Nº 662

 


NO AMOR, não!

A distância conta-se pelos apertos do coração quando o ciúme, a ganância e o sentido de posse dão sinal de si até fazer doer o coração da gente…

A distância mede-se pelos tantos medos que desde pequeninos nos vestiram, ensinando-nos a “desconfiar”…

E, então, a distância passa a contar-se em tijolos, aqueles com que vamos levantando muros e marcando fronteiras que nos resguardam da maldade que tem sempre um nome que não é o nosso…

Abrir por dentro as portas do coração é tão difícil e tão penoso como carregar esses tijolos… 

Cansa desmarcar o território já marcado…. 

Mas, ao acordar veremos, espantados, que perdemos o medo do escuro…

Embora a gente viva num século em que parece que basta fazer zoom (ou clic) para termos a vida ao alcance do dedo, essa é uma aproximação que não passa de um enganador “efeito” da técnica…

É preciso debruçarmo-nos uns sobre os outros para experimentarmos, no calor do abraço, a regular a vida pelo bater compassado e compassivo dos corações.

É aí que cessam todas as distâncias e todos os julgamentos.

É aí que começa o Amor ao outro como ele é (“como si mesmo”!) e com tudo o que eu sou ("como mim mesmo" )…

É aí, debruçando-nos que podemos sentir melhor as mudanças que a proximidade gera…

E é GRANDE ver um ser Humano debruçado sobre outro ser humano porque isso fala de Evangelho.

Porque isso fala da Boa Notícia de um Deus que continua a fazer-se Homem e a dizer aos caídos que a valeta é um não lugar  e as distâncias são construção do nosso egoísmo e que, por isso, ninguém pode ficar  caído na valeta para sempre. Nem longe para sempre…  No Amor, NÃO!

 

Glória Marques

 

XXVIII DOMINGO DO TEMPO COMUM

O banquete do Reino

Jesus Cristo, com frequência, compara o Reino dos Céus a um banquete. A este propósito recordo uma metáfora oriental já muito divulgada:

Um certo homem faleceu e antes de entrar no céu quis dar uma espreitadela pelo inferno. Reparou que numa sala havia uma mesa e ao centro um pratão de arroz com colheres enormes, de um metro de cumprimento. Nisto chegaram os convivas. Cada um tentava comer com aquelas colheres gigantes mas era impossível e toda a gente passava fome.

Ao entrar no paraíso viu, para seu espanto, uma mesa igual, o mesmo prato de arroz e as mesmas colheres enormes.

- Mas como é possível comer aqui no céu?

- Espera e já verás que isto não é inferno nenhum, respondeu-lhe um anjo.

Aproximaram-se os santos do Paraíso, sentando-se pegaram nas colheres, e cada um dava de comer àquele que estava no outro lado da mesa.

- Eis a diferença. No inferno cada um pensa em si e todos passam fome. No paraíso todos servem os outros numa refeição fraterna e há alegria e paz. A mesa é igual, as pessoas é que são diferentes.

Já que o Reino dos Céus é um grande banquete, treinemos aqui na terra a partilhar, servindo e pensando nos outros para não haver surpresas para ninguém na eternidade.

José David Quintal Vieira, scj

 

MEDITAR

 

O DOM DA FRATERNIDADE

 

Pai Santo,

ajuda-nos a tomar consciência de que os outros são um dom para nós, 

pois são os irmãos que Tu nos dás, a fim de seres o Nosso Pai.

 

Ensina-nos a comunicar sempre numa linha de verdade e autenticidade.

 

Dá-nos um coração aberto e acolhedor, 

para sabermos compreender e aceitar a pessoas que se cruzam connosco na vida.

 

Espírito Santo,

Ajuda-nos a moldar um coração fraterno

e a não querer estar sempre acima dos outros.

 

Ilumina-nos, a fim de reconhecermos que ninguém é bom em tudo, 

a fim de sermos capazes de aceitar e aprender com as qualidades dos outros.

 

Dá-nos a sabedoria necessária para compreendermos que cada pessoa 

é única, original e irrepetível e, por isso, nunca está a mais, pois não é cópia de ninguém.

 

Ajuda-nos a saborear o ensinamento magnífico da Carta aos Efésios que diz: 

“Há um único Senhor, uma única Fé, um único batismo.

Há um só Deus e Pai de todos que está acima de todos, 

atua por meio de todos e se encontra em todos” (Ef 4, 5-6).

 

Jesus, Irmão Querido,

ensina-me a arte de escutar os irmãos, 

lembrando-me de que as pessoas que se recusam a escutar os outros não merecem ser escutadas.

 

Ajuda-nos a saber construir fraternidade na História, 

pois esta é a única maneira de chegarmos à Fraternidade Universal do vosso Reino.

 

Calmeiro Matias

 

CONTO (521)

 

DA JANELA

Um casal mudou-se para um bairro novo. Na manhã do dia seguinte, enquanto tomavam o café da manhã, a mulher olhou pela janela e viu a sua vizinha a estender a roupa. Imediatamente ela comentou com o marido: “As roupas não estão limpas, os nossos vizinhos não sabem lavar a roupa, quem sabe se eles precisam de um sabão melhor!”.

Durante um mês eles comentaram as roupas sujas dos vizinhos. Até que um dia a mulher olhou pela janela e viu a vizinha estendendo a roupa impecavelmente limpa.

Então ela disse ao marido: “Os nossos vizinhos finalmente aprenderam a lavar roupa, vê como estão limpas! Quem será que os ensinou?”.

Então o marido disse-lhe: “Minha querida, na verdade fui eu que acordei mais cedo hoje e limpei a nossa janela!”.

Assim é a vida: aquilo que vemos quando olhamos para os outros depende de quão limpas estão as janelas através das quais vemos. Antes de criticar e procurar alguma coisa nos outros para julgar, quem sabe se não é melhor perguntar se não estamos prontos para um novo olhar.

 

A distância está nas palavras que eu digo e tu dizes, e emudecem logo ao sair-nos da boca, e caem no silêncio sem ninguém para as escutar….


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Dá-nos um coração claro que veja o céu aberto
e o mundo como os olhos de uma criança,
olhos de confiança e de descoberta
que nos salvem dos hábitos.

 

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