Nº 680

A LOUCURA DA PACIÊNCIA

A impaciência torna impossível a construção de algo que permaneça para além dos sonhos do momento. Só a esperança, quando aliada à paciência, constrói o que permanece.

Na vida do dia-a-dia, a paciência é essencial a quem pretende alcançar algo de bom. Temos de ter a coragem da esperança, contra a qual podem sempre pouco as maldades do mundo e dos outros, bem como as angústias e os desesperos do nosso coração.

Esperar é uma espécie de oração. Um acreditar que se estende no tempo e se renova, vezes sem conta. Uma construção gota a gota. O que é bom… conquista-se.

A impaciência torna impossível a construção de algo que permaneça para além dos sonhos do momento. Só a esperança, quando aliada à paciência, constrói o que permanece.

A nossa existência exige uma fé paciente mais do que forças rudes ou apaixonadas.

A esperança é a essência dos heróis.

É esse rumo que determina o significado da nossa vida e o valor de cada um de nós. O que somos depende daquilo pelo que, nos dias e noites da nossa existência, decidimos lutar.

Mas a paciência, quando é posta à prova, diminui. É pois essencial que saibamos reconstrui-la após cada combate. Termos esperança por nós mesmos é um excelente princípio da felicidade.

Por vezes, confunde-se esperar com nada fazer.

Muitos são os que desistem de si mesmos à primeira contrariedade, à segunda noite ou no meio de um deserto qualquer da vida. Ter esperança é, muitas vezes, uma loucura. Implica enfrentar as evidências aparentes para além de todos os sofrimentos reais.

Na vida há primaveras e invernos, outonos e verões. Tudo passa… Só o amor e a verdade se renovam. A nenhum homem é possível dominar o tempo e geri-lo como nos sonhos. Somos apanhados de surpresa, vezes sem conta, até aprendermos que a nossa vida depende muito mais do que fazemos nascer em nós do que daquilo que julgamos merecer.

A paciência, muito mais do que a força, é a essência das grandes obras... e a vida de cada um de nós é uma obra-prima. A única. Que deve ser trabalhada, mantida e aperfeiçoada até ao último instante.

Há quem não saiba sofrer. Há até quem prefira morrer a ter de enfrentar de forma paciente as longas dores de uma qualquer agonia... As amarguras da vida são parte dela. A alegria é apenas metade da felicidade.

Não importa quanto tempo vivemos. Importante é a amplitude da existência, a que profundidade e a altura decidimos viver, com que largura e longitude construímos o nosso mundo!

A paciência e a esperança, mais do que esperarem que algo aconteça no mundo, transformam o interior de quem as tem, preparando-o para o que há de ser.

Nada nesta vida é estável. Um breve instante é o tempo suficiente para que o impossível se faça real. Para o bem e para o mal.

O Amor espera tudo. Até com pouco se vive bem, quando se espera o infinito.

 

José Luís Nunes Martins  (Texto adaptado)

 

VI DOMINGO DO TEMPO COMUM

Estender a mão

Certo homem caiu num poço e não conseguiu sair de lá.
Uma pessoa subjetiva passou e disse:
- Sinto muito que estejas aí, no fundo do poço.

Uma pessoa objetiva, olhando-o declarou:
- Estava-se mesmo a ver que alguém havia de cair neste poço.

Um fariseu exclamou:
- Só pessoas más é que caem em poços.

Um cientista pôs-se a calcular a pressão necessária para tirar o homem de dentro do poço.

Um geólogo espreitando para dentro sugeriu:
- Aí dentro podes apreciar as rochas do poço.

Um gabarola proclamou:
- Isso não é nada, havias de ver o meu poço.

Um psicólogo aconselhou:
- Tudo o que tens a fazer é convencer-te que não estás num poço.

O otimista advertiu:
- Podia ser bem pior.

O repórter quis logo o exclusivo da história do homem que caiu no poço.

O moralista disse:
- Se me tivesses escutado, não estarias agora nesse poço.

Um pregador retorquiu:
- O teu poço é apenas um estado de espírito.

Por fim, passou Jesus. Vendo o homem, estendeu-lhe a mão e tirou-o para fora do poço.

 Pe. José David Quintal Vieira, scj

 

MEDITAR

 

SEM MÁSCARAS

Através do teu sorriso

O que será que Deus vê?

Bem além da tua lógica

Bem atrás de toda a estética

O que será que Deus vê?

