senhor sabe o meu nome?

- Sim, já sei o seu nome. Chama-se… meu irmão.

In Tutti Frutti  de Pedrosa Ferreira

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A partir deste instante,

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Quando alguém pretende viver exclusivamente por si e para si, converte-se numa pequena ‘ilha’ de ódio, mesquinhez, suspeita e ambição. (…) Para que se recupere a verdadeira perspetiva, que é a do amor e da compaixão, temos que aprender de novo, com simplicidade, confiança e paz, que ‘os homens não são ilhas’.

Thomas Merton  Los hombres no son islas

 

 

O futuro deve ser de tal maneira que nenhuma criança ao nascer se sinta torpedeada pela vida de maneira que julga que tem que desistir de ser para existir apenas como aquilo que a vida obriga a ser.

Agostinho da Silva

 

 


INFORMAÇÕES

 

CLÍNICA DOS BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS DA CALHETA

A Direção da Associação de Bombeiros Voluntários da Calheta informa a vinda dos seguintes médicos: Dr.ª Maria Graça Almeida,  Ginecologista – Obstetra, a 21 de maio. Dr.ª Rute Couto, Cardiologista, nos dias 6 e 7 de junho;  Dr.ª Alexandra Dias, Pediatra, nos dias 12 e 13 de junho; Dr. Brasil Toste, Otorrinolaringologista, em junho; (dias ainda por estabelecer);, Dr. José Abreu Freire Especialista em Mamografia e Ecografia, em junho (dias ainda por estabelecer). Os interessados podem fazer as suas marcações para os números 295 460 110 / 295460111.

BAR DOS BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS DA CALHETA

Os interessados em explorar o bar da Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários da Calheta deverão contactar a secretaria da instituição até ao dia 29 de maio de 2015.

MATRÍCULAS

A Escola Básica e Secundária da Calheta informa os encarregados de educação de que estão abertas, de 15 de maio a 15 de junho, as matrículas na educação pré-escolar e no 1º ciclo do ensino básico, quando a criança não tenha frequentado a educação pré-escolar na unidade orgânica em que vai ser aluna. Estas deverão ser efetuadas, presencialmente, na escola que serve a área pedagógica onde o aluno reside, junto da respetiva encarregada de estabelecimento/coordenadora de núcleo, no seguinte horário:EB1/JI da Calheta – segunda-feira 15:00 às 16:00;  EB1/JI da Ribeira Seca – sexta-feira das 11:30 às 12:00.

 


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Pensamento da Semana

 

Um anjo nunca se faz conhecer, nós só sabemos que ele esteve connosco quando ele parte. Porque deixa-nos na vida um perfume, deixa-nos na vida um desassossego.

 

Erri de Luca, in Em nome da mãe

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