Um coração aflito, um espírito ferido

E uma alma já cansada de representar

Alguém desconfiado, sem um verdadeiro amigo

Com quem possa se abrir sem se envergonhar

Quando Deus te investiga

Bem no âmago da vida

Lá no teu eu verdadeiro

É que Ele quer por inteiro

Transformar a tua essência

Num batismo de alegria

Verdadeiramente livre te fazer

Poema extraído de Outra espiritualidade de Ed René Kivitz

 

CONTO (540)

 

AS AVES DO CÉU

Era uma vez um pequeno pardal cinzento-acastanhado que vivia a sua existência como uma sucessão de ânsias e de pontos de interrogação. Estando ainda dentro do ovo, interrogava-se:

- Conseguirei eu partir esta casca tão dura para sair daqui? E depois, os meus pais conseguirão alimentar-me?

Finalmente a casca do ovo quebrou-se e ele saiu. Mas estando no ninho, situado no ramo de uma alta árvore, continuava com muitos medos.

- Quando chegar a hora de fazer o primeiro voo, será que irei conseguir? Ou cairei estatelado no chão? Quem me poderá então socorrer?

Naturalmente que estes medos foram desaparecendo. Mas vieram outros:

- Encontrarei uma companheira? Poderei construir um ninho só para nós os dois?

Os medos continuaram. Agora era o receio de que viesse uma tempestade e queimasse a árvore e o matasse a ele e à família.

Um dia, passou por ali um Mestre com os seus discípulos e disse:

- Olhai as aves do céu. Não semeiam, nem colhem. Contudo, o Pai celeste alimenta-as.

O pardal reparou então que tinha tudo aquilo de que necessitava.

Audácia

 

Quando olha bem no íntimo

Não sei quem é o autor desta história. Apenas sei que este poço pode ser a lepra de outrora, a droga de hoje ou os males de sempre:

Confiar é ter paz, apesar das estações.

Confiar é não lançar ao mar seus princípios, ainda que a tempestade esteja a naufragá-lo.

Confiar é perceber a supremacia do amor, no alarde de todos os fracassos. 

Confiar é ter liberdade para confessar-se desconfiado de um Pai que acolhe como se nada soubesse.

Confiar é perceber que as setas da verdade vem para dentro daquele que a busca, não serve como arma contra os outros, muito menos como bordão para os militantes da boa moral.

 

Excerto de um belíssimo texto de Francieli Battiston

 


INFORMAÇÕES

 

FORMAÇÃO PARA CATEQUISTAS

De 23 a 27 de fevereiro, teremos um  tempo de formação para os catequistas da nossa Ilha de São Jorge. Pretende ser mais um encontro de reflexão e diálogo do que uma formação doutrinal ou catequética. É mais “estar” para meditar e interiorizar do que aprender “coisas”. É mais “parar” para conseguir energias do que encher de regras e deveres.

Todos temos necessidade de um tempo de inclinação sobre nós próprios para retomar forças com um novo vigor. Este tempo de formação pretende ser isso. Um tempo de acolher interiormente os apelos de Deus a partir da Exortação Apostólica do Papa Francisco “A Alegria do Evangelho”.

Será na Pousada da Juventude e terá a duração de 50 minutos e contará com a presença do Pe. Alexandre que vem da Terceira para nos auxiliar nesta caminhada.

 

DIA DO CATEQUISTA

A 14 de março, teremos o Dia do Catequista. Pretende ser um encontro de catequistas de toda a Ilha para reflexão mas, principalmente, para convívio e troca de experiencias.

Temos necessidade de nos encontrar e partilharmos as nossas caminhadas com os catequizandos.  Temos necessidade de nos animar conhecendo as dificuldades que encontramos e as formas de quebrar as barreiras que se apresentam quando anunciamos e vivemos a mensagem alegre do Evangelho.

O Dia do Catequista tem a concentração marcada para as 10 horas na Pousada da Juventude e termina às 15 horas.

Propostas de reflexão:

1. Como podemos ser, em grupo de catequistas, testemunhas da alegria para as crianças e jovens que nos foram confiados?

2. Quais as maiores dificuldades na missão? Quais as maiores alegrias?

3. Como podemos valorizar mais, como grupo, o encontro com Jesus Cristo, com a Sua Palavra e com a Sua mensagem.

O animador será o Pe. Marcos Miranda.


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Dá-nos um coração claro que veja o céu aberto
e o mundo como os olhos de uma criança,
olhos de confiança e de descoberta
que nos salvem dos hábitos.

 

